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3. Deus não é mágico, nem curandeiro

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06.12.2021 | 5 minutos de leitura
FFirme
Novena de Natal
3. Deus não é mágico, nem curandeiro
Solange Maria do Carmo
Tânia da Silva Mayer

Ambientação: Em local apropriado para a oração, disponha uma toalha bonita, alguns elementos do presépio, a bíblia, a coroa do advento ou uma vela, algumas ramagens ou flores, as fotos de sua família...

Abertura
Dirigente: Irmãos e irmãs, Jesus vem ao nosso encontro e nos convida a aprender com ele o valor de nossas ações para que o Reino de Deus se torne uma realidade cada vez mais presente no meio de nós.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que o amor e a graça de Cristo estejam em nossas casas e em nossas famílias.
Grupo: Jesus Cristo é fonte de toda graça e bondade!
Que tal cantar a música n. 1, Mais uma vez?

Oração Inicial
Dirigente: Ó Deus de Jesus Cristo, tu vens sempre ao nosso encontro se compadecendo de nossas pelejas diárias, porque és fonte de graça e bondade. Pedimos-te, que o Espírito Santo nos confirme na caminhada e nos faça olhar para ti com olhos de gratuidade, a fim de que te vejamos como companheiro em nossas estradas da vida.
Grupo: Venha até nós, Senhor, convertendo nossas consciências e aumentando a nossa fé, para que possamos ver-te como puro dom e amor. Amém.

Leitura da bíblia
Para preparar os corações para a escuta da Palavra de Deus, cantar a música n. 2. Vamos receber a Palavra de Deus.
Na bíblia, uma pessoa faz a leitura do texto: Mc 8,1-10

Conversa e Partilha da Palavra
O que o texto diz? O que podemos dizer a respeito da postura de Jesus? O que mais nos chama a atenção no texto? Vamos conversar...

Aprofundamento
Nesse relato de hoje, vemos Jesus diante de uma multidão faminta. Ele chama seus discípulos e fala de sua comoção de ver tanta gente sem ter o que comer. Jesus se mostra compassivo e bondoso, capaz de se deixar interpelar pela dor e pelas necessidades dos outros.
Ao ouvir as palavras de Jesus, os discípulos reagem logo. Não pensam com o coração generoso e parecem não se importar com a dor do outro. Vão logo se desculpando com a pergunta “onde conseguir, em lugar desértico, pão para tanta gente?”.
Em vez de se deixar intimidar pelo tamanho da tarefa, Jesus procura soluções possíveis. Alguém deve ter algo para comer. Os discípulos respondem que têm somente sete pães. O que são sete pães diante de toda aquela multidão?
Na bíblia, sete é o número da perfeição. Deus criou o mundo em sete dias; Pedro achou que perdoar sete vezes seria suficiente etc. O número sete significa algo bom e bem feito, algo que traz a marca da perfeição e bondade de Deus, como a criação que Deus viu que era muito boa.
Isso significa que os discípulos tinham a obrigação de se esforçar para encontrar pão suficiente para alimentar a multidão; era só mobilizar os esforços e repartir. Observem que, em vez de fazer uma mágica multiplicando os pães, Jesus dialoga com seus discípulos procurando uma solução.
Não é a primeira vez nos relatos dos Evangelhos que Jesus busca uma solução para o sofrimento alheio. Ele dá voz aos oprimidos, liberta os cativos, apoia os excluídos, expulsa o mal dos que estão subjugados sob seu domínio. Infelizmente, muitas vezes, entendemos essas ações de Jesus com uma espécie de manifestação do poder divino de Jesus. Mas se repararmos bem, Jesus não tem uma vara de condão para resolver os problemas. Nesse texto, vemos isso claramente. É preciso reunir os discípulos e repartir a responsabilidade da vida fraterna. Os discípulos tem sete pães, ou seja, eles têm condições de alimentar a comunidade faminta porque sete é o número da perfeição. Como diz a sabedoria popular, “o pouco com Deus é muito”. Se cada um abrir generosamente o seu coração para o irmão como Deus abre seu coração generosamente para nós, ninguém precisará passar fome ou necessidades. Nosso cuidado com o outro fará o grande milagre da corresponsabilidade acontecer.
O evangelista Marcos está nos dizendo, que Deus não é um mágico, nem um curandeiro, nem um fazedor de milagres. Ele é alguém presente na nossa história, que compartilha conosco da nossa dor e nos ajuda a achar solução para nossos problemas. Nem sempre esses problemas terão o desfecho que gostaríamos, tal como uma cura ou um milagre. O Deus de Jesus não nos tira do mundo, da história. Ele não nos coloca numa redoma de vidro, na qual nenhum mal pode nos atingir. Ao contrário, ele entra na nossa história e caminha conosco na nossa dor e nas nossas pelejas, sempre nos inspirando a buscar o caminho menos doloroso. Mas isso não significa que ele vai nos livrar da dor, pois a dor faz parte da vida.
Nesses tempos de pandemia, Muita gente tem se iludido que Deus não vai deixar o vírus entrar em sua casa, que a fé é seu escudo etc. Não é bem assim: Deus vê nossa aflição como Jesus viu a aflição do povo faminto. A solução, porém, está nas nossas mãos e não nas de Deus: fazer distanciamento social, higienizar sempre as mãos, usar máscaras e tomar a vacina. Só tem essa solução; não adianta esperar um milagre pois ele não virá.
Ao final do texto, vimos que os sete pães e os peixinhos repartidos alimentaram quatro mil pessoas. Quatro é o número dos cantos da terra, pois não se sabia que o mundo é redondo como sabemos hoje. Quatro vezes mil quer dizer que o alimento foi suficiente para o mundo todo. Com um pouco de iniciativa, generosidade e cuidado com o outro, ninguém precisa passar necessidade e a dor do mundo pode ser amenizada.
Deus não é magico, nem onipotente no sentido de poder resolver os problemas do mundo com um aceno de mão. Deus é onipotente no amor; seu amor não tem limites e sua misericórdia tem potência para nos amparar e socorrer. É movido pelo amor que Jesus alimenta a multidão e não porque ele pode fazer tudo. Seu amor é a maior força que pode haver e nós somos destinatários dela, pois ele nos ama.

Causo da Vida
Uma pessoa do grupo faz a leitura do causo da vida. Ao final, o grupo pode conversar sobre a narrativa e enriquecê-la com outros exemplos do cotidiano.
Quando D. Esperança soube que estava com câncer seu mundo ruiu. Em qualquer tempo, receber essa notícia não é coisa fácil, ainda mais em tempos de pandemia. D. Esperança crescera num mundo católico, cheio de anjos e demônios, com novenas e rezas, preces e promessas, muita missa e enorme devoção ao Pai Eterno e à Nossa Senhora Imaculada, de quem ela herdara o nome: Esperança Imaculada dos Santos. Ao saber do câncer, D. Esperança resolveu honrar o seu nome  e, cheia de esperança, agarrou com a Virgem e os Santos do céu num esforço desesperado de vencer a doença. Lembrada pelo pároco de que “para Deus nada é impossível”, a confiança no poder de Deus encheu o coração da boa senhora. Deus – todo poderoso e curador de todos os males – haveria de socorrê-la. Então, rezou o terço, fez a novena da Virgem, comungou 9 sextas-feiras, acompanhou pela TV o Cerco de Jericó e, principalmente, agarrou com o Divino Pai Eterno, a quem ela consagrou a sua vida.
Foram dias, semanas e meses de prece. Mas as forças de D. Esperança minguavam em vez de aumentar. Ela repetia para si o mantra: “Para Deus nada é impossível. Tudo é possível àquele que crê”. Sem filhos e sem ninguém por perto, D. Esperança ia só enfraquecendo agarrada com seu terço, bebendo água benta e muito desiludida de não ter missa presencial para poder comungar.
Com sua fé imaculada, D. Esperança prosseguia aguardando um milagre, uma cura, uma intervenção divina capaz de salvá- la. Rezou mais ainda e fez novas promessas. E nada... a doença se alastrava e ia tomando outros órgãos. Até o dia em que um agente de pastoral, visitando os idosos para saber se receberam a vacina da covid-19, descobriu o acontecido e logo foi tomando providência para internar a boa senhora. D. Esperança resistiu, mas o moço insistiu que o Deus de Jesus Cristo é bom e poderoso, mas não é curandeiro nem mágico. Se fosse, teria livrado seu Filho Jesus da cruz impedindo sua morte e teria acabado com a covid 19 num estalar de dedos, sem deixar todo esse sofrimento se alastrar.
Não foi fácil dar o braço a torcer, mas era preciso admitir que nem toda reza do mundo poderia sarar seu corpo doente. D. Esperança se cuidou, viveu ainda alguns meses sem dor, graças ao tratamento, e, ao final, morreu em paz abraçada com o crucifixo. Nos últimos momentos de sua vida, falando já baixinho de tanta fraqueza, disse: “Deus é bom e espero alívio em seu amor. Às vezes, a morte pode ser boa companheira e isso não diminui o amor de Deus”. Sentindo-se segura no colo de Deus, Dona Esperança morreu como um passarinho que dá o último suspiro no aconchego do ninho.

Cantar a música n. 7, Cuida de nós, Senhor.

Oração
Dirigente: Irmãs e irmãs, confiemos no Deus de Jesus Cristo, que não é mágico nem curandeiro, mas companheiro de caminhada.
Grupo: Deus não é mágico nem curandeiro, mas companheiro de todas as horas e força nas tribulações.
Dirigente: Com a ajuda de um poema de Solange do Carmo, intitulado Estribilho de esperança, elevemos nossa prece de confiança.
Grupo:
Para um ano cheio de perdas,
De tantos lutos e intensa matança, Rezo uma reza silenciosa,
Um estribilho de esperança.
Ressoa firme em meu peito:
“Os maus para sempre não durarão.
Olha as sementes de esperança no campo, Já começam a brotar do chão”.
Salva-nos, ó Deus Menino,
Te peço e suplico com confiança. Aceita esta minha oração,
Este estribilho de esperança.

Compromisso cristão
Para superar a fé que recebemos e que compreendia o Deus de Jesus como um mágico, sempre preparado para resolver nossos problemas com um estralo de dedos, é fundamental praticar a leitura atenta das Sagradas Escrituras e, especialmente, compreender que a graça de Deus alcança o mundo também quando somos capazes de agir com solidariedade, justiça, amorosidade, diálogo, acolhida, perdão e paz, tanto para conosco quanto para os outros. Que tal descruzar os braços e nos organizar para fazer o bem aos necessitados em vez de esperar um milagre de Deus?

Que tal cantar para despedir? Sugerimos a música n. 10, Venceremos.

Motivar para o próximo encontro e despedir-se alegremente do grupo.



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