Versículos BíblicosEvangelho Dominical
 
 
 
 
 

4. Deus não é indiferente ao nosso sofrimento, nem está ausente

Ler do Início
07.12.2021 | 4 minutos de leitura
FFirme
Novena de Natal
4. Deus não é indiferente ao nosso sofrimento, nem está ausente
Solange Maria do Carmo
Tânia da Silva Mayer

Ambientação: Em local apropriado para a oração, disponha uma toalha bonita, alguns elementos do presépio, a bíblia, a coroa do advento ou uma vela, algumas ramagens ou flores, as fotos de sua família, imagens de cenas nas quais contemplamos a presença de Deus...

Abertura
Acolher a todos com alegria e simpatia.
Dirigente: Irmãos e irmãs, ao longo desses encontros da Novena de Natal, procuremos abrir nosso coração para acolher o Deus de Jesus que vem ao nosso encontro e que está sempre conosco em nossas lutas e pelejas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que nossos corações estejam atentos para reconhecer o amor que Deus tem por nós.
Grupo: Jesus Cristo caminha conosco pelas estradas da vida!
Começar bem animado cantando a música n. 9, Seja bem-vindo, ou outra de agrado do grupo.

Oração Inicial
Dirigente: Ó Deus e Pai, teu Filho Jesus se tornou um ser humano como nós, mostrando-nos que sempre queres ficar perto de nós e partilhar de nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças. Pedimos-te, por teu Espírito de Amor, faze-nos reconhecer tua presença amiga, mesmo quando as trevas da vida parecem afugentar a luz da paz e da justiça.
Grupo: Venha até nós, Senhor, o teu amor sem fim, a fim de que reconheçamos que estás conosco todos os dias!

Leitura da bíblia
Para preparar os corações para a escuta da Palavra de Deus, cantando a música n. 11, Tua palavra.
Na bíblia, uma pessoa faz a leitura do texto: Mc 3,1-6

Conversa e Partilha da Palavra
O que o texto diz? Como podemos entender a postura de Jesus diante dos sofredores? Qual a mensagem mais significativa para nós? Vamos conversar.

Aprofundamento
Era sábado e Jesus estava na sinagoga, o lugar em que os judeus se reuniam para rezar e ler a Torá. Encontrava-se também lá um homem da mão seca. O sábado era o dia da reunião. Nesse se comemorava a saída do povo do Egito, pela ação do Deus libertador.
Os fariseus ficaram olhando para ver o que Jesus faria. A fama de Jesus como aquele que socorre os pobres e sofredores já havia se espalhado. Será que ele iria fazer algo pelo homem da mão seca? Observavam não para se alegrar com o beneficiário da ação de Jesus, mas para criticar e acusar a ambos.
Jesus dirigiu sua palavra ao homem da mão seca, mandando-o ir para o meio. Aquele homem que estava escondidinho no canto da assembleia ganhou visibilidade. E dirigiu também a palavra aos presentes, perguntando se o sábado era para fazer o bem ou o mal, para salvar a vida ou para matá-la.
Na sua hipocrisia religiosa, os fariseus preferiram se calar para não revelar seu coração odiento e odioso. Então, Jesus lançou um olhar de reprovação para eles e mandou o homem estender sua mão. Ele a estendeu e ela ficou curada. Claro que o evangelista não está falando de uma mágica. Ele está dizendo que, quando os cristãos expõem suas mazelas e colocam a vida no centro do sistema religioso, as pelejas ficam bem menores e fica mais fácil lidar com elas.
Observem que o evangelista não diz que Jesus fez nada mais a não ser mandar ele estender a mão e, bem no centro da sinagoga, mostrá-la a todos. Quanto mais a gente nega nossas dores, mais elas aumentam. Quanto mais a gente finge que não vê o sofrimento, maior o sofrimento fica. O Deus de Jesus Cristo não é um mágico, como vimos no encontro anterior. Mas também não é indiferente à nossa dor e ao nosso sofrimento. Ele sofre conosco; vive conosco cada momento de angústia e tribulação. Muitas vezes, esses momentos são tão duros, que parece que Deus nos abandonou, como é o caso da pandemia da covid-19. Mas não é assim. Deus não pode resolver os problemas da pandemia no nosso lugar, mas com certeza nos acompanha em cada momento difícil que vivemos.
O Deus de Jesus não é indiferente ao sofrimento da humanidade. Ele não é um Deus imutável que está feliz lá no céu brincando com os anjos e nos deixa aqui abandonados à própria sorte. Não, ele está conosco como uma mãe que está com o seu filho na hora da dor, mesmo que ela não possa fazer nada por ele a não ser amá-lo e confortá-lo para que viva essa dor em paz. Assim é o Deus de Jesus. Ele não nos livra da pandemia, pois a solução da pandemia depende de muitos fatores que estão implicados na liberdade humana. Mas ele está conosco nessa crise sanitária.

Causo da Vida
Uma pessoa do grupo faz a leitura do causo da vida. Ao final, o grupo pode conversar sobre a narrativa e enriquecê-la com outros exemplos do cotidiano.
Era abril de 2021. As folhas caíam das árvores e o céu era ainda mais azul. Apesar da beleza, tudo parecia muito sombrio  para a jovem Socorro, que é técnica em enfermagem. Ela via no hospital as ambulâncias enfileiradas esperando uma chance de atendimento para os contaminados com a Covid-19. Sempre pronta a socorrer o próximo como indica seu nome, Socorro ficava com o coração sangrando ao ver tanta gente morrendo sem que os profissionais de saúde pudessem fazer algo para evitar.
Cansada de ver tanta dor, a jovem começou a se revoltar. Já fazia tempo que ela não ia à igreja, pois estava brigada com Deus. Na adolescência, perdera a vó que a criara e, então, ficara sozinha no mundo sendo criada por sua madrinha. Socorro, que não pôde socorrer sua avó, decidira cuidar dos sofredores: foi trabalhar na área da saúde no Pronto Socorro de um grande hospital.
Se tem uma coisa que a irrita é alguém dizer que Deus está sempre conosco. Socorro não duvida da existência de Deus, mas entende-o como um ser superior, que está feliz lá no céu brincando com os anjos, sem se importar com a dor do mundo, afinal – na hora de sua maior dor – enfrentou tudo sozinha. Nessa pandemia, suas suspeitas se confirmaram. Se Deus estivesse mesmo junto de nós, certamente daria jeito de diminuir a dor do mundo. E se está presente e não faz nada, então é indiferente e sem nenhuma empatia com os sofredores. Logo, não merece ser chamado de Deus.
Assim seguiram-se dias de muita peleja, numa rotina exaustiva no hospital, até que Socorro conheceu D. Fortaleza, uma senhora simpática que acompanhava o filho com necessidades especiais em tratamento no hospital onde ela trabalhava. Dia e noite a velha senhora estava lá cuidando de seu menino. Não saía de seu lado para nada. Dormia mal recostada sobre uma cadeira, comia aquela comida sem gosto do hospital e mantinha uma força extraordinária consolando seu filho quando ele se afligia.
Os médicos recomendaram que a pobre senhora fosse para casa, pois ela não podia fazer nada pelo menino. Ele estava sendo bem tratado no hospital e eles dariam notícias do seu quadro médico. Mas nada fez a mãe arredar-se da cabeceira do filho, sempre solícita lhe fazendo um carinho e falando baixinho palavras de consolo ao seu ouvido. Interpelada por Socorro para saber por que ela não ia descansar um pouco, a velha senhora respondeu: “Minha filha, mãe é como Deus: nunca descansa. Nunca abandona um filho. Ainda que ele não possa resolver nossos problemas, está sempre solidário nos fortalecendo. Ainda que não nos cure, está sempre solidário na nossa dor. Eu não posso curar meu filho, mas posso sofrer com ele até o fim; posso lhe oferecer meu amor mesmo que ele não possa reconhecê-lo. Assim é Deus; seu amor nos acompanha ainda que a gente não o reconheça”. Socorro ficou impactada com o que ela disse e, pela primeira vez, começou a repensar sua imagem de Deus.

Que tal cantar a música n. 7, Deus cuida de nós?

Oração
Dirigente: Irmãs e irmãs, o Deus de Jesus é sempre próximo e amigo; não é indiferente ao nosso sofrimento nem está longe de nós.
Grupo: Não há lugar para o Deus indiferente e ausente entre nós. Só há lugar para o Deus companheiro que Jesus nos revelou.
Dirigente: Em dois coros, vamos rezar ao Deus-menino, companheiro de nossas pelejas.

A: Em socorro dos pequeninos, Lá vem o Deus menino.
B: Em socorro dos que não têm casa, Lá vem o Deus da estrebaria.
A: Em socorro dos que não têm pão, Lá vem o Deus de Belém.
B: Em socorro dos retirantes,
Lá vem o Deus que ruma com seus pais para o Egito.
A: Em socorro dos perseguidos,
Lá vem o Deus que foge de Herodes.
B: Em socorro dos excluídos,
Lá vem o Deus que se comunica com os pastores.
A: Em socorro dos que não têm religião, Lá vem o Deus dos magos do Oriente.
B: Em socorro dos camponeses pobrezinhos, Lá vem o Deus de Isabel e Zacarias.
A: Em socorro dos velhos desamparados, Lá vem o Deus de Ana e de Simeão.
A: Em socorro dos que infringem as leis para proteger a vida, Lá vem o Deus de José, o homem justo
B: Em socorro das mães solteiras, Lá vem o Deus de Maria de Nazaré
A: Em socorro dos grandes e poderosos,
Lá vem o Deus de Maria derrubá-los dos seus tronos.
B: Em socorro dos santos e dos puros, Nenhum Deus pode vir em auxílio.
Grupo: Maranatha! Vem, Deus Menino!

Compromisso cristão
Muitas vezes vivenciamos nossa fé no Deus de Jesus Cristo como barganha. Estamos sempre à espera de que Deus atue magicamente em nossa história, livrando-nos de todo mal e perigo. Mas a própria história de Jesus a caminho da cruz nos mostra que a fé em Deus não exclui nossa liberdade em poder agir por nós mesmos diante dos acontecimentos de nossa vida. Mas isso não significa que Deus seja alheio à nossa dor ou que nos abandone nos momentos de dificuldade. Assim como esteve junto a Jesus, Deus sofre conosco e está ao nosso lado, ainda que não possa resolver por nós nossos problemas.

Cantar a música n. 5, pedindo a bênção de Deus para as famílias. Despedir o grupo com alegria marcando o próximo encontro.

PUBLICIDADE
  •  
  •  
  •  
  •