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105. A fé faz fraternidade

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01.09.2021 | 1 minutos de leitura
Tânia da Silva Mayer
Diversos
105. A fé faz fraternidade
A fé cristã sempre foi desafiada a acorrer às exigências do evangelho de Jesus para ser, de fato, espaço de relação com Deus. Em todas as épocas, outras propostas podem se apresentar travestidas de fé cristã, mas que nada têm a ver com o que se espera de uma pessoa que deu um passo na vida em direção ao Senhor e se decidiu por olhar o mundo com os olhos do Reino de justiça, fraternidade e paz. Em nossos tempos ocorre algo semelhante, a cada dia os cristãos e as cristãs são provados a reafirmarem seu sim no seguimento de Jesus, a partir de uma ética eco humana, que se propõe na contramão dos sistemas, das instituições e de muitas pessoas e grupos do nosso tempo.

A perspectiva de ser uma voz que clama no deserto dos dias se apresenta bastante exigente. Trata-se de testemunhar, por exemplo, que, embora o individualismo e a indiferença tenham espaço e acolhida entre muitos, não é no bojo da fé cristã que o descarte do outro encontra seu princípio e fim, sua justificativa. Precisamente, trata-se de testemunhar, por meio de palavras, atitudes e gestos, que a fraternidade continua sendo a bandeira mais cara, porque não há fé em Jesus que não seja vivida no encontro e nas relações de respeito e de reconhecimento do outro, tal como o próprio Deus desejou viver com o seu povo ao longo dos tempos até a plenitude da humanização em Jesus Cristo.

Nesse momento da nossa história, presenciamos o posicionamento antievangélico de diferentes agrupamentos de cristãos, que, mais apegados a uma institucionalização religiosa, negam-se ao convite de fazer e viver a fraternidade. Eles fogem, inclusive, ao diálogo que poderia abrir portas que nos conduziriam a uma conversão comum para a superação das rivalidades e das intolerâncias. Não há como não encontrar nessas posturas traços de um fundamentalismo doutrinário que nada conversa e negocia, porque se basta independente e à revelia das interpelações dos irmãos e irmãs de todos os lugares e dos sinais próprios dos nossos tempos. Nesses casos, os outros são ignorados ou atacados, mas, em todo caso, diminuídos em sua dignidade, desumanizados pelo ódio ou pelo medo de quem, em nome de \"Cristo, nossa paz\", fomenta, diabolicamente, a divisão da comunidade cristã e da comunidade humana.

Então, nós todos nos perguntamos: como conversar, como dialogar, com quem nunca se silencia para ouvir os apelos humanos e da casa comum? Como estabelecer conexões com aqueles que revestidos de ódio não são capazes de acolher os diferentes e suas diferenças? Certamente, essas questões e outras provocam nossa reflexão e nos desafiam à uma autêntica fé cristã em nossos dias. A postura mais fácil é assumir o mesmo enrijecimento e indiferença. A tarefa evangélica é insistir que a fraternidade é dom e tarefa, dom que o próprio Deus comunicou a partir da sua humanização em Jesus e que nos alcançou por meio de seus gestos e palavras e tarefa dos cristãos em todos os tempos na cooperação da edificação do Reino de Deus. Por essa razão, é imprescindível o cultivo da ética do deserto, que escuta e anuncia um caminho possível, um tempo possível onde nos reconhecemos irmãos e irmãs, habitantes da mesma casa comum.
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