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5. Deus não apoia meritocracia, nem discursos de privilégios

10.12.2021 | 6 minutos de leitura
FFirme
Novena de Natal
5. Deus não apoia meritocracia, nem discursos de privilégios
Solange Maria do Carmo
Tânia da Silva Mayer

Ambientação: Em local apropriado para a oração, disponha uma toalha bonita, alguns elementos do presépio, a bíblia, a coroa do advento ou uma vela, algumas ramagens ou flores, as fotos de sua família e das conquistas que tiveram...

Abertura
Dirigente: Queridos irmãos e irmãs, hoje é o nosso quinto encontro da Novena de Natal 2021. Somos convidados a nos deixar transformar pela Palavra de Jesus, assumindo uma fé consciente e experimentando a graça de Deus.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que a paz e o amor de Cristo estejam em nossas casas e em nossas famílias.
Grupo: Jesus Cristo nos reúne na gratuidade e no amor! Cantar uma música de acolhida. Sugerimos a n. 9, Seja bem-vindo. Oração Inicial
Dirigente: Deus não apoia meritocracia nem discursos de merecimentos. Deus é gratuidade generosa e se entrega a nós, mesmos sem a gente merecer.
Grupo: Não há lugar para a meritocracia entre nós, porque Deus é amor gratuito.
Dirigente: Ó Deus de bondade, Tu nos enviaste Jesus por amor, porque querias estar bem perto de nós. Tua presença é uma alegria! Ajuda-nos, por teu Espírito, a viver essa mesma alegria, reconhecendo que ela é dada a todas as pessoas, sem privilégios e discriminações.
Grupo: Ó Senhor, venha até nós, tu que és dom do Pai e pura gratuidade. Amém.
Dirigente: Rezemos na certeza que Deus está conosco.
Dirigente: Na agonia dessa vida,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: No medo que me ronda
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: No sofrimento tão doído,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: Na solidão de minha cruz,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo
Dirigente: Na fraqueza da doença,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: Na morte que se achega,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: No abandono e no vazio,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo.
Dirigente: Na fraqueza da doença,
Grupo: Deus, que é meu amigo, está sempre comigo Dirigente: Não estamos mais sós. Deus está sempre com a gente.
Grupo: E a vida segue em frente. Não estamos mais sós.

Leitura da bíblia
Para preparar os corações para a escuta, cantando a música
n. 11, Tua palavra, Senhor, ou outra do agrado do grupo. Na bíblia, uma pessoa faz a leitura do texto: Mc 7,24-30 

Conversa e Partilha da Palavra
O que o texto diz? O que Jesus aprendeu com a mulher cananeia? Qual a mensagem mais significativa desse texto? Vamos conversar.

Aprofundamento
Marcos conta um episódio interessante da vida de Jesus. Estando num jantar na casa de um homem da região de Tiro, uma mulher aborda Jesus pedindo socorro para sua filhinha que estava doente. Ela se joga a seus pés, o que significa uma atitude de discipulado, implorando-lhe a cura de sua filha.
Jesus, como todo bom judeu, entendia que a eleição de Deus estava destinada ao povo de Israel, circunscrita à sua gente. Sua resposta, a princípio indiferente e mal-educada, compara os pagãos ou gentios com os cães e os judeus com os filhos de Deus. Numa clara alusão a essa compreensão judaica, Jesus diz a ela que não se pode tirar a comida dos filhos para dar aos cachorrinhos.
A mulher, que era cananeia ou também sírio-fenícia, não se faz de rogada. Enfrenta Jesus e lhe mostra a estreiteza de sua compreensão teológica. Deus, para ser realmente merecedor desse nome, deve ser Deus de todos e agir gratuitamente, estendendo o bem inclusive a quem não se mostra merecedor de suas graças. É o caso da siro-fenícia, a mulher que dialoga com Jesus. Não sendo judia, não estava submetida à Lei, logo – segundo se pensava – não mereceria os favores de Deus.
Neste relato, Marcos está mostrando a caducidade dos conceitos teológicos de seu tempo, que colocam Deus como um mercador que faz negócios, que premia bons e pune os maus.
Trata-se da famosa Teologia da Retribuição, tão presente no Antigo Testamento e tão combatida por alguns livros da Bíblia, como o livro de Jó, do Eclesiastes e da Sabedoria, assim como pelos Evangelhos. Essa teologia ganhou nova versão na atualidade sob o nome de Teologia da Retribuição, difundida pelas igrejas do mercado, essas grandes igrejas que comercializam a graça de Deus e suas bênçãos.
Se tem algo que destoa da fé cristã é essa visão de Deus como um comerciante que aceita barganha. Pensam: Se a pessoa paga o dízimo, Deus a abençoa; se não paga, ele a pune. Se a pessoa reza direitinho e cumpre os preceitos religiosos, ele a protege; se não o faz, ele a abandona. É o estranho e injusto conceito da meritocracia que se infiltrou na religião e que destorceu a imagem do Deus de Jesus Cristo, que é amor para com todos, para a figura de um homem de negócios, que aceita suborno e se deixa convencer por favores financeiros.
No relato do Evangelho de Marcos, a mulher cananeia ajuda Jesus a superar esse limite religioso do judaísmo. Ela está certa de que Deus a ama e também ama sua filha, mesmo não sendo elas merecedoras de sua graça segundo os conceitos religiosos daquele tempo.
Ao ouvir a frase decidida da mulher, Jesus dá o braço a torcer e refaz sua compreensão teológica, afirmando que Deus já socorreu a jovem moça, pois realmente ele é o Deus de todos, que a todos dá o seu amor em gratuidade sem pedir nada em troca.
O Deus de Jesus Cristo não compactua com essas teologias medíocres, muito menos aceita usar a religião como desculpa para justificar nossos preconceitos. Ao contrário, ele nos ajuda a alargar os horizontes e a derrubar o discurso da meritocracia, pois ele nos ama incondicionalmente.
Diante da atitude corajosa, o demônio, que era atribuído como causador de toda doença desconhecida, deixou a menina. Nada como uma boa compreensão teológica do amor de Deus para vencer os demônios dos preconceitos e da exclusão.

Causo da Vida
Uma pessoa do grupo faz a leitura do causo da vida. Ao final, o grupo pode conversar sobre a narrativa e enriquecê-la com outros exemplos do cotidiano.
Amaro Furtado é homem de posses. Nasceu em berço de ouro e foi educado para ser o sucessor do pai, um grande empresário. O pai de Amaro cuidou da empresa do pai, que por sua vez abriu seu negócio com ajuda de incentivos do governo e acordos escusos com políticos. Agora, Amaro Furtado, formado em Direito e em Administração de Empresas, dá continuidade ao patrimônio da família que, ao contrário do que acontece com outros negócios, só prospera nessa pandemia. Acontece que a empresa trabalha com tecnologia e informática, que teve grande ascensão por causa do isolamento social e do sistema remoto de trabalho. Amaro não entende nada de tecnologia, nem de informática, só de investimentos, de fazer dinheiro render dinheiro. Quem faz tudo são seus funcionários. Ele manda e desmanda e fica com os lucros. Quando os funcionários pedem aumento dizendo que estão trabalhando muito, Amaro Furtado responde que, se eles não quiserem o emprego, tem muita gente na fila para ocupar o lugar deles.
Seus empregados trabalham muito mais que a legislação permite e não ganham hora extra. No prédio onde funciona a empresa, os empregados não têm nem uma cozinha digna para fazer suas refeições, não há uma sala de descanso, nada... Amaro Furtado simplesmente rouba-lhes a dignidade e impõe- lhes uma jornada de trabalho desumana. Sem que se preocupe com a contaminação pela covid-19, o patrão lhes obriga ao trabalho presencial. O sobrenome da família Furtado sinaliza a atividade principal da empresa: furtar o direito alheio, sonegar impostos, roubar os pobres, tudo sob as dobras da lei.
Na turma de faculdade onde Amaro estudou, também estudava um funcionário da empresa, de nome Benvindo, muito inteligente e esforçado, que entrara na Universidade por meio do sistema de cotas. Amaro achava um absurdo uma pessoa dessas estudar na mesma faculdade que ele, pois o moço era pobre, preto e favelado. Quando concluíram o curso, Benvindo ganhou medalha de destaque acadêmico por seu desempenho. Amaro se roeu de ciúmes e pensou “Quando eu administrar a empresa de meu pai, você vai ver o seu lugar, ‘negrinho’ metido!”. E dito e feito.
Assim que Amaro se tornou diretor da empresa, Benvindo, em vez de ser promovido, foi submetido a um festival de humilhações. O trabalho aumentou e o salário diminuiu com a desculpa da crise. Benvindo não deixava a empresa, pois era arrimo de família e ajudava a criar seus irmãos. Na firma, eles recebiam treinamento para aumentar a produtividade, mas os lucros não eram divididos. Amaro Furtado posava de bom e dizia: “Deus me abençoou. Eu fiz por merecer”. Esse discurso de meritocracia cansava Benvindo, ainda mais quando colocavam Deus como um pagador de contas. Essa noção perversa de Deus incomodava o jovem e ele não tolerava que o nome de Deus fosse usado para ofuscar a perversão das relações trabalhistas.
Certo dia, Amaro e seus companheiros se organizaram para reivindicar melhores condições de trabalho. O padrão disse: “Coisa de ‘comunista sem-vergonha’, que não aceita a vontade de Deus”. Seu patrão o procurou às escondidas e ofereceu favores para que desarticulasse a organização dos funcionários. Benvindo rejeitou, pois sabia bem de que lado da história deveria ficar. A organização dos funcionários prosperou e ganharam na justiça os seus direitos. Na hora de dar a notícia aos amigos da empresa, Benvindo disse: “Ninguém mais use contra nós esse discurso perverso da meritocracia, ainda mais em nome de Deus. Deus é bom, fiel e justo e a todos distribui generosamente o seu amor. Já as relações trabalhistas são regidas pelo interesse econômicos dos perversos”. E foi aquela festa quando os funcionários receberam as hora-extras conforme determinação da justiça. Enquanto isso, a família Furtado planejava novas artimanhas para se enriquecer mais ainda.

Que tal cantar a música n. 3, Liberta, Senhor?

Oração
Dirigente: Irmãs e irmãs, manifestemos nossa fé no Deus de Jesus, rezando um belo poema de Luciana Silva.
Rezar em dois coros, podem ser homens e mulheres, ou outra alternativa que for boa para o grupo:
A: Bem aventurados os que se importam  com a vida de seus semelhantes,
simplesmente porque é a vida de seu semelhante...
B: Bem aventurados os que cuidam da vida, das dores, simplesmente porque se sentem irmãos uns dos outros...
A: Bem aventurados os que se preocupam  e se doam, sem medidas, ao próximo,
simplesmente porque sentem a dor do menor de seus  irmãos...
B: Bem aventurados os que sabem enxergar o irmão caído na rua, na dor, no medo, simplesmente porque tem olhos pra ver, olhar de caridade e, vendo, ajudam...
Todos: Bem aventurados os que sabem ouvir o pranto, a angústia, o riso, simplesmente porque tem ouvidos pra ouvir, ouvidos atentos, distintos, e ouvindo, ajudam...
Dirigente: Não há lugar entre nós para o Deus da meritocracia e dos privilégios.
Grupo: Só há lugar entre nós para o Deus gratuidade revelado por Jesus Cristo.

Compromisso cristão
A teologia da retribuição é bastante tentadora. Ela nos faz acreditar que a graça de Deus só pode ser recebida porque somos bons ou santos. Que engano! Deus vem até nós e a todas as pessoas não porque merecemos, mas porque ele é bom. Nosso compromisso consiste em converter nossas consciências, abandonar discursos de privilegiados e em ajudar a fé a se fortalecer no movimento de abertura e saída, a fim de que todos os que desejarem possam partilhar o caminho no qual Deus percorre ao nosso lado como graça gratuita e livre para todas as pessoas. Que tal nos organizarmos para enfrentar os que nos manipulam e nos roubam em nome de Deus?

Cantar bem bonito a canção Venceremos, n. 10, ou outra de agrado do grupo.
Despedir-se de todos, marcando o próximo encontro.

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