149. E daí?


Bem aventurados os que se importam
com a vida de seus semelhantes,
simplesmente porque é a vida de seu semelhante...
Bem aventurados os que cuidam da vida, das dores,
simplesmente porque se sentem irmãos uns dos outros...
Bem aventurados os que se preocupam
e se doam, sem medidas, ao próximo,
simplesmente porque sentem a dor do menor de seus irmãos...
Bem aventurados os que sabem enxergar o irmão caído na rua,
na dor, no medo,
simplesmente porque tem olhos pra ver,
olhar de caridade, e vendo, ajudam...
Bem aventurados os que sabem ouvir o pranto, a angústia, o riso,
simplesmente porque tem ouvidos pra ouvir,
ouvidos atentos, distintos, e ouvindo, ajudam...
Bem aventurados os que têm mãos e braços que acolhem,
simplesmente porque são humanos,
e sendo humanos, são solidários...
Bem aventurados os pés que caminham pra fazer o bem,
pra ser irmão dos marginalizados, dos esquecidos,
do pobre ainda invisível...
Bem aventurados os que sabem fazer silêncio
quando não sabem o que dizer,
e os que sabem falar no momento certo
a palavra que revigora...
Bem aventurados os que têm medo da ganância,
do egoísmo, do poder sem freios e sem controle ladeira abaixo,
e se refugiam na coragem do bravo guerreiro
que morre mas não perde sua dignidade...
Bem aventurados os que tem esperança na bondade,
não obstante tanta obscenidade de ações intempestivas
e desastrosas que menosprezam a vida...
Bem aventurados os que são humanos,
simplesmente porque nasceram humanos...
e se tornam divinos toda vez que fazem o bem...
Bem aventurados os que fazem o bem
e fazem o “ e daí” soar como som oco de madeira
sem vida,
sem caule e sem raiz...
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