59. Só o amor é mais forte que a morte

Papa Francisco alertou contra o 'vírus da indiferença egoísta', que despreza o valor da vida humana (Pam Santos / @soupamsantos)
Com o avanço dos dias, acabamos nutrindo
um sentimento de naturalização da morte
Só o amor é mais forte que a morte. Essa constatação bíblica parece ser o cerne da revelação pascal ocorrida na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Conforme a fé cristã ensinou e transmitiu, ele é o primeiro vencedor da morte. Somente o amor de Deus foi capaz de gerar nova vida na adversa situação da morte, na qual a prevalência do nada informava que a existência não valia a pena.
Vivemos num contexto que depõe radicalmente contra a vida. O vírus da Covid-19 está mostrando o quanto estamos imersos em nossa própria vulnerabilidade humana. A precariedade de nossas existências se mostra tão radicalmente que é preciso nos perguntarmos, dia após dia, sobre o sentido de tudo o que estamos vivendo. Com o avanço dos dias, acabamos nutrindo um sentimento, individual e coletivo, de naturalização da morte e do morrer humano. Esse sentimento gera outro, dessa vez, de desprezo pela própria vida.
Por isso mesmo, o desprezo pela vida é constatado desde as autoridades políticas ou religiosas até os cidadãos em suas práticas concretas e cotidianas. Nesse sentido, não é de espantar o fato de que muitas pessoas continuem insensíveis ao contexto de pandemia mundial que experimentamos, vivendo suas vidas como se nada estivesse acontecendo e como se seus atos não afetassem suas vidas e as vidas de milhares de pessoas.
O papa Francisco já havia alertado os ouvidos atentos para a disseminação de um vírus tão cruel quanto esse que estamos enfrentando. Ele falou do "vírus da indiferença egoísta". Quando o egoísmo prevalece, verificamos um retorno direto da pessoa para o eu, de tal maneira que as alteridades não podem ser percebidas num horizonte maior da existência. É nesse momento que constatamos que o amor morreu ou se enfraqueceu a tal ponto de negar-se a si mesmo e a própria vida.
Por essa razão, diante da morte do amor, a vida se torna impossível. Alastram-se por todos os lados os sinais da morte, mas eles já não nos assustam mais, porque o único capaz de gerar a vida também está morto nos corações e na práxis das pessoas. E quando isso acontece, é sinal de que a humanidade perdeu. É sinal de que nós perdemos a antiquíssima batalha entre o ser e o nada. Caem por terra todas as possibilidades de transformarmos o que somos, individual e coletivamente, numa civilização do amor.
No entanto, a fé cristã deve seguir anunciado a vitória do amor, que é também a vitória da vida. Porque, de algum modo, haverá em algum coração uma fagulha que faça arder a esperança teimosa, que seguirá resistindo, contra todos os sistemas, fatos e acontecimentos, para que outra vida e outro mundo se tornem possíveis e valham a pena.
-
111. Teologia: Quem precisa de Teolgia?30.11.2023 | 1 minutos de leitura
-
118. Dias melhores virão18.04.2022 | 2 minutos de leitura
-
112. Debaixo da mesa, na lata de lixoÉ urgente a solidariedade para combater a fome no país20.12.2021 | 2 minutos de leitura
-
110. Deus?02.11.2021 | 2 minutos de leitura
-
108. Aonde iremos nós?22.09.2021 | 1 minutos de leitura
-
107. Negar a morte é negar a vida15.09.2021 | 1 minutos de leitura
-
106. Feijão ou fuzil?10.09.2021 | 1 minutos de leitura
-
105. A fé faz fraternidadeÉ imprescindível o cultivo da ética do deserto (Unsplash/Ignacio Ceballos)01.09.2021 | 1 minutos de leitura
-
104. A proteção de crianças e adolescentes é a acolhida do Reino25.08.2021 | 4 minutos de leitura
-
103. Tropeçou no Evangelho!18.08.2021 | 1 minutos de leitura
230. Um sal que não é visível09.02.2026 | 3 minutos de leitura
229. “Bem aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,1-12a).02.02.2026 | 4 minutos de leitura
228. Fazer a paz num mundo de guerra26.01.2026 | 5 minutos de leitura
227. Sentido da vida22.01.2026 | 6 minutos de leitura
226. Primeira Missa e linguagem das primícias: um discernimento pastoral e teológico19.01.2026 | 5 minutos de leitura
225. Sobre a profecia na igreja12.01.2026 | 2 minutos de leitura
224. Advento: terceiro domingo, somos convidados a alegria08.01.2026 | 5 minutos de leitura
223. Advento: segundo domingo ergue diante de nós a luz da conversão05.01.2026 | 4 minutos de leitura
222. Advento: início de um novo ano01.01.2026 | 4 minutos de leitura
221. O Natal da esperança29.12.2025 | 10 minutos de leitura

