Versículos BíblicosEvangelho Dominical
 
 
 
 
 

7. Deus não é mercador, nem negociante

Ler do Início
14.12.2021 | 5 minutos de leitura
FFirme
Novena de Natal
7. Deus não é mercador, nem negociante
Solange Maria do Carmo
Tânia da Silva Mayer

Ambientação: Em local apropriado para a oração, disponha uma toalha bonita, alguns elementos do presépio, a bíblia, a coroa do advento ou uma vela, algumas ramagens ou flores, as fotos de sua família...

Abertura
Dirigente: Queridos irmãos e irmãs, perseveramos em nossa Novena de Natal 2021, a fim de nos mantermos vigilantes no Advento de Jesus.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que Cristo esteja presente em nossas casas e junto de nossas famílias.
Grupo: Jesus Cristo sempre está conosco e é nosso companheiro de caminhada!
Cantar a música n. Seja bem-vindo, n. 9, ou outra.

Oração Inicial
Dirigente: Ó Deus da Vida, deste-nos a oportunidade de viver os dias, não porque merecemos, mas porque teu amor alcança todas as criaturas. Por teu Espírito Divino, pedimos-te: faz o nosso coração semelhante ao do teu Filho Jesus, para que experimentemos, sem reservas, o amor que não merecemos e que tu nos dás por pura gratuidade
Grupo: Venha a nós, Senhor, e viveremos da tua misericórdia. Amém.

Leitura da bíblia
Para preparar os corações para a escuta da Palavra de Deus, cantar a música Vamos receber a Palavra de Deus, n. 2.
Na bíblia, uma pessoa faz a leitura do texto: Lc 6,35-36
Conversa e Partilha da Palavra
O que o texto diz? Qual imagem ou quais as imagens de Deus são apresentadas a nós? Qual mensagem é mais significativa para nós? Vamos conversar.

Aprofundamento
Lucas é o evangelista da misericórdia. Todo o seu Evangelho está perpassado pela misericórdia.
Nesse discurso de Jesus, Lucas mostra claramente quem é o Deus de Jesus Cristo. É o Deus que ama a todos e nos ensina também a trilhar o caminho do amor fraterno universal.
Lucas começa nos convidando ao amor ao inimigo; um convite bastante desafiador. Amar os familiares e os amigos como a fé cristã ensina já é tarefa nada fácil. Amar os inimigos é ainda mais difícil.
Como amar quem nos faz o mal? Como amar quem fala mal de nós e nos persegue? Só mesmo pela força de Deus que nos ama sem nenhum merecimento de nossa parte.
Depois de dizer que devemos superar nossas preferências e estender nosso amor cristão a todos, Lucas diz que nos tornaremos mais parecidos com Deus, se alargamos o nosso coração para amar. Seremos filhos do Altíssimo – diz o evangelista – se amarmos como Deus ama.
Observem que Lucas não diz que nos tornamos filhos de Deus pelo batismo, mas pela prática do amor. Quem ama se torna parecido com o Pai do céu, que ama a todos sem discriminar ninguém como vimos no relato de Marcos no encontro passado.
O Pai do céu é misericordioso. Se está certo o ditado “tal pai, tal filho”, então devemos ser misericordiosos como Deus, conforme nos afirma Lucas no versículo 36.
Infelizmente, muitas vezes, entendemos Deus como um comerciante. Se a gente tem dinheiro para comprar, leva o produto. Se não tem, fica sem ele. Transferimos as relações injustas do mercado financeiro para o campo religioso e fazemos de Deus um mercador ou um agiota. Entramos na lógica do mercado, do descartável, do inútil. Assim, quem não está dentro das normas religiosas e não faz tudo exatamente como manda o figurino religioso, é considerado pecador, impuro e fica excluído da graça de Deus.
Essa imagem de Deus como um negociante não tem nada a ver com a imagem do Deus amor que Jesus nos apresenta. O Deus de Jesus é misericordioso e nos acompanha, ainda que não mereçamos, ainda que não tenhamos nada em troca para lhe oferecer. Ele nos ama gratuitamente, só porque é amor. Sua máxima lei não é a justiça punitiva ou o acerto de contas, mas sua misericórdia. É a misericórdia que o constitui e faz dele um amigo para todas as horas, um pai em cujo amor podemos confiar ainda que não o mereçamos.

Causo da Vida
Uma pessoa do grupo faz a leitura do causo da vida. Ao final, o grupo pode conversar sobre a narrativa e enriquecê-la com outros exemplos do cotidiano.
Padre Teófilo, conhecido desde o seminário como amigo de Deus, era pároco de uma pequena cidade. Bem intencionado, mas com fraca formação teológica, estava sempre à beira da crise. Foi numa crise dessas que o presbítero se envolveu com  uma jovem e ela engravidou. Quando deu por si, já era tarde para consertar o vacilo. Apavorado, ocultou o fato. Deu um dinheirinho para a moça e ela sumiu com a criança. A vida seguiu seu curso e padre Teófilo, movido por remorsos, enveredou-se por caminhos pastorais bem duvidosos. Assumiu um discurso moralista de defesa da vida e da família, da moral  e dos bons costumes, e pregava contra o comunismo como se ele fosse o ninho dos demônios.
Apoiado por alguns padres das mídias, todos aparentemente santos e muito bem-sucedidos, pela primeira vez, padre Teófilo começava a ser ouvido e sua igreja estava ficando cheia. Seus amigos diziam: “Veja, Deus está te abençoando. Lembre-se: Deus premia os bons e castiga os maus. Ele dá sucesso aos fiéis e derruba os infiéis”. E padre Teófilo se convenceu de que  Deus é um mercador, um negociante com quem é preciso ter moeda de troca para adquirir seus produtos divinos. Vinha uma  mãe solteira batizar um filho, ele dizia; “Não, não pode, não merece a graça de Deus!”. Vinha um casal de nova união participar da comunidade, ele dizia: “Não, não pode, está em pecado”. Vinha uma pessoa com orientação homoafetiva participar do grupo de jovens: “Não, não pode, está na sem-vergonhice”. Vinha uma negra feminista pedir o salão emprestado para as atividades das mulheres da favela: “Não, não pode, feminismo é do capeta”. Padre Teófilo vestiu uma batina, ressuscitou o barrete dos armários da sacristia, e reduziu suas atividades pastorais em cercos de Jericó, missas de cura e libertação, orações de intercessão, exorcismos e bençãos de objetos.
Até o dia em que, para sua surpresa, foi visitado pela mãe de sua filha. Com doença degenerativa, estava perdendo as funções cognitivas e não tinha quem a ajudasse a criar sua menina. Foi preciso apelar para o pai da criança, no caso o padre. Chegou com sua filha de 6 anos puxada pela mão, pedindo o batismo e também o socorro do presbítero. Padre Teófilo ficou sem chão. “O que fazer, meu Deus?”, pensava ele. Tentou mandá-la de volta para sua casa antes que o caso viesse a público, mas ela não tinha mais os pais vivos e não tinha com quem deixar a criança. Padre Teófilo rezou pedindo um milagre, uma cura para a mãe de sua filha, de forma que ela pudesse voltar a trabalhar e criar a criança sem colocar seu  ministério de presbítero em crise. Jejuou, orou, fez penitência, ordenou em nome de Jesus que a mulher ficasse curada e nada. Vendo que não tinha mais jeito, procurou o bispo e confessou seus deslizes de anos atrás. O bispo ficou enfurecido e não queria conversa, mas, aconselhado por outro bispo, entendeu que todo mundo merece uma nova chance.
Vendo a situação da mãe e da criança, o bispo aceitou manter  o padre no ministério com a condição que ele reparasse seus erros. Deveria cuidar da mãe doente e assumir sua filha, pois “filho a gente não abandona na sarjeta”, disse ele. A mãe da menina morreu cedo acometida pela doença. Padre Teófilo nunca mais teve tempo para missas longas nem para grandes discursos sobre a moral católica. Bateu no peito e reconheceu suas próprias fragilidades, fazendo uma revisão de vida, em vez de apontar o dedo para os outros. Cuidou com carinho da criança e se comportou como um perfeito pai solo. Batizou sua     Madalena e se tronou um pai coruja. Os paroquianos acharam estranho no começo, mas não faltou quem o admirasse por sua     coragem e o ajudasse a criar a menina.
Agora, já velho, em plena pandemia da covida-19, padre Teófilo  tem a moça como sua maior alegria. Trancado na casa paroquial sem poder nem mesmo celebrar missa presencial, teria morrido de solidão não fosse a filha com os netinhos gêmeos, que moravam com ele enquanto o marido dela trabalha em outra cidade. Quem diria que Deus o cumularia com tantas bênçãos? Ele não merecia perdão, pois era um pecador. Mas “Deus é mesmo assim, fiel bom e justo com todos até com os pecadores. Não somos merecedores de seu amor, mas ele nos ama mesmo assim”, dizia padre Teófilo nas redes sociais, que se tornaram seu nicho de trabalho.

Cantar a música Dai-nos, Senhor, n. 8, ou outra conhecida do grupo.

Oração
Dirigente: Irmãs e irmãs, O Deus de Jesus não é mercador nem negociante. Ele não aceita suborno nem se vende.
Grupo: Não há lugar para um Deus mercador e negociante entre nós. Deus é amor solidário.
Dirigente: Rezemos ao Senhor pedindo que não tarde a chegar com seu amor e misericórdia. Tomemos emprestadas as palavras de Eduardo Calil, com seu poema Advento.
Grupo:
Ad-vento, Ad-ventania:
Leva embora 
A tristeza, 
Traz de volta 
A alegria.
Sopra...
Como mãe sopra 
O machucado 
E dá beijinho;
É que tem criança 
Ainda chorosa, 
Sozinha:
Aquela que a gente 
Traz dentro.
Ad-vento: 
Leva a palha seca,
E vem fazendo o trabalho 
Da semeadura invisível,
 Da polinização silenciosa, 
De uma nova vida
Que anseia por Florescer.

Compromisso cristão
Nenhum de nós é merecedor da graça de Deus. Ele nos ama por pura misericórdia. Como cristãos e cristãs, devemos romper com discursos e práticas religiosas exclusivistas, como
se fôssemos santos, puros e perfeitos. Como Deus nos acolhe por amor, não devemos atuar como fiscais e juízes da vida alheia, mais preocupados com a salvação dos outros. Lembremos, os pecadores são convocados a entrarem primeiro no Reino de Deus. Que tal a gente fazer um exercício de acolher aqueles que consideramos pecadores e fazer também uma revisão da própria vida?

Encerrar cantando uma música de gratidão? Sugerimos o canto n. 6, Quero agradecer, ou outra do agrado do grupo.

PUBLICIDADE
  •  
  •  
  •  
  •