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108. Aonde iremos nós?

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22.09.2021 | 1 minutos de leitura
Tânia da Silva Mayer
Diversos
108. Aonde iremos nós?
Bem entendido ou não o contexto no qual vivemos, é impressionante o fato do surgimento, cada vez mais frequente, de grupos conservadores e fundamentalistas no seio da religião e da sociedade secular. A esses soma-se também um número expressivo de negacionistas dos fatos e acontecimentos mais objetivos. \"Onde estavam até ontem?\", poderíamos nos perguntar e constatar tristemente que sempre estiveram aí, mas não os víamos ou ouvíamos. Diante da esperança de que o mundo teria aprendido a duras penas a lição dos jogos sociais e estabelecido uma fraternidade sócio universal, adormecemos e nos entorpecemos enquanto serpentes chocavam os ovos em diferentes lugares.

Não é necessário vestir-se de verde e amarelo e ir para a rua gritar impropérios antidemocráticos e nazifascistas para que conservadores, negacionistas e fundamentalistas sejam reconhecidos. O ouvido atento no cotidiano desvela qualquer máscara utilizada até aqui. Os conservadores usurparam do tempo um fragmento e o elegeram como sua tradição. Agora, buscam conservá-la, apesar da passagem das épocas, da mudança relativa sobre a compreensão do tempo que nos escapa. Saudosistas de um passado que não serve mais. Por sua vez, os fundamentalistas encerraram sua crença mais profunda num livro ou doutrina que hoje mobiliza sua vida. Tudo o que escapa ao seu fundamento precisa ser combatido. Demonizam. Expurgam. Até suas sombras se tornam inimigas, caso se projetem à margem dos fundamentos. Perigosos, querem impor às sociedades, grupos e pessoas o que vivem e acreditam. Os negacionistas, dignos de misericórdia, recusaram o exercício lógico da razão. Estão na caverna, de costas para a fenda e de olhos fechados. Extremamente prejudiciais, impedem processos sérios em conformidade com o vivido porque negam a própria vida que acontece. Alimentam a farsa, mais que os outros grupos.

No nosso país, já é irreparável a curto prazo, quiçá a longo prazo, os males provocados pelo posicionamento político desses grupos. Da religião para a sociedade ou vice e versa, essas posturas e grupos impactaram na escolha de caminhos de horror e de mortes, do Oiapoque ao Chuí. A conta histórica jamais se fechará, porque sempre sobrará desse nosso tempo o desprezo e a recusa em encontrar as melhores oportunidades de salvação na história, de garantia de vida digna para as coletividades. Parece não ter fim o mar de obscenidades e absurdos que estamos condicionados a confrontar todos os dias.

Para além da sensação de sermos conduzidos como ovelhas para o matadouro, o sentimento predominante é o da errância. Por isso, ressoa sempre a pergunta do pescador: \"Aonde iremos, Senhor?!\". Está posto, diante da indagação, o fato de Jesus falar palavras duras que afugentam a muitos. Falar em nome do Reino de Deus e da sua justiça é, sem dúvidas, propagar uma mensagem que vai na contramão do reino que não é o de Deus, por isso, uma palavra dura em tempos duros. Amor, misericórdia, perdão, paz, são realidades que ofendem e afugentam. O caminho ao lado dos conservadores, fundamentalistas e negacionistas pode nos ajudar a superar tamanha perversidade do nosso tempo se são eles os motivadores de tantos problemas? É certo que não. É preciso abrir distância, percorrer a outra margem. Isso manterá nosso coração – razão e emoção – vivo. \"Aonde iremos, Senhor?!\", podemos até não ir ao encontro de Jesus, enquanto a sociedade laica, podemos até não saber para onde vamos, mas sabemos que não iremos por aí, no caminho em que as serpentes chocam seus ovos.