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Jesus ou Barrabás?

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12.10.2026 | 2 minutos de leitura
Pe. José Carlos
Diversos
Jesus ou Barrabás?
Quando lemos os Evangelhos e chegamos à cena do julgamento de Jesus, encontramos uma das perguntas mais desconcertantes da experiência humana: “Quem vocês querem que eu solte: Jesus ou Barrabás?”
De um lado, Jesus: aquele que curou, acolheu, escutou, devolveu dignidade, aproximou-se dos marginalizados, enfrentou a hipocrisia e anunciou uma palavra de vida.
Do outro, Barrabás, apresentado pelos Evangelhos como alguém envolvido em violência e insurreição. E, ainda assim, a multidão escolhe Barrabás.
Essa cena revela algo profundamente humano: nem sempre escolhemos aquilo que nos faz bem; muitas vezes escolhemos aquilo que corresponde às nossas paixões, aos nossos medos, às nossas convicções previamente construídas ou àquilo que alguém conseguiu colocar dentro da nossa cabeça.
A multidão pode ser manipulada. A consciência pode ser anestesiada. O barulho pode substituir a reflexão. A aparência pode ocupar o lugar da verdade.
E aqui existe uma pergunta que permanece atual: quantas vezes também nós preferimos Barrabás?
Quantas vezes preferimos o discurso fácil ao pensamento profundo?
O grito à escuta?
A aparência à verdade?
A agressividade à dignidade?
A certeza pronta à busca sincera?
Jesus, naquela cena, não precisa fazer um grande espetáculo. Ele permanece ali. Silencioso. Presente. Firme.
E para mim, essa é uma das grandes dificuldades do nosso tempo: aprendemos a dar muito valor ao barulho e pouco valor à profundidade.
Há discursos que hipnotizam porque exploram o medo, a raiva, o ressentimento e a necessidade de pertencimento. E, quando deixamos de pensar criticamente, podemos começar a defender aquilo que, em outras circunstâncias, jamais defenderíamos.
O Evangelho, porém, não nos chama à passividade. Ele nos chama à consciência. A ação. 
Por isso, a pergunta de Pilatos continua ecoando: Jesus ou Barrabás? Não se trata apenas de uma escolha feita por uma multidão há dois mil anos. É uma pergunta dirigida à consciência de cada ser humano.
Que voz estamos escolhendo ouvir? 
A voz que faz barulho ou aquela que nos conduz à verdade?
Porque nem sempre aquilo que grita mais alto é aquilo que possui mais verdade. O verdadeiro desafio cristão é justamente este: aprender a reconhecer Jesus no meio do barulho.
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