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1. Deus não é juiz nem carrasco

26.09.2021 | 4 minutos de leitura
FFirme
Novena de Natal
1. Deus não é juiz nem carrasco
Solange Maria do Carmo
Tania da Silva Mayer

Ambientação: 
Em local apropriado para a oração, disponha uma toalha bonita, alguns elementos do presépio, a coroa do advento ou uma vela, algumas ramagens ou flores, as fotos de sua família...

Abertura
Dirigente: Queridos irmãos e irmãs, iniciamos hoje os encontros da nossa Novena de Natal 2021. Preparamos nossos corações para acolher o Deus que vem ao nosso encontro comunicando seu amor a todas as gentes.
Que a paz e o amor de Cristo estejam em nossas casas e em nossas famílias.
Grupo: Jesus Cristo nos reúne na paz e no amor!
Cantar uma canção animada e bonita de acolhida. Sugerimos a n. 1, Mais um vez, ou escolher outra do gosto do grupo.

Oração Inicial
Dirigente: Ó Deus de Jesus Cristo, tu vens ao nosso encontro e manifestas teus sinais de cuidado e amor pelo teu povo. Sabemos que cuidas de nós, como uma mãe que cuida dos filhos. Pedimos-te que o teu Espírito Santo revele para nós a face do teu Filho Jesus, para que vejamos que és o Amor e a Fonte de toda Vida.
Grupo: Mostra-nos teu rosto, Senhor, para que te vejamos como és, Amor e Vida. Assim seja. Amém.

Leitura da bíblia
Para preparar os corações para a escuta da Palavra de Deus, convidar para cantar a música n. 2, Vamos receber a Palavra de Deus. Uma pessoa entra com a bíblia e a dispõe sobre a toalha com os símbolos no centro da roda.
Na bíblia, uma pessoa faz a leitura do texto: 1Jo 4,16-21

Conversa e Partilha da Palavra 
Dirigente: O que o texto diz? Qual imagem ou quais as imagens de Deus são apresentadas a nós? Vamos conversar.

Aprofundamento
O escritor da carta que lemos, intitulado João e compreendido como o mesmo autor do Evangelho de mesmo nome, tem uma clara e bela definição de Deus. Para ele, o Deus de Jesus Cristo é amor e quem permanece no amor, permanece nele. 
Esse texto bíblico nos mostra que Deus não é juiz nem carrasco. Ele é amor. Não é um velho barbudo que vive nos vigiando, anotando nossos pecados e boas ações no livro da vida para nos julgar e punir no dia do juízo. Ao contrário, ele é amor sem medidas e nos ama antes mesmo de merecermos.
A imagem do Deus juiz e carrasco já estava presente desde o começo da comunidade cristã, herdeira do judaísmo. Provavelmente, João está combatendo essa imagem legalista de Deus. Ele insiste que podemos confiar em Deus, caso haja um julgamento futuro. No juízo, triunfa o amor de Deus e não uma justiça legalista e retributiva.
Deus é amor – afirma a Carta de João – e, se é amor, só sabe amar e não pode fazer outra coisa senão amar, como o sol só pode iluminar e o sal só pode salgar. É da constituição de Deus amar sem limites e não impor ameaças. Seu amor é desmedido; ele não nos trata segundo nossas faltas nem nos castiga segundo nossos erros, diz o refrão do Sl 79 que rezamos na liturgia católica.
No amor, não há medo – diz João – porque o medo pressupõe o castigo. Onde há medo, o amor ainda não chegou à sua plenitude. Logo, Deus não pode punir ou castigar, ou seu amor não seria pleno.
Essa ideia de que Deus pune e castiga tem duas finalidades: 1) aproximar Deus de nosso modo de pensar e agir, sempre imperfeito e necessitado de aperfeiçoamento; 2) criar um mito para cercear as consciências e limitar as ações humanas, que podem realmente ser muito maléficas. 
Mas uma relação com Deus baseada no medo e no castigo seria uma relação saudável? Como podemos amar alguém de quem temos medo? Um pai merece respeito e amor ou medo e temor?
Para tirar toda dúvida, João diz que Deus nos amou primeiro, ou seja, amou-nos gratuitamente, antes de qualquer iniciativa nossa. Para o autor, é importante afirmar isso pois, no judaísmo de seu tempo, entendia-se que era preciso merecer o amor de Deus cumprindo diversos preceitos da Torá, a Lei dos judeus.
Por fim, o autor nos lembra qual é o mandamento máximo do cristianismo: amar a Deus e, na sua força do seu amor, amar também os irmãos. O mesmo amor que o Deus de Jesus Cristo nos dispensa deve ser dispensado aos irmãos, pois não é possível amar a Deus a quem a gente não vê e não amar o irmão que está bem debaixo de nossos olhos passando necessidade.
Deus não é juiz nem carrasco; Deus é amor e nos amou primeiro. Que nessa novena possamos nos abrir para conhecer o Deus de Jesus Cristo, sempre amoroso e bondoso para conosco.
Se for oportuno, cantar mais uma música. Há uma lista delas no final da novena. Sugerimos a número 4, Deus é amor.

Causo da Vida
Uma pessoa do grupo faz a leitura do causo da vida e, ao final, o grupo pode conversar sobre a história e enriquecê-la com outros exemplos do cotidiano. 
Era março de 2020, quando a OMS declarou que uma pandemia se instalava no mundo. Um vírus desconhecido estava infectando milhões de pessoas e a morte campeava sobre o planeta. D. Paciência ficou assustada e logo pensou: “É castigo de Deus. Essa gente sem fé toma o nome de Deus em vão, põe crucifixo e imagem de Nossa Senhora na avenida do samba e acha que Deus vai deixar isso passar sem castigo. Misturaram Deus com mulher pelada e muita orgia, e isso Deus não pode tolerar”. D. Paciência não perdeu tempo. Começou logo a rezar o terço pedindo perdão por seus pecados e pelos pecados do mundo. Ela estava convencida de que a pandemia era castigo de Deus; até o padre que ela segue na TV ajudou a confirmar essa suspeita. Ele disse que Deus, justo e santo, não tolera ser insultado. 
No imaginário de D. Paciência, Deus é um justo juiz que tudo vê, tudo sabe e a quem nada escapa. Ela fecha os olhos e vê Deus como um velho barbudo, sentado no seu trono sagrado lá no céu, com o livro da vida nas mãos, anotando cada deslize dos pobres pecadores para, no dia do juízo, julgar cada um segundo suas obras.
No decorrer dos dias, D. Paciência rezava pacientemente como manda seu nome. Intercedia especialmente por seus netos que precisavam sair de casa para trabalhar. Eram ótimos rapazes e moças, criados nos caminhos do Senhor, como ela gostava de dizer. D. Paciência assistia a morte se alastrando e dizia: “Castigo de Deus, minha gente, castigo de Deus, pois esse povo não tem mais temor de Deus. Pra nós não há de chegar porque seguimos os mandamentos da lei de Deus”. Mas, apesar de toda prece, a morte foi se avizinhando de D. Paciência. Primeiro morreu uma comadre. D. Paciência ficou sentida, mas pensou: “Coitada da comadre, mas também ela não era flor que se cheire; foi ao desfile do carnaval ver aquela blasfêmia”. Depois foi a vez do sacristão, que também “não era santo, pois apoiava um filho gay na sua ‘sem-vergonhice’”, pensou ela. Enfim, foi a vez do pároco que quase morreu, mas “se salvou porque é um ungido de Deus”, ela concluiu piedosamente. Foi quando D. Paciência soube que seu neto mais querido, mais gentil e mais educado foi acometido pela doença e, mesmo com todos os cuidados, veio a óbito sozinho no hospital, sem ela poder se despedir dele. D. Paciência se debulhou em lágrimas e ficou deprimida. Não entendia como alguém tão bom quanto seu neto podia ser castigado por Deus. Dessa vez, Deus havia exagerado na vingança e não era possível perdoá-lo. Então, desiludida com Deus, perdeu a paciência e nunca mais rezou. Terminou seus dias amargurada, fechada em si mesma, com raiva de Deus.

Conversa e Partilha da Palavra: 
O que você achou do causo acima? D. Paciência interpretou corretamente a pandemia? Sua imagem de Deus corresponde ao Deus de Jesus Cristo? Vamos conversar.

Oração
Dirigente: Irmãs e irmãs, reunidos nesse primeiro dia de nossa novena, rezemos ao Deus de Jesus Cristo, que não é nem juiz nem carrasco, mas puro amor, pedindo que não tarde a vir a nós nesse Natal.
Grupo: Não há lugar para o Deus juiz e carrasco entre nós. Só há lugar para o Deus amor.
Dirigente: Rezemos com confiança no amor de Deus.
Grupo: Deus de amor, as trevas sempre foram densas. Sem lâmpadas, vagamos na noite em companhia do medo. Estávamos sozinhos experimentando o alheamento da vida. Como o Cristo na cruz, gritamos e reivindicamos o abandono que sentíamos. Mas dentro de nós algo ardia e não sucumbimos à severidade dos genocidas, dos juízes e dos carrascos. Só teu Espírito nos manteve até aqui. Vem, Senhor, e nos tome pela mão: seremos passarinhos abrigados em Ti, Infinitude de amor. Amém.
Cantar a canção n. 20, Deus cuida de nós, ou outra do agrado do grupo.

Compromisso cristão
A catequese que recebemos fez com que nos relacionássemos com Deus como um velho azedo e mal humorado, um juiz carrasco disposto a nos punir conforme nossas ações nesse mundo. Mas a Palavra de Deus nos convida a experimentarmos o amor que Deus tem por nós, amor que é o próprio Deus vindo ao nosso encontro. Nosso compromisso consiste em nos deixarmos amar e viver esse amor como abertura e acolhida, respeito e defesa da vida de todas as pessoas. Que tal começarmos a nos desfazer dessa imagem distorcida de Deus como juiz e carrasco?
Despedir alegremente do grupo e motivar para o próximo encontro.
Se for conveniente, cantar pedindo a benção para as famílias, música n. 5, ou outra do agrado do grupo.