208. Delírios contra-Neros
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20.07.2021 | 1 minutos de leitura
Poesia

Quero tomar a bastilha,
Apreender toda a pólvora
E incendiar os palácios.
Antecipar o inferno
Quebrando os caça-níqueis,
Vandalizando seus shoppings,
Profanando seus templos.
Ser a vingança da Terra,
Como cabe aos delirantes.
Engolir meio mundo numa fenda
De lava e cinzas.
Levantar a tampa frágil dos castelos,
Com vento forte e destemido.
E num bramido, estourar o tímpano
Dos surdos.
Cegar os cegos com lampejos.
Quero o raio e o trovão, o fogo
Caindo do céu
Como num apocalipse definitivo,
Pois adiaram
O amor com suas desculpas.
Quero ser o tempo das dez pragas,
E a morte dos primogênitos de todo
Faraó,
A custo de ter que derramar alguma
Lágrima,
Enquanto degolo seus pescoços
inocentes.
Inocentes?
Quero a frieza, a frieza da lâmina,
Descendo como guilhotina
Na cabeça e no bolso de Nero.
Prendê-lo na Roma Brasiliense,
Tostá-lo com línguas de fogo.
Até não restar nada, senão
Sua carniça.
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