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149. E daí?

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01.05.2020 | 2 minutos de leitura
Luciana Silva
Poesia
149. E daí?

Bem aventurados os que se importam
com a vida de seus semelhantes,

simplesmente porque é a vida de seu semelhante...


Bem aventurados os que cuidam da vida, das dores,

simplesmente porque se sentem irmãos uns dos outros...


Bem aventurados os que se preocupam
e se doam, sem medidas, ao próximo,

simplesmente porque sentem a dor do menor de seus irmãos...


Bem aventurados os que sabem enxergar o irmão caído na rua,
na dor, no medo,
simplesmente porque tem olhos pra ver,
olhar de caridade, e vendo, ajudam...


Bem aventurados os que sabem ouvir o pranto, a angústia, o riso,

simplesmente porque tem ouvidos pra ouvir,
ouvidos atentos, distintos, e ouvindo, ajudam...


Bem aventurados os que têm mãos e braços que acolhem, 

simplesmente porque são humanos,
e sendo humanos, são solidários...


Bem aventurados os pés que caminham pra fazer o bem, 

pra ser irmão dos marginalizados, dos esquecidos,
do pobre ainda invisível...


Bem aventurados os que sabem fazer silêncio
quando não sabem o que dizer, 

e os que sabem falar no momento certo
a palavra que revigora...


Bem aventurados os que têm medo da ganância, 

do egoísmo, do poder sem freios e sem controle ladeira abaixo, 

e se refugiam na coragem do bravo guerreiro
que morre mas não perde sua dignidade...


Bem aventurados os que tem esperança na bondade, 

não obstante tanta obscenidade de ações intempestivas 

e desastrosas que menosprezam a vida...


Bem aventurados os que são humanos, 

simplesmente porque nasceram humanos... 

e se tornam divinos toda vez que fazem o bem...


Bem aventurados os que fazem o bem 

e fazem o “ e daí” soar como som oco de madeira 

sem vida,
sem caule e sem raiz...





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