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49. Evangelização e cibercultura: Desafios, limites e possibilidades

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17.04.2023 | 18 minutos de leitura
FFirme
Acadêmicos
49. Evangelização e cibercultura: Desafios, limites e possibilidades
Igor Neves Passos1 
Solange Maria do Carmo2 

1. INTRODUÇÃO
Não é novidade que a internet, desde o final do século passado, revolucionou e revoluciona o mundo e, consequentemente, a vida humana. É possível falar hoje de um novo paradigma, que de algum modo supera os anteriores: o Midiático ou ainda o da Tecnologia da Informação. Esse paradigma molda e enquadra o pensar social, ético e reflexivo provocando uma modificação estrutural no modo de viver, analisar e sentir a vida, pois as telas transformam as formas de relacionamento, trabalho, estudo e até a relação com o sagrado. 
O despontar da pandemia da Covid-19 no início de 2020 fez com que muitas atividades comerciais, econômicas, sociais e eclesiásticas fossem interrompidas de forma não planejada. Evitando o contato físico, a integridade das pessoas seria garantida uma vez que o vírus se propaga por contágio. Neste contexto surpreendente, todas as instâncias sociais precisaram encontrar mecanismos de adequação para amenizar os prejuízos ocasionados pelo distanciamento social. É neste cenário que a internet ganhou de vez o centro da atenção humana como o mais viável meio de contato e comunicação em tempos de crise sanitária. A Igreja não deixou de acompanhar essa corrida e se viu imersa nas ondas virtuais de uma maneira nunca experimentada até então. O assunto da presença da Igreja nas mídias não é novo. A imersão eclesial, menos ainda. Porém, parece que os nós da rede se mostraram complexos demais para o nós comunitário. 
A Evangelii Gaudium, do papa Francisco, aborda os desafios do tempo presente para a evangelização e aponta diretrizes a serem adotadas, bem como as tentações que precisam ser eliminadas ou superadas a fim de que a evangelização não se torne uma atividade profissional vazia de sentido. O sumo pontífice demonstra uma profunda preocupação com o esvaziamento de sentido da pregação. Deseja que o anúncio se faça levando em consideração todos os aspectos do mundo, tal como ele se apresenta: um mundo real e não um mundo idealizado. Essa preocupação já se encontra em escritos do seu predecessor Bento XVI, o primeiro papa a ter uma conta em uma rede social. 
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023, na linha de Aparecida, afirmam que a Igreja contempla a realidade como discípula missionária. Ela entende que está diante de uma realidade complexa e que esta deve ser analisada e interpretada a partir de vários primas distintos. Situados na mudança de época que postulava o Documento de Aparecida (DAp. 44), “somos chamados a reconhecer que se trata de um processo em andamento. Se, por um lado, algumas características parecem se firmar, por outro, a realidade se transforma cada vez mais rapidamente, deixando em aberto os rumos do futuro” (DGAE 44)3. As Diretrizes afirmam ainda que, para ser missionária como pretende, a comunidade eclesial precisa se inserir de forma ativa e coerente nos novos areópagos apontados por Bento XVI, isto é, na Internet e nas Redes Sociais Digitais (DGAE 118). 
Nesse sentido, esta pesquisa tem por foco as interseções entre a transmissão da fé e as mídias sociais. Procurará responder a questões sobre a possibilidade da transmissão da fé cristã nos meios midiáticos sem que haja uma contradição com a natureza eclesial da fé. A fé cristã e seu caráter missionário é compatível com o espaço virtual e o novo estilo de relação social desenhado a partir desse meio? É possível compreender as redes sociais como legítimos espaços eclesiais? Seriam as redes sociais os modernos e atuais telhados referidos por Jesus em Mt 10,27 sobre os quais o anúncio precisa se efetivar? É sobre essas questões que este trabalho vai se debruçar.

2 A EVANGELIZAÇÃO
“Eu prego, gente, eu prego/[...] O que digo, desdigo./Mas a Palavra de Deus é a verdade” (PRADO, 2016, p. 72). Com essas palavras, Adélia Prado escrevia sua Canção de Amor4. Uma elegia na qual a autora se permite, por meio da personagem, chorar, a exemplo de Jesus. O eu-lírico, ao derramar sua dor em lágrimas, manifesta toda a sua fé na Palavra de Jesus e faz do seu pranto uma ação concretamente evangelizadora. O verso construído pelo verbo pregar, referido aos botões da camisa que se prepara para o velório, poderia ser lido, junto aos versos finais do poema, como o ato da pregação evangélica, cujo conteúdo é a Palavra de Deus e cujo mandatário e modelo da pregação é Jesus. A mesma voz que grita “Eu prego” referindo-se, num primeiro nível, ao ato de costurar o botão à roupa, termina por fazer uma pregação, nos versos finais do poema, testemunhando a grandeza e a força da Palavra. Adélia Prado resume o ato de evangelização como uma canção do amor de Deus à humanidade.
A evangelização sempre foi a missão primeira da Igreja, que, desde seu início, entendeu-se como arauto do evangelho que ela própria recebeu. Para anunciar a boa-nova da Palavra Encarnada (Jo 1,14), a Igreja esmera-se para compreender os tempos e os espaços nos quais se encontra. O Deus que entra na história interpela seus arautos a pregarem sua palavra com os pés fincados na realidade. João XXIII entendeu bem essa necessidade de ajustar o evangelho às necessidades do tempo presente. Ao convocar o Vaticano II, não convidou a Igreja a mais uma sequência de condenações a hereges e disputas com errantes da fé, como era muito próprio dos Concílios anteriores, especialmente o Concílio de Trento. Desejou antes de tudo um aggiornamento (ROUTHIER, 2015).
A preocupação do papa e dos padres conciliares no decorrer dos trabalhos é a de uma renovação eclesial, um hodiernamento da Igreja. Mais que uma atualização, trata-se de um impregnar-se da realidade presente, de uma permissão para que a luz da cultura moderna, da ciência e da técnica ilumine a realidade da Igreja. Entende-se que não há duas sociedades, uma perfeita e outra imperfeita, mas uma formatação eclesial que integra o mundo e uma cultura.
O esforço de aggiornamento desponta em todos os documentos do Concílio. Na Gaudium et Spes (n. 1), por exemplo, as alegrias, tristezas e esperanças do ser humano moderno se tornam as alegrias, tristezas e esperanças da Igreja. A Igreja dá um grande passo em sua autocompreensão e, consequentemente, no modo como conduz a sua ação evangelizadora. Na Lumen Gentium, nota-se uma nova compreensão da missão evangelizadora: “A Igreja trabalha de maneira tal que tudo o que de bom se encontra semeado no coração e na mente dos homens ou nos próprios ritos e culturas dos povos, não só não desapareça, mas seja sanado, elevado e aperfeiçoado para a glória de Deus” (n. 17). O decreto conciliar Ad Gentes, que trata da missão, segue na mesma linha. Porém, o documento que tratará do tema específico da evangelização será posterior ao Vaticano II, a Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, cuja preocupação é sanar a ruptura entre evangelho e cultura (HACKMANN; CAMARGO, 2016) a partir da seguinte problemática: como dar conta das mudanças rápidas acontecidas no âmbito cultural e conjugá-las à imperiosa missão da Igreja de anunciar Jesus Cristo e o seu Reino?

3 CIBERCULTURA: HORIZONTE DE SENTIDOS 
A evangelização não se faz abstratamente mas é sempre uma proposição relativa, contextual e inculturada. Para tanto, é preciso saber em qual cultura se vai anunciar. Daí, cabe um olhar à cibercultura. 
Atualmente, o universo da Tecnologia da Informação se mostra como um dos principais desafios impostos à Igreja na tarefa evangelizadora. Como transformar uma mensagem universal como a do evangelho em um bit, traduzi-lo em um código binário, ou ainda, convertê-lo em um meme? Conhecer as possibilidades e os limites da evangelização nas mídias digitais e por meio delas se mostra vital para a transmissão da fé hoje. Para tanto, é preciso antes perguntar: Quais as características da cibercultura? Quais as interferências dela na sociedade como um todo e no sujeito humano? Qual é o sujeito para o qual o evangelho se destina hoje, dentro dessa perspectiva cibercultural?  

3.1 O Paradigma da Informação e a Sociedade em Redes
A Revolução Tecnológica da Informação, segundo Castells (2017), a partir das últimas décadas do século XX, inicia uma era de mudanças. As definições e os parâmetros do que é conhecido são (re)atualizados instantaneamente, no mesmo ritmo da comunicação midiatizada. Trata-se de um novo paradigma comunicacional, que favorece o desenvolvimento de processos que rompem com a fixidez e a participação passiva de sujeitos e estabelece o funcionamento social e comunicacional em redes. 
Na acepção de Castells (2017, p. 554), “redes são estruturas abertas”, ilimitadas, capazes de expansão e assimilação de novos nós desde que a estrutura da rede e sua linguagem sejam absorvidas, ou seja, desde que os mesmos códigos linguísticos sejam compartilhados pelos diferentes actantes5, isto é, que haja identificação. 
A democratização da informação pelas redes gera uma nova categoria de usuário-consumidor-emissor, livre para escolher seu conteúdo ou produzi-lo (RODELLA, 2005). A interatividade proporcionada pelas NTIC6 faz com que os sujeitos sejam cooperativistas em decisões micro e macro-territoriais. Eles recriam o espaço público e fazem surgir daí um cidadão global que desconhece fronteiras, num processo de interatividade que, junto à virtualidade e à globalização, provoca mudanças econômicas, sociais, culturais e antropológicas na sociedade contemporânea. 

3.2 Cibercultura 
Nas NTIC, as redes sociais virtuais são a infraestrutura do ciberespaço que é o “espaço de comunicação aberta pela interconexão mundial dos computadores” (LÉVY, 2010, p. 95, grifo do autor). Segundo Lévy, ciberespaço é um universo de informações no qual os seres humanos navegam, um ambiente aberto no qual o imperativo supremo é a reciprocidade informacional e a interatividade digital.
A princípio, no ciberespaço, todas as pessoas têm a mesma autonomia, o mesmo potencial de fala e poder comunicativo. Assim, a Igreja, enquanto instituição, perde o espaço – facilmente observado em sociedades e culturas anteriores – de porta-voz da verdade. A fluidez dos processos e o volume de informações dos ambientes digitais dificulta o reconhecimento de universais e de ideias absolutas. Nesses espaços, “a autoridade não é concedida, mas deve ser conquistada, merecida. Ela não nega o valor do cristianismo, mas ele já não é ‘o’ sistema de valores morais e religiosos, é apenas mais ‘um’ sistema entre tantos, disputando espaço e credibilidade com os demais” (ZANON, 2019, p. 67). 
Com o processo de secularização da sociedade, a Igreja se encontra cada vez mais desvestida de sacralidade e de suas prerrogativas. Ao se estabelecer institucionalmente na mídia, busca uma retomada do seu lugar de proximidade e do seu poder sobre as pessoas, contudo nota-se um efeito rebote na cibercultura. A causa e o efeito se misturam, e a cibercultura absorve a religião podendo modificar sua identidade. 
A participação do papa no Twitter7, por exemplo, implica na perda de um monopólio semântico, ou ainda, de uma supremacia eclesial enquanto propositora de verdades e sentidos/significados absolutos (SBARDELLOTTO, 2017). Ao inserir-se na mídia, novos protocolos externos aos da Igreja devem ser obedecidos: protocolos empresariais, industriais, comunicacionais, sociais, midiáticos e mercadológicos, obrigando a Igreja abrir mão do seu poder unitário de construção de sentidos. 
Por outro lado, devido à porosidade fronteiriça entre os símbolos católicos, rituais, experiências e a sua publicização, a exposição da fé na mídia faz com que novos sentidos e significados sejam atribuídos a ela pois estes escapam do domínio ubíquo da Igreja na Rede. Novas relações são construídas e novas experiências emergem surgindo assim religiões ao gosto do freguês, “crenças relativas”, “religiosidades flutuantes”, “novas elaborações sincréticas” (HERVIEU-LÈGER, 2008 apud SBARDELOTTO, 2017, p. 104).

4 CIBEREVANGELIZAÇÃO, CIBERRELIGIÃO E CIBERTEOLOGIA
Em 1969, Gilberto Gil lançava seu terceiro disco de estúdio cujo subtítulo era Cérebro eletrônico. Com canções psicodélicas e tropicalistas, o artista mesclava com ironia e crítica as ideias expostas por McLuhan, em O Meio é a Mensagem, publicado dois anos antes, colocando em xeque as expectativas acerca da tecnologia que ganhava traços nunca vistos. A canção Futuríve8 é uma espécie de chave que abre os sentidos para a simbologia e o experimento semântico do disco. Nela o compositor mostra que a tecnologia avança a ponto de assumir o controle do ser humano, ou pelo menos substitui-lo. Tudo se transformará, o corpo, o espaço, o sistema e haverá uma nova coesão, segundo a canção. 
Na canção Cérebro Eletrônico9, Gil ironiza essa onipotência tecnológica. O ciborgue criado pela mistura entre carne e técnica não é tão feliz como prometido pois falta-lhe a capacidade de sentir, o calor do contato, a adrenalina da dúvida e da expetativa, o frisson da imprevisibilidade e o conflito da angústia.  O cérebro eletrônico sabe tudo, governa, comanda, mas não é capaz de superar o ser humano: “só eu posso pensar se Deus existe, só eu posso chorar quando estou triste, e, cá com meus botões de carne e osso, eu penso e posso”, afirma o cantor (1969). 
A reflexão de Gil dá o tom do nó teológico que a Igreja enfrenta no que diz respeito à sua presença no ciberespaço. Pergunta-se: É possível transmitir a fé cristã no ciberespaço sem que isso comprometa sua natureza eminentemente eclesial? O ciberespaço e as redes sociais digitais são autênticos espaços eclesiais? Quais as implicações da virtualização ou midiatização da fé para a própria fé cristã e para a Igreja? Seriam as redes sociais os modernos e atuais telhados referidos em Mt 10,7 sobre os quais o anúncio da boa-nova precisa se efetivar? São perguntas de difícil resposta, mas que exigem pelo menos ensaios.

4.1 Religion Online e Online Religion: ser Igreja na Rede
Há dois modos de a religião estar na Rede: religião na internet (religion online) ou religião pela/da internet (online religion). Aquela é o convite para que o fiel participe dessa (SBARDELOTTO, 2012). Na religion online, as religiões se inserem na internet sem grandes comprometimentos, utilizam-na como um instrumento de divulgação, propaganda, informação e contato com o público. Na online religion há uma apropriação mais profunda dos meios e sistemas nas práticas religiosas. 
A Igreja católica oficialmente incentiva e louva a inserção eclesiológica na internet. Desde o documento Inter Mirifica do Concílio Vaticano II até a criação do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais da Santa Sé, tem-se percebido uma abertura da Igreja e consequente aceitação das novas tecnologias e da Rede como um autêntico lugar para a propagação da boa-nova do Reino e como um autêntico locus teológico (SILVA, 2015a).
Na mensagem para o 45º dia mundial das comunicações sociais, Bento XVI reconhece que a internet tem modificado o modo como o ser humano interage interpessoal, cultural e espiritualmente. Nasce um novo modo de aprender e de pensar a realidade e até uma nova concepção de sagrado, a partir da internet (SBARDELOTTO, 2020). As NTIC modificam o modo de pensar e, por conseguinte, as características humanas (SILVA, 2013). Se do universo midiático surgem novas categorias e compreensões antropológicas, logo há uma alteração expressiva no modo como se vê, compreende e pratica-se a fé, pois essa é produto e parte do horizonte humano.
Acontece, porém, que alguns traços da vida na mídia não podem ser simplesmente introjetados como algo natural e livre de crítica, como, por exemplo, a tendência individualista e para o consumo10 . Faz-se necessário ter uma postura que priorize a solidariedade e o verdadeiro encontro interpessoal, superando o movimento cada vez mais forte de afirmação identitária em detrimento do coletivo e social. Há um modo coerente e autenticamente cristão de estar na Rede, que se dá por meio de uma comunicação honesta, aberta e respeitosa. 
Sabe-se bem que a internet não é um instrumento neutro apropriado para a comunicação religiosa. Nem a Rede nem os equipamentos utilizados para acessá-la podem ser considerados neutros, nessa perspectiva, pois a “rede não é um instrumento, mas um ‘ambiente’ no qual vivemos” (SPADARO, 2012, p. 7). As NTIC não mudam só o modo de se comunicar enquanto meio, mas mudam a comunicação em si, mudam o modo de enxergar o mundo e de se pôr nele. Se o que se descortina é um novo paradigma e com ele uma nova cultura, uma nova economia, uma nova configuração de mundo, logo é preciso que haja uma nova Igreja capaz de transmitir antigas verdades numa nova linguagem para um ser humano novo (ZANON, 2019). Nessa perspectiva, a Igreja é chamada a integrar a boa-nova do Reino na cibercultura. A atenção dos agentes de pastoral e teólogos atualmente não deve concentrar-se no se a internet pode ajudar a propagar a fé, mas no como fazê-lo através e, principalmente, após a internet. 
Os esforços pastorais de inculturação cibercultural devem centrar-se na criação (adaptação) de uma nova linguagem e de uma nova abordagem ao sujeito do novo paradigma. “A Igreja caminha com a história. Nesse sentido, a comunicação na evangelização não é mera reprodução de ideias do passado, mas atualização, aggiornamento. Trata-se de trazer o antigo, mas para interpretar o novo, sem ficar em tradições antigas que não fazem mais sentido (NENTWIG, 2021, p. 53). O grande desafio é compreender como se vive cristãmente em tempos de rede, na rede e a partir dela. “A rede não é um novo ‘meio’ de evangelização, mas antes de tudo um contexto no qual a fé é chamada a se exprimir não por uma mera vontade de presença, mas por uma conaturalidade do cristianismo com a vida dos homens” (SPADARO, 2012, p. 25). 
A vivência do ethos cristão deve ser um diferencial no ciberespaço (ZANON, 2019). O cristão não pode ficar alheio às tecnologias, mas não pode usá-las de modo indiscriminado, antes precisa evidenciar a ética que rege suas opções de vida. Esse ethos ou modus essendi precisa ser confrontado com as novas questões midiáticas. Assim, não se trata de uma simples aplicação de um hábito já existente, mas da capacidade de deixar nascer um modo de estar/ser na mídia que seja radicalmente coerente com a opção fundamental do cristão e o código ético que emana do evangelho. O problema de se compreender a internet e as redes sociais apenas como uma ferramenta ou um plus aos já conhecidos métodos de evangelização é que se ignora o fato de que essa passagem da religion online para a online religion é a entrada da religião em um novo ambiente que “articula posturas, sentimentos e disposições entre fiéis, as religiões e suas divindade” (BELLOTTI, 2012). 
Um dos riscos que a Igreja corre ao defrontar-se com o mundo comunicacional é pensar que seu desafio é apenas dominar as tecnologias e operar dispositivos, como afirma Nentwig (2021, p. 61) 
O desafio é mais amplo: é preciso reconhecer que existe um novo contexto formado pela soma da tecnologia às ações comunicacionais. Na soma de tecnologia e relações temos uma nova forma de existir no mundo, eis o universo ou mundo comunicacional: um mundo sempre afetado por tais novidades. Portanto, não importa apenas a posse de um smartphone, por exemplo, mas a conexão e o que pode ser feito com esse dispositivo por cada um de nós. Quando falamos de mídia, estamos falando dessa rede de relações dentro de um contexto sociocultural. O que temos diante de nós, portanto, é um mundo de pessoas em conexão-relação através de ações midiatizadas.
Para uma prática coevolutiva é preciso pensar a comunicação a partir da execução de processos (SBARDELOTTO, 2012). A relação entre Igreja e sociedade, Igreja e comunicação, é atravessada pela mídia e essa transversalidade consiste em um processo a ser desenvolvido e não em um ato isolado e dado. O processo é bem ao modo rede, ou seja, é perpassado e constituídos por muitos nós. Evangelizar, nesse sentido, torna-se uma prática de constante atualização e vinculação com o outro que está em constante mudança, exigindo superação e criatividade.

4.2 Dilemas da prática evangelizadora no mundo da Rede 
“A internet traz consigo novas formas de lidar com o mundo – e, consequentemente, com o sagrado –, a religião e a religiosidade como tradicionalmente as conhecemos também passam a mudar” (HABOWSKI, CONTE, 2018, p. 706). Tais alterações afetam o fazer teológico e pastoral e também o próprio ato de crer. Daí a importância de um cuidado especial com a inserção da Igreja na internet, de forma que não ocorram deturpações na mensagem primordial que ela anuncia. O ambiente digital pode exigir concessões ao gosto da indústria cultural e do padrão identitário da internet, comprometendo a boa-nova do evangelho. 

4.2.1 A experiência da Religion Online: comunidade e eclesialidade 
A fé cristã possui uma característica fortemente eclesial de inserção na comunidade e de incorporação a um povo, que é a Igreja (Rm 12,4-5; 1Cor 1,10). A Lumen Gentium aponta para essa eclesialidade: “aprouve contudo a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que O conhecesse na verdade santamente (LG 9). Pergunta-se: o ciberespaço permite a afirmação dessa eclesialidade ou nega o caráter comunional da fé cristã?
Certamente, a comunhão enquanto tomar parte na mesa eucarística não é possível de modo online. Mas se entendida no seu sentido amplo, como partilha, ligação, participação ativa (Zanon, 2019), a comunhão pode ser uma das características da internet. A principal dimensão sagrada do ciberespaço é sua “essência comunional” (SILVA, 2015, p. 32). É justamente na sua capacidade de conectar e comunicar que a internet serve ao sagrado como uma mediação para experiências espirituais e vivências religiosas. Assim, a “sociedade em rede oferece um ótimo ambiente comunitário para a vivência da fé, pois a ‘comunidade é o lugar de expansão da afetividade e de crescimento’” (ZANON, 2019, p. 43). 
Sbardelotto (2020, p. 176), ao modo da experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBS), fala de Comunidades Eclesiais Digitais (CEDs). Para ele,
As novas comunidades já não se estruturam por uma localização geográfica, em que seus membros são definidos pela sua coexistência em um mesmo determinado espaço físico, mas sim por uma ambiência fluida em que só faz parte dessa comunidade quem a ela tem acesso. E são comunidades instauradas comunicacionalmente: ou, vice-versa, é a interação comunicacional que cria novas comunidades ao tornar comum entre os fiéis o que social, política, existencial e religiosamente não pode nem deve, a seu ver, ficar isolado (SBARDELOTTO, 2012, p. 30-31).
Alguns estudiosos são menos otimistas. Para Miklos (2012), a interface entre religiosidade e internet provoca uma perda considerável na função primária da religião, comprometendo a experiência do religare pois não há corporeidade, espacialidade e temporalidade. A religação proposta pela palavra religare (re: novamente – ligare: ligar, conectar) não é apenas entre os seres humanos e seus deuses, mas entre os próprios humanos e se processa sempre numa situação histórica e corporal. E, para Miklos, a desmaterialização dos sujeitos é a condição sine que non para o acesso ao ciberespaço. 
Entretanto, o ciberespaço coloca a comunicação e a comunhão em outro patamar de fluidez uma vez que não está limitado ao tempo e ao espaço. Se por um lado, na análise de Miklos (2012) há um prejuízo na mídia pela ausência da espacialidade e da temporalidade, por outro lado, essa ausência pode contribuir para o estabelecimento mais facilitado de laços fracos e fortes. No espaço digital as pessoas podem agir com mais liberdade e interatividade e, inclusive, vencer barreiras sociais que offline não seriam possíveis, por timidez ou falta de espaço, por exemplo. Spadaro (2012) lembra que a rede é um lugar quente, de encontro que não se limita exclusivamente ao virtual; muitos desses encontros tendem a acontecer fisicamente, inclusive. E, segundo Zanon (2019), a internet não ofereceu grandes mudanças negativas na sociabilidade natural dos humanos, ao contrário, potencializou, pelas ferramentas e redes sociais digitais, tendências já existentes e típicas de cada indivíduo. 
Assim, as NTIC, como parte das novas mentalidades e culturas, são aceitas e incorporadas como elementos que podem contribuir para a vivência cristã sem jamais implicar em algum abandono radical dos traços primordiais da fé como a comunidade física. A comunhão entre sujeitos nas comunidades virtuais e redes sociais digitais, embora seja boa e eficaz para o vivenciar do cristianismo, é de uma natureza diversa da comunhão física, da partilha dos bens materiais e da participação na mesa eucarística. Entretanto, isso não a faz ruim ou imprópria.  São modos distintos de comunhão; não há uma exclusão de uma em detrimento da outra, mas uma cooperação e justaposição entre ambas as modalidades de encontro e de vivência. As interferências mútuas entre Rede e religião fazem surgir um novo bios ou um novo ethos partilhado entre integrantes que formam uma nova espécie de ekklesia religiosa (SBARDELOTTO, 2017).
A temática é evidentemente complexa. As comunidades virtuais permitem aos cristãos experimentar novas formas de contato, de relações; é um espaço de participação e relação, sem, no entanto, a pretensão de substituir ou sobrepor-se ao encontro e às redes sociais não digitais. Não é a internet em si mesma que contribui para o fechamento e o isolamento, mas ela é capaz de maximizar tendências já presentes em seus usuários e isso vale tanto para a autoafirmação da individualidade quanto para a afirmação e viabilização da experiência da coletividade. 
A noção de comunidade pode ser entendida, na internet, como rede de relações comunicacionais. O “onde” de Mateus 18,20 pode indicar no ciberespaço ou fora dele, o importante é estar em união comunitária em nome de Jesus, na busca autêntica de uma vivência cristã e eclesial em torno de um bios cristão e de um ethos coeso e coerente com o evangelho (SBARDELOTTO, 2020). Se se desvirtua o encontro dessa última perspectiva, a rede se torna, como acusou o papa Francisco, um aglomerado de pessoas em torno de interesses comuns e é a essa tendência que todos os cristãos e, principalmente, agentes de pastoral da comunicação precisam estar atentos.

4.2.2 Rede, Mercado e Fé: marketing religioso
Ao assumir para si os meios e processos na digitalização da fé, a religião tende a importar também para seu bojo o raciocínio e os interesses que estão por trás da sociedade em rede, isto é, dos publicitários e das políticas de marketing. “Ora, é a cultura de consumo a que alicerça a cultura midiática, [...] e é esta última a que produz a internet. Assim, como evangelizar por meio do ciberespaço sem se deixar “afetar”, ao mesmo tempo, pela cultura que o gera?” (CARRANZA, 2011, p. 239). 
Miklos (2012) é pessimista. Para ele, a teleparticipação favorecida pelas NTIC está muito mais sobreposta pelos fundamentos dos meios nos quais se insere e dos equipamentos que lhe servem do que propriamente pela religião, o que provoca a transformação da religião em uma espécie de mercadoria e seus fiéis em consumidores. Essa mercantilização da fé, e junto com ela o marketing religioso, opera um esvaziamento profundo da religião em sua proposta primária que é o religare dos seres humanos entre si e com Deus. 
O fenômeno do terço e das velas virtuais modifica os ritos tradicionais, pois nesses casos o corpo não está mais presente. Em nome de interesses políticos e mercadológicos ocorre o sacrifício do corpo. A concretude da experiência humana é deixada no passado para emergir no presente uma sociedade escravizada pelos signos da sua visibilidade. Vive-se em um mundo onde tudo o que compõe deixa de ser valorizado pelo seu sentido real para ser vangloriado pelo seu valor no mercado. Enquanto construção semiótica, o valor simbólico da informação mercadoria segue a lógica hierárquica, que é ditada pelo discurso midiático (MIKLOS, 2012, p. 126).
A partir disso surge a “religião a la carte” na qual são as preferências individuais que determinam o ser e o estar da religião ou da crença que ela representa. Há o desaparecimento, na percepção de Miklos, das verdades da fé por conta de uma emergência da subjetividade. A experiência religiosa, nesse sentido, se torna privativa. Segundo características e necessidades de cada consumidor/fiel são disponibilizados curas, realizações bem sucedidas na afetividade, sucesso financeiro, alívios emocionais. Cria-se, assim, uma ilusão de que o sagrado pode estar ao alcance da tela. Spadaro também adverte: “Qualquer um pode extrair da rede não segundo necessidades espirituais, mas segundo necessidade a serem satisfeitas. Somos, pois, iludidos de que o sagrado esteja ‘à disposição’ de um ‘consumidor’ no momento de necessidade” (2012, p. 48).
A análise de Xavier (2011) também não é otimista. Para ele, na cultura da virtualidade real, as instituições solenes e primordiais da vida humana, como sexo, família e Deus são banalizadas por uma hiperexposição. Fala-se de Deus como um bem de consumo ou uma celebridade do momento; “presenciamos uma nova religiosidade, que combina imagem eletrônica, entretenimento e consumo. É o mercado sagrado. É a religiosidade que proporciona o estado de êxtase e que anuncia o êxito financeiro e efetivo” (XAVIER, 2011, p. 116). 
Nesse movimento publicitário e mercadológico, o cristão não pode ser entendido como um consumidor de produtos e de serviços religiosos. O cristianismo, como porta-voz da mensagem salvífica, resiste a assimilações deturpadoras. A presença cristã na rede deve superar tais comportamentos e lógicas e servir de alavanca para o evangelho e o Reino. Nas palavras de Spadaro, essa mistura entre evangelho e Rede é um jogo entre exposição pública e preservação da intimidade e a consideração de que existem realidades que não se adequam à “googlelização” e a fé é uma delas. Está posto o desafio!

4.2.3 Sacramentalidade e Liturgia
E a liturgia, como compreendê-la nesse universo midiático? De modo estrito, não é possível que hajam ações litúrgicas na internet, se a liturgia é entendida como a ação celebrativa e comunitária, sensorial e participativa que envolve todo o sujeito numa trama simbólica e cinestésica operando o trânsito entre sagrado e profano. Uma experiência dessa natureza envolve todos os sentidos do humano, não somente a visão e a audição possíveis pela midiatização. Não há e não pode haver uma cisão entre factual e virtual; estes espaços são extensivos um ao outro e não sobrepostos em substituição. 
Sacramentos são realidades sensíveis. Eles são virtuais enquanto compartilham com a virtualidade a sua força de mediação simbólica, no caso em questão, entre Deus e os crentes. Sacramentos virtuais ou cibernéticos não são realidades possíveis pois a mídia pretere a corporalidade, a espacialidade e a temporalidade, e tais elementos são condição sine qua non à sua recepção. Uma celebração não é um ato que se reduz a psicologismos. A dimensão física e sensória faz parte da experiência completa da sua recepção. Nesse sentido, não há sacramento sem corpo, sem fisicidade. A força sacramental de mudança no sujeito não é uma percepção psicológica. Tal compreensão seria reducionista. “A liturgia ‘trabalha’ sempre no corpo, organizando as esferas das emoções, da sensibilidade, da ação, de modo que tais esferas sejam a presença do sacro, do mistério de Cristo” (SPADARO, 2012, p. 133). 
Um sacramento tem uma força ontológica de mudança estrutural no sujeito que o recebe, ele faz o que diz, é sinal eficaz. Por exemplo, o batismo que incorpora o sujeito à eclesia, redime e justifica-o. Não é só um sentimento, senão um fato. O mesmo pode ser dito da eucaristia. Ela implica não só o sentimento de comunhão, mas a comunhão real entre divino e humano, espiritual e físico. 
Assim, pergunta-se: é possível uma comunhão e uma religião na internet? Sim, todavia, não. A religião não é apenas uma experiência sentimental, emocional e psicológica. Encontros digitais podem contribuir para a vivência autêntica da fé, porém não dão conta de compreender a complexidade da fé cristã, nem no seu aspecto doutrinal-sacramental nem no seu aspecto evangélico-comunitário. A comunhão favorecida pela Rede pode para a vivência religiosa e seu aprofundamento, mas esse é só um dos passos na longa estrada da fé. 
Todo cuidado é pouco para que a midiatização das liturgias não desemboque na espetacularização da fé. Tal espetacularização pode transformar a graça de Deus em um bem de consumo ao alcance do mouse, da tela. Há um risco de que tais atitudes façam das experiências litúrgico-sacramentais alguma espécie de mágica que deturpa a ideia da graça de Deus e o sentido primeiro de mediação eclesial, sacerdotal e comunitária. O evento que ocorre na rede tende sempre à espetacularização, ao controle do consumidor. Mas é bom insistir que “o evento litúrgico nunca é “tecnicamente reproduzível” porque incorpora no hic et nunc em que é celebrado de maneira irreproduzível a ação do Espírito Santo que torna presente e realiza o Mistério de Cristo” (SPADARO, 2012, p. 132). Justiça seja feita: a espetacularização da fé não é uma invenção dos meios digitais; ela precede a Rede e pode ser visibilizada em muitas Igrejas, inclusive nos cultos presenciais católicos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Há dilemas notáveis que envolvem a prática evangelizadora da Igreja Católica dentro do universo da Rede. O Ciberespaço é hoje um dos novos areópagos nos quais a Igreja precisa ter voz e vez. Porém, estar virtualmente conectado ao mundo ou às pessoas exige uma nova modulação de voz, um novo modo de ser e estar. O mundo da virtualidade real constrói novas cosmovisões, novos sujeitos, novas configurações sociais. Se a Igreja não estiver atenta a todas essas mudanças, corre o risco de perder-se no emaranhado de conexões da rede e não conseguir se encontrar diante das variadas possibilidades. É urgente uma adaptação eclesial ao novo mundo e ao novo sujeito, consequentemente, aos novos mecanismos de conexão. Trata-se de um agir que leve em conta uma inculturação real que avance para além do discurso e alcance a prática, pois a fé e a Rede não são caminhos opostos, ao contrário a eclesialidade da fé e a missionariedade própria da Igreja não distam em muito do poder agregador da Rede e do seu potencial veiculador de informações e de conteúdos. 
Ultrapassar a esfera da religion online e alcançar a online religion é um dos desafios postos à Igreja atual. Nem tudo que é possível na internet é possível à Igreja e nem tudo que a Igreja precisa está disponível na Rede. Mas esse é o desafio: possibilitar uma autêntica experiência religiosa e eclesial nas mídias sem permitir que isso anule ou descaracterize a ação pastoral ou a própria fé cristã. O ciberespaço é não só um lugar que precisa ser evangelizado; é um espaço cujos areópagos possuem ferramentas e disposição muito propícias ao anúncio. O ambiente plural e diversificado da Rede pode e deve ser palco de uma legítima ação pastoral sem que tal prática se transforme em uma propaganda vazia ou uma rendição da Igreja aos limites mercadológicos impostos na cibercultura. 

REFERÊNCIAS
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ZANON, Darlei. Igreja e sociedade em rede: impactos para uma cibereclesiologia. São Paulo: Paulus, 2019. Ebook. 



NOTAS:
1Graduado em Teologia pela PUC Minas - Belo Horizonte – MG
2 Mestre e doutora em teologia pela Faculdade dos Jesuítas – Belo Horizonte – MG.
3 CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: 2019-2023. Brasília: Edições CNBB, 2019. Ebook. 
4 Canção de amor – Veio o câncer no fígado, veio o homem/pulando da cama no chão e andando/de gatinhas, gritando: ‘me deixa, gente,/me deixa’, tanta era sua dor sem remédio./ Veio a morte e nesta hora H, a camisa sem botão./Eu supliquei: eu prego, gente, eu prego,/mas, espera, deixa eu chorar primeiro./Ah, disseram Marta e Maria, se estivésseis aqui,/nosso irmão não teria morrido. Espera, disse Jesus,/deixa eu chorar primeiro./Então se pode chorar?/Eu posso então?/Se me perguntassem agora da alegria da vida,/eu só tinha a lembrança de uma flor miudinha./Pode não ser só isso, hoje estou muito triste,/o que digo, desdigo. Mas a Palavra de Deus/é a verdade. Por isso esta canção tem o nome que tem.
5 A terminologia actante foi preferida à ator(es) devido à sua amplitude semântica, de acordo a Teoria de Latour. O termo ator, dentro da TAR (Teoria-Ator-Rede), refere-se exclusivamente a sujeitos, isto é, às forças atuantes no meio social oriundas do ser humano, enquanto actante se estende a toda e qualquer espécie de força humana, cibernética, tecnológica ou outra desde que essa seja fonte de uma ação social relevante (SANTAELLA; LEMOS, 2010). “Na TAR, actante é tudo aquilo que gera uma ação, que produz movimento e diferença, seja ele humano ou não-humano” (PRAUDE, 2015, p. 19).
6 Novas Tecnologias da Informação e Comunicação.
7 Não só a dele como autoridade máxima da Igreja, mas também a inserção de presbíteros e bispos, religiosas e religiosos em plataformas sociais digitais.
8 Você foi chamado, vai ser transmutado em energia/seu segundo estágio de humanóide hoje se inicia/ fique calmo, vamos começar a transmissão/meu sistema vai mudar sua dimensão/seu corpo vai se transformar/num raio, vai se transportar/no espaço, vai se recompor/muitos anos-luz além/além daqui/a nova coesão/lhe dará de novo um coração mortal/pode ser que o novo movimento lhe pareça estranho/seus olhos talvez sejam de cobre, seus braços de estanho/não se preocupe, meu sistema manterá a consciência do ser/você pensará/seu corpo será mais brilhante/a mente, mais inteligente/tudo em superdimensão/o mutante é mais feliz/feliz porque/na nova mutação/a felicidade é feita de metal (FUTURÍVE, 1969).
9 Cérebro eletrônico faz tudo/faz quase tudo/quase tudo/mas ele é mudo./O cérebro eletrônico comanda/manda e desmanda/ele é quem manda/mas ele não anda./Só eu posso pensar se Deus existe/só eu/só eu posso chorar quando estou triste/só eu/eu cá com meus botões de carne e osso/eu falo e ouço/eu penso e posso./Eu posso decidir se vivo ou morro/porque/porque sou vivo, vivo para cachorro/e sei/que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro/em meu caminho inevitável para a morte/porque sou vivo, ah, sou muito vivo/e sei/ que a morte é nosso impulso primitivo/e sei/ que cérebro nenhum me dá socorro/com seus botões de ferro e seus olhos de vidro (CÉREBRO..., 1969)
10 É importante deixar claro que o individualismo e o consumo não são traços antropológicos e sociológicos que nascem com o advento da Rede, mas encontram nela uma maximização ímpar. A internet atua, nesse sentido, como um potencializador de algo já existente ao menos enquanto possibilidade em cada sujeito. Isso se torna tão evidente na cibercultura que passa a ser uma caraterística da lógica da rede, embora não única nem absoluta.