193. Alvura
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28.02.2021 | 1 minutos de leitura
Poesia

Venho tentando lavar
Estas vestes.
Alvejá-las, torná-las
Brancas
Como a neve.
Esfrego-as nas pedras,
À beira do rio,
Ouvindo o canto
Fúnebre
Das lavadeiras.
Mas a brancura
Não se produz.
As mãos calejadas,
Os dedos entortados...
O olhar misturando-se
Às águas, então,
Se transfigura:
Nenhuma lavadeira
Há de produzir
A alvura.
Há coisas que são
De graça.
Estas vestes.
Alvejá-las, torná-las
Brancas
Como a neve.
Esfrego-as nas pedras,
À beira do rio,
Ouvindo o canto
Fúnebre
Das lavadeiras.
Mas a brancura
Não se produz.
As mãos calejadas,
Os dedos entortados...
O olhar misturando-se
Às águas, então,
Se transfigura:
Nenhuma lavadeira
Há de produzir
A alvura.
Há coisas que são
De graça.
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