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44. Do esvaziamento da fé à fé do auto-esvaziamento

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09.11.2021 | 17 minutos de leitura
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Acadêmicos
44. Do esvaziamento da fé à fé do auto-esvaziamento

Solange Maria do Carmo



Aíla Luzia Pinheiro de Andrade


RESUMO

Partindo da realidade atual marcada por uma ênfase em elementos periféricos de uma religiosidade alienante e um consequente esvaziamento da fé cristã em seu núcleo essencial, o artigo tem como objetivo principal proporcionar uma reflexão acerca da necessária volta à teologia paulina sobre o esvaziamento de Cristo como fonte e paradigma para a fé cristã. Para isso, serão percorridos os seguintes passos: considerações iniciais sobre a Carta aos Filipenses; estudo do conceito de kénosis como fio condutor da Carta, a kénosis de Cristo como expressão máxima de sua fidelidade a Deus; a kénosis de Paulo como atitude exemplar para todos os cristãos, a kénosis invertida dos judaizantes como impedimento para autêntica fé cristã. Conclui-se que na fé do auto-esvaziamento (kénosis) residem a riqueza e a glória do cristianismo, e não nos excessos religiosos.

Palavras-chave: Fé. Auto-esvaziamento. Kénosis. Filipenses. Vivência cristã.

INTRODUÇÃO
Muito se tem falado ultimamente do excesso de panos, de fumaça e de ritos na liturgia. Mas não é só a liturgia que está folclorizada, com sua leveza comprometida. A piedade cristã sofre inflação; ganhou proporções gigantescas e ocupou o espaço do evangelho. A boa-nova de Jesus Cristo ficou comprometida quando as práticas religiosas se tornaram mais importantes que a radicalidade do amor exigido pelo evangelho (Jo 15,12). Não é à toa que alguns falam de cristianismo sem religião , pois o esvaziamento da fé cristã de seu significado mais profundo leva a uma rejeição das configurações que a fé, por meio da religião, adquiriu na história. Em muitos casos, a religião dá mostras de atrapalhar a difusão da fé e subtrai a força da Palavra que faz viver (GRECH, 2018).
Rezas, devoções, novenas, catecismos. Noventa salve-rainhas, nove comunhões nas sextas-feiras, dez Creio em Deus Pai, a oração de São Miguel e a medalha de São Bento, o terço dos anjos, o rosário da Virgem, o Cerco de Jericó, Comungar ajoelhado, confessar-se todo mês, colocar um véu sobre a cabeça, uma corrente nos braços em devoção à Virgem, participar de peregrinações a lugares santos, guardar a preciosidade de uma relíquia, rezar pelas almas do purgatório, obter uma indulgência. Estudar o Catecismo da Igreja, ensinar aos jovens o Youcat, saber o que disse o papa Pio X, conhecer o rito de Pio V, apegar-se a uma afirmação de João Paulo II ou a uma declaração de Bento XVI. A lista é infinita. Arquitetada por uma armada do papa  uma inflação religiosa que compromete a fé cristã pode ser vista a olhos nus. Codina formula uma questão que faz pensar: “Não vivemos uma inflação de doutrinas, palavras, magistério, catecismo, aulas de religião, cursos de formação, homilias, transmissão de conceitos e tradições… em comparação com um déficit de experiência espiritual, de interioridade, de iniciação, de silêncio contemplativo e de mistagogia?” (CODINA, 2012, p. 76). Parece que foi despertada a bela adormecida que o Vaticano II fizera adormecer.
Muita devoção e excesso de religiosidade podem comprometer a interioridade da fé cristã, dando a entender que é na exterioridade das práticas devocionais e nas afirmações dogmáticas solidificadas no senso comum que se encontra a genuinidade cristã. Longe de querer desprezar a piedade popular, o objetivo deste artigo é proporcionar uma reflexão acerca da necessária volta às fontes cristãs, que passa pelo esvaziamento. Como afirmou Codina, “não se pode ter acesso à fé cristã e à Igreja sem uma experiência interior” (CODINA, 2012, p. 80). É no interior dos corações que a palavra de Deus foi inscrita e não na exterioridade dos pergaminhos. É a linguagem da consciência que é propriamente divina e não o latim dos documentos pontifícios . Apesar de ser reconhecida a necessidade da tematização da fé por meio da formulação de dogmas, preceitos e leis e de ser assumido o valor da religiosidade, que se traduz em celebrações, ritos, sinais e gestos, a fé cristã não se circunscreve em nenhuma dessas modalidades, mas no esvaziamento de si mesmo, que só o amor é capaz de suscitar, a exemplo de Jesus de Nazaré. Impregnado de exterioridades que o sufocam, o cristianismo carece de um sério programa de desintoxicação. 
Na tentativa de deflacionar o cristianismo, o Papa Francisco tem insistido na volta ao evangelho. Para ele, o que deve sobressair no anúncio do Evangelho é “a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado” (FRANCISCO, 2015, p. 32). Tudo o mais corre o risco de se tornar um castelo de cartas, inclusive a moral cristã. Se isso acontece, “não estaremos propriamente a anunciar o Evangelho, mas algumas acentuações doutrinais ou morais, que derivam de certas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de perder o seu frescor e já não ter ‘o perfume do Evangelho’” (FRANCISCO, 2015, p. 35)
Apesar dos insistentes apelos de Francisco, grande parte dos cristãos, e até do episcopado, como afirma o historiador Sergio Ricardo Coutinho em artigo publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos , parece não ter aderido ao projeto de reforma da Igreja conforme intenta Francisco. Esses nostálgicos cristãos se mostram impactados com o atual pontificado, mas ainda esperam viver os anos gloriosos de João Paulo II ou de Bento XVI, quiçá de Pio V. Não se opõem frontalmente a Francisco; isso seria próprio de cismáticos – coisa que eles não são – mas também não deixam a Igreja caminhar; estão sempre puxando a vida cristã para trás, numa tentativa inglória de resguardar a doutrina, os costumes e a moral, cristalizados num formato que não existe mais. 

No meio católico, movimentos neoconservadores respingam-se de borrifos fundamentalistas. Atêm-se à rigidez da lei, à literalidade do texto religioso ou canônico, à submissão inconteste às autoridades, com culto aos líderes. A insegurança provocada pela perda de referências básicas de vida, de valores, por obra da modernidade e da pós-modernidade, aninha-se bem em posições fundamentalistas (LIBANIO, 2009, p. 12).

Trata-se de pessoas que se afeiçoaram de tal modo a adereços e maquiagens da fé que estes foram considerados sacrossantos e eternos, mais importantes que a própria fé no Cristo. Estão tão acostumados aos enfeites do cristianismo que, tirando os apetrechos, sentem-se inseguros e perdem sua identidade. São como a Elke Maravilha, que, em entrevista, admitiu estar tão ajustada a seu personagem que não sabia mais quem era quando se encontrava desvestida de sua fantasia. Retirada a aura de absoluto de seus costumes piedosos e suas formulações dogmáticas, encontram-se desnudos como Adão e Eva diante do Criador. O excesso de quinquilharias religiosas atua como as tangas de figueira do relato do Gênesis (3,7): servem para cobrir a vergonha, ou no caso, a insegurança dos crentes, pois conservam certo conforto espiritual de tempos idos. 
Para esses cristãos, qualquer pessoa que se empenha em despir a religião cristã de seus excessos rituais e dogmáticos – falemos especialmente da religião católica – é acusada de esvaziamento da fé. É o que tem acontecido em sala de aula nos cursos de Teologia. Seminaristas de fé ingênua e piedosa revoltam-se quando, nas aulas de Sagrada Escritura, veem questionados os fundamentos religiosos. Torcem o nariz diante dos resultados da pesquisa bíblica. Fazem caretas quando desafiados a ler teólogos e biblistas que não se encontram no rol de sua ortodoxia. Acusam seus professores de esvaziar a fé. Constantemente, quando refletem sobre os excessos da religião e suas consequências perniciosas, teólogos e teólogas são ofendidos em público, chamados de hereges e considerados um perigo para a Igreja. São taxados de comunistas e lhes é direcionado o famoso jargão Vai pra Cuba. 
Esses supercatólicos cultivam a ilusão de uma fé intocada e imaculada diante das ameaças da modernidade. Desconhecem o trabalho da teologia, que é manter o frescor da fé que garante sua saúde, evitando que ela se transforme em pão bolorento. Entendem a dúvida e a suspeita não como possibilidade de uma fé lúcida, mas como uma ameaça. São verdadeiros cães de guarda, sempre a postos nos umbrais do edifício religioso. Sentem-se inseguros diante de qualquer tentativa de deflação do cristianismo. Não percebem que esses apetrechos, bebidos com o leite materno no aconchego do lar católico, em vez de mostrar o esplendor da fé, ofuscam-na. Quanto mais penduricalhos a fé adquire, quanto mais afeita a questões exteriores e menos ao evangelho da cruz, mais ela se distancia de seu núcleo duro, mais vazia fica. Essas pessoas não distinguem fé, religião e religiosidade, como ensinava insistentemente o teólogo João Batista Libanio. Ainda ecoa nos ouvidos de seus ex-alunos a voz do professor jesuíta: “Tomemos o exemplo de Jesus na cruz: religião nenhuma, religiosidade zero, fé máxima” . Para quem não percebe a diferença entre os três conceitos, qualquer crítica ao excesso de religiosidade é recebida como ameaça à verdadeira religião que põe a fé em risco. 
Acontece, porém, que, para bem da fé cristã, é preciso, como afirmou Mário Grech (2018), passar “de uma religião de rituais vazios para uma religião que nos abre para o mistério”. Ou, num trocadilho, podemos dizer que é preciso passar do esvaziamento da fé – por excessos de rituais e de dogmatismos –, para a fé do auto-esvaziamento, na qual dogmas, preceitos morais e ritos são o modo de verbalizar a fé, mas não a sua garantia. A centralidade da fé se encontra na kénosis de Jesus (Fl 2,7). O Verbo feito carne (Jo 1,14), na condição de servo, entregou-se para o bem do mundo. No madeiro do Calvário, ficou visível a importância do esvaziamento da fé de seus excessos, para se chegar à autêntica fé cristã. A vida de Jesus esvaziada de qualquer privilégio é oferta que agrada ao Pai. 
Não são poucos os teólogos que fazem coro à atual necessidade de se voltar à fé do auto-esvaziamento, deixando virar quimera práticas devocionais e construções conceituais que comprometem a experiência do mistério central da fé: a páscoa. Exemplo clássico é a obra do jesuíta belga Roger Lenaers (LEANAERS, 2010). O apego a formulações dogmáticas plenamente aceitas em outra época, mas postas em xeque hoje graças ao avanço da pesquisa teológica, só faz inflar a fé cristã e esvaziá-la de sentido. Trata-se de um reducionismo doutrinal fortemente pernicioso e que ameaça a autêntica vida cristã. Para Carrara (2012, p. 67), “quando a fé se reduz a um esqueleto conceitual, deixa a impressão de ser apenas mera construção ideológica que não chega a irradiar o mistério e o sabor da transcendência”. Ao contrário, é na abertura para a novidade do Espírito que se encontra a pérola preciosa da fé cristã. Mateus, no seu discurso das parábolas, compara o Reino dos céus a um homem que achou uma pérola preciosa (Mt 13,45-46). Tendo-a encontrado, não se apega mais a nenhum bem; experimenta o esvaziamento de tudo que possuía para de fato ficar pleno da riqueza do Reino de Deus. Assim, pode-se afirmar sem medo de equívocos que, “no vazio de ideias sobre Deus, redescobre-se o Deus verdadeiro como o sentido último da própria existência” (CARRARA, 2012, p. 66).
Para se chegar à fé do auto-esvaziamento, o único caminho é a kénosis. Paulo orientava os filipenses para que tivessem os mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo (Fl 2,5). Com essa exortação o Apóstolo pretendia evitar que os cristãos de Filipos esfriassem seu fervor inicial por Cristo. Tal risco era real; a fé se via ameaçada por um cristianismo repleto de rituais e leis de pureza, a exemplo dos cristãos judaizantes, ou por muitos privilégios e convenções sociais que os filipenses possuíam antes de aderirem à fé no Ressuscitado. Como esses costumes eram muito caros à cidade de Filipos, uma das grandes metrópoles romanas, Paulo na sua Carta chamava a atenção de seus destinatários para um cristianismo puro e simples, cuja base é o despojamento e não o excesso de ritos religiosos elevados à categoria de fé cristã.

1 A CARTA : situação de Paulo e objetivo
A Epístola aos Filipenses foi escrita com o intuito de chamar os leitores à fé genuína, que se torna concreta no seguimento de Jesus, cuja vida esvaziada de todo privilégio se tornou paradigma da vida cristã. Na linguagem de Paulo, o objetivo é que os destinatários produzam os frutos da justiça para a glória de Deus (Fl 1,9-11). A expressão significa o resultado do ajustamento a Deus Pai, por meio de Cristo, na ação do Espírito. Como uma roupa feita sob medida se ajusta ao corpo de seu manequim, assim aquele que é justo se ajusta a Deus: vive em comunhão com o Senhor e suas obras ou frutos mostram isso. É como uma árvore plantada junto à água corrente: dá fruto no tempo devido e suas folhas não murcham (Sl 1,3). 
A Carta aos Filipenses localiza Paulo na prisão (Fl 1,7.13.17) e em risco de morte iminente (Fl 1,21-24). O próprio Paulo em 2Cor (11,23) afirma que foi preso muitas vezes. São pelo menos quatro as hipóteses acerca do local da prisão de Paulo por ocasião da escrita da Carta: Roma, Éfeso, Corinto e Cesaréia (HAWTHORNE, 2008, p. 259-561). A hipótese não coincide exatamente com o que Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos, descreve sobre as prisões de Paulo: Filipos (At 16,23-40), Cesaréia (At 21,32–26,32) e Roma (At 28,16-31). Apesar de saber que o livro dos Atos dos Apóstolos não é uma crônica dos feitos de Paulo, mas uma construção literária cujo objetivo é mostrar a difusão da boa nova, essa informação não pode ser desprezada. Assim, pairam dúvidas sobre a prisão de Paulo e, consequentemente, sobre a data exata da Carta, enquanto parece consenso que a Epístola foi escrita em tempos de cativeiro.
Mas que tipo de prisão Paulo experimentava enquanto escrevia a Carta aos Filipenses? Como cidadão romano (At 22,25-29), o Apóstolo tinha direito a um tipo de privilegio, um modelo de prisão chamada custodia libera ou liberdade vigiada. Enquanto aos que não portavam tal cidadania cabia a custódia pública ou a detenção penal, o cidadão romano, no entanto, conservava o direito a algumas escolhas como, por exemplo, a residência na qual ficaria em prisão domiciliar, juntamente com um soldado que o vigiava e acompanhava continuamente.
A Carta não esclarece como as notícias sobre a prisão de Paulo chegaram aos cristãos de Filipos, mas afirma que estes – preocupados com o Apóstolo dos gentios – enviaram-lhe uma doação através de Epafrodito (Fl 2,25; 4,18). Paulo manifesta na Carta sua gratidão pelo cuidado recebido e escreve-lhes no intuito de fortalecê-los na fé. Temendo que os novos convertidos fossem ofuscados pelas glórias apregoadas pelos judaizantes e se afastassem da fé cristã (HAWTHORNE, 2008, p. 561), Paulo fala sobre a kénosis de Cristo e convida seus leitores a seguirem as trilhas do esvaziamento de si como ele próprio procurava fazer. 

2 O FIO CONDUTOR DA CARTA: a kénosis 
O Hino Cristológico de Filipenses (2,6-11) é mais conhecido como hino da kénosis, referência advinda do termo grego kenós, que significa vazio, derivado do verbo kenóo encontrado em Filipenses (2,7) e que tem o sentido de privar-se de poder ou abdicar do que possui . A expressão caracteriza toda a vida de Jesus, o Filho de Deus, como alguém que não se apegou à sua condição divina e, ao entrar na história humana, assumiu as limitações da mesma. Ele, o Filho de Deus, sujeitou-se às vicissitudes da história, tornando-se susceptível ao egoísmo e à violência humana, que fizeram com que sua vida terminasse na cruz (ANDRADE; MIGUEL, 2009, p. 683).
É consenso entre os estudiosos da Escritura que o hino da kénosis não é de autoria paulina . A tese de autoria paulina é muito pouco aceita. Provavelmente o texto é oriundo da liturgia eucarística (SEGANFREDO, 2009, p. 127), o que significa que a teologia kenótica de Filipenses está em consonância com a celebração do mistério pascal, que é o centro em torno do qual a fé cristã gravita. Paulo propõe aos filipenses que façam a experiência do esvaziamento, resgatando a profundidade da mística cristã, que não se deixa desviar pelos adereços da religião. Ao usar o hino cristológico como pressuposto para exortar os filipenses ao esvaziamento, Paulo faz da teologia da kénosis o fundamento da vida de fé e revela que o esvaziamento é a marca identitária da fé em Cristo.
2.1 A kénosis de Cristo
Para von Balthasar (1981), a kénosis é o ser mesmo de Deus e o rebaixamento divino pode ser dito em três modalidades: a) Kénosis intratrinitária, em que cada pessoa da Trindade se recolhe em cooperação com as outras; b) Kénosis cosmogônica, em que o Deus-Criador se recolhe, se autoesvazia ou se autorrebaixa para criar o mundo; c) Kénosis teantrópica, em que Jesus – de condição divina – se rebaixa assumindo a condição humana e se faz o servo de todos. Em artigo sobre as exigências do reino e a kénosis, Sanches e Danilas (2014, p. 239) também trabalham essas três modalidades divinas. Nessa linha teológica, encontra-se também Ribeiro. Para ela, “Deus é a onipotente impotência quenótica do Amor” (RIBEIRO, 2004, p. 33). É sobre o terceiro tipo de kénosis, o esvaziamento e rebaixamento de Cristo, que a Carta aos Filipenses se empenha em aprofundar, conforme indica Filipenses (2,6-11). 
 O movimento abaixamento-exaltação é um elemento estrutural básico de toda a Epístola e está em sintonia com outros textos da Escritura, inclusive do Antigo Testamento. Dentre as referências veterotestamentárias, destacam-se a literatura sapiencial, que exalta a obediência do justo (SEGANFREDO, 2009, p. 132), o Servo Sofredor de Isaías, que experimentou o aniquilamento, e o relato do primeiro humano, que se arrogou o direito de ser como Deus (MALZONI, 2020, p. 158). 
Com o Servo Sofredor de Isaías (53), o hino de Filipenses tem uma série de palavras em comum, tais como humilhou-se, tornou-se obediente e foi exaltado por Deus (SEGANFREDO, 2009). Esse vocabulário, no entanto, não o torna dependente de Isaías, pois “a obediência do Servo de Javé não é exatamente a mesma de Cristo” (SEGANFREDO, 2009, p. 133). Se a primeira está na esfera da perseguição ao justo, a segunda encontra-se no âmbito do reconhecimento da condição humana na sua mais pura imanência. A obediência de Cristo não arrefeceu nem mesmo diante da experiência humana mais ignominiosa e humilhante, a morte na cruz (BARBAGLIO, 1991, p. 379). 
O texto tem também possibilidade de ser lido na perspectiva de uma cristologia adâmica. O Homem de Nazaré, ao contrário de Adão, o primeiro humano cuja queda deveu-se ao desejo de ser como Deus, esvaziou-se de sua condição divina e se fez o último de todos. O vocabulário paulino não é exatamente o mesmo do Gênesis, mas sabe-se que a teologia adâmica é uma constante nas cartas do Apóstolo. Essa leitura é feita por James Dunn (2003) e outros comentadores como G. Barbaglio (1991), A. Casalegno (2001) e R. Martin (2008), como foi mostrado magistralmente no estudo realizado por Malzoni (2020, p. 155-159).
 Textos do Novo Testamento mostram Jesus desprezando os excessos da religião e focando sua pregação na interioridade da fé. Ele critica os rituais de pureza (Mc 7,1-23), expulsa os vendilhões do Templo (Jo 2,13-22), relativiza o templo e o culto (Jo 4,19-26), estabelece novas formas de entrar em comunhão com Deus que não se baseiam na piedade judaica. Especial sintonia do texto paulino pode ser percebida com o relato do lava-pés, presente em João (13,3-17) (HAWTHORNE, 2008, p. 562), que indica uma transfiguração ou exaltação às avessas. De conviva que ocupa a mesa, Jesus se faz o servo de todos e lava os pés dos seus amigos. Tira o manto e coloca a toalha ou o avental, símbolo do serviço e do rebaixamento a que estaria sujeito em breve no madeiro da maldição. Tendo sinalizado profeticamente que o esvaziamento é uma marca da fé cristã, Jesus propôs em seguida que seus discípulos fizessem o mesmo (Jo 13,14). No último momento com os seus seguidores, não lhes deu orientações doutrinais, nem ensinou ritos e piedades que se tornassem o distintivo da fé. Ao contrário, desvestiu-se de toda compreensão teológica acerca de Deus e mostrou aos seus discípulos que a fé cristã tem como requisito o esvaziamento ou rebaixamento, a kénosis. 
Sua transcendência absoluta, o caráter insondável de seu mistério manifesta-se, mais além de qualquer concepção e imaginação humanas, em sua capacidade de tornar-se pequeno, pobre, de pôr-se ao nosso alcance e de manifestar-se em todo o seu esplendor no mesmo momento em que a morte parece tê-lo vencido definitivamente (BIGAOUETTE, 2014, p. 15).

No hino cristológico de Filipenses (2,6-11), assim como no lava-pés, nota-se que Cristo é o autor do rebaixamento. A iniciativa de esvaziar-se é dele. Ele não se apegou à sua forma divina. Ao contrário, renunciou a ela, optando pelo tipo de vida de todos os homens, efêmeros e mortais (BARBAGLIO, 1991, p. 378). Daí a importância do verbo considerar (hegéomai) , que se encontra na forma negativa, no aoristo. Cristo não considerou sua forma (ou condição) divina; não se apegou a ela. Esvaziou-se e humilhou-se, o que significa que ele perdeu poder ou abriu mão de algo importante. Cristo despojou-se de si, rebaixou-se mais ainda se tornando o servo dos servos, terminando sua vida na exposição humilhante de seu corpo no madeiro. “A crucificação, a forma de execução reservada para escravos e pessoas que tinham perdido todos os direitos civis, assinalava o extremo da humilhação humana” (BYRNE, 2011, p. 448). 
Sua atitude de esvaziamento não ficará sem ecos no coração do Pai, que será o responsável por sua elevação. Deus mesmo se digna a exaltá-lo diante de sua atitude kenótica. Como escreve Barbaglio (1991, p. 378), “a história de Jesus tem, pois, dois tempos nitidamente distintos: no primeiro, Ele é o protagonista ativo da decisão operativa de humilhar-se; no segundo, ao invés, é beneficiário da ação exaltadora de Deus”. Ou, nos dizeres de Byrne, 

O ato de abnegação de Cristo é correspondido pela resposta ativa de Deus. Sua obediência é “recompensada”, não no sentido de ter forçado Deus, mas de que Deus, em sua fidelidade, agiu para vindicar, “justificar” aquele que havia se colocado totalmente à disposição divina (2011, p. 448). 

Para Seganfredo (2009, p. 136), na exaltação de Cristo, nota-se que o esvaziamento é a via por excelência de acesso ao Pai. Assim, se de fato alguém quer fazer comunhão com o Deus de Jesus Cristo, não resta outro caminho senão a kénosis. A atitude kenótica de Jesus é dada como exemplar para o agir dos seus seguidores e indica a necessária kénosis da religião cristã. Ou seja, “o modo concreto como Jesus viveu é a fonte e o critério para toda teologia que tenha a pretensão de ser realmente cristã” (ANDRADE; MIGUEL, 2009, p. 683).

2.2 A kénosis de Paulo
Desde a saudação inicial, Paulo se apresenta como servo (Fl 1,1) e faz alusão às circunstâncias em que se encontrava por ocasião da Carta (Fl 1,12-16). Admite que tenha desfrutado de privilégios, dos quais, alegre e livremente, abdicou, considerando-os como lixo por causa de Cristo (Fl 3,7-9). Mostra-se convicto que Deus transformará seu pobre corpo esvaziado de glórias em corpo glorioso, pois Deus tem o poder de sujeitar a si todas as coisas (Fl 3,21).
Paulo toma como exemplo sua própria vida e suas cadeias para exemplificar a kénosis do discípulo de Cristo. Utiliza o termo grego fronein (fixar a mente em, ter uma atitude de), para convencer os filipenses acerca da vida de humildade e abnegação a que devem estar submetidos (Fl 1, 7) e para convidar seus leitores a viver do mesmo modo (Fl 3,15). Mais à frente, usa a mesma palavra para indicar os interesses egoístas que aos inimigos de Cristo estavam apegados (Fl 3,19) e, finalmente, a expressão aparece para admoestar os filipenses à solicitude uns com os outros (Fl 4,10).
Para Paulo, a vida verdadeiramente cristã só é possível no esvaziamento de si mesmo, quando se assume voluntariamente o papel de servo. Por isso, os cristãos de Filipos deveriam estar dispostos a ter o sangue derramado em libação, no serviço humilde aos irmãos, assim como Paulo (Fl 2,17); deveriam manter suas energias fixas em valores que bem distintos dos que são contrários à cruz de Cristo (Fl 3,18-19).
A experiência da kénosis de Cristo fez com que o Apóstolo se enveredasse pelo caminho da entrega sem limites mantendo-o lúcido nas cadeias que suportava. Estando em prisão domiciliar, aguardava o veredito final de sua sentença e sabia que a possibilidade da morte o rondava (Fl 1,12-16). Na sua impotência de fazer mais pela evangelização, Paulo entendia que o evangelho por ele anunciado estava ameaçado por pregadores que só buscavam interesses próprios (Fl 1,15-17; 2,20-21; 3,18-19).
Apesar das circunstâncias adversas nas quais a Carta foi escrita, ela não carrega nenhuma tristeza ou melancolia. Pelo contrário, mostra um apóstolo cheio de alegria e regozijo (Fl 1,4.8.25; 2,2.17-18.29; 3,1; 4,1.4.10). o apóstolo Paulo enfrenta adversidades. Sua fé, fundamentada na experiência pessoal com Deus num passado remoto, alimenta-se também de uma esperança viva. Ela se mostra baseada no próprio ressuscitado, com quem ele se encontrou no caminho de Damasco (At 9,1-22). Dessa experiência veio todo o conhecimento que transformou sua vida, de modo que o Apóstolo relativizou todas as coisas terrenas, até as mais altamente estimadas, considerando-as lixo ou esterco (Fl 1,19-26; 3,4-11.20-21). 
Mesmo em meio a circunstâncias terríveis, Paulo se alegra, pois as adversidades lhe deram a oportunidade de proclamar o Cristo (Fl 1,12-14). Essa atitude de despojamento, de intenso esvaziamento, aparece no início da Epístola na autodesignação de Paulo: servo (grego: doûlos). Bem diferente de outras Cartas em que Paulo se apresenta como apóstolo de Cristo (Rm 1,1; 1Cor 1,1; Gl 1,1; Ef 1, 1; Cl 1,1), nesta apenas se denomina servo do Cristo Jesus, junto como seu colaborador Timóteo.
Em vez de se tornar um impedimento para a evangelização, a prisão de Paulo proporcionou que sua fidelidade provada a Cristo se tornasse conhecida. Tornou-se motivo de encorajamento para muitos irmãos que pregavam destemidamente o evangelho. Por isso Paulo está seguro de que qualquer que seja a decisão do tribunal acerca de seu destino, o nome de Jesus será glorificado por meio dele. Quer seja libertado da prisão, quer tenha sua morte decretada, seu testemunho de esvaziamento de si mostrará a verdadeira natureza da fé cristã. Por causa de Cristo, tudo o que apreciava como valioso foi considerado lixo. O Apóstolo afirma que abriu mão de tudo, despojou-se de todas as coisas importantes de sua vida pregressa, para ganhar a todos para Cristo. Aprendera a viver na fidelidade a Jesus em qualquer circunstância; enfrentava com destemor tanto a tristeza quanto a perseguição. Mas sabia que, apesar de todo esvaziamento, ainda não era perfeito; corria sem desanimar para alcançar a Cristo, que o alcançara primeiro (Fl 3,12). Paulo corria em direção à perfeição de Cristo, exercitando-se cada dia num contínuo processo de renúncia e esvaziamento.
Mesmo em meio ao perigo, o Apóstolo segue o caminho do serviço, espelhado na vida de Cristo. A vida kenótica de Jesus dá sentido à sua própria vida; esforça-se para viver em comunhão com o sofrimento do Senhor e com a morte dele (Fl 3,10). Por isso podia apontar para si mesmo e dizer, sem traço de vaidade, “sejam meus imitadores como eu sou de Cristo” (Fl 3,17).
Paulo põe de lado todos os direitos e privilégios pessoais, para numa atitude de esvaziamento de si, empenhar-se nas necessidades e interesses dos outros. Esse é o coração da Carta. Cristo esvaziou-se de si. No seu seguimento, Paulo se esvazia para melhor servir a exemplo do Cristo. Os filipenses, como o Apóstolo, são chamados pela vocação cristã a assumir essa atitude kenótica a exemplo de Paulo.
2.3 Os judaizantes: uma kénosis às avessas
Se a kénosis de Paulo está garantida, o mesmo não pode ser dito dos judaizantes. Aqueles que anunciavam o evangelho por inveja ou por rivalidade fazem o caminho contrário da kénosis, pois buscam reconhecimento e glória. Consideravam a circuncisão da carne e a observância da Lei como mais importante que a cruz de Cristo. Entendiam a salvação como fruto do esforço humano e não como obra redentora de Deus através de seu Filho. Apegavam-se a tudo que Paulo desprezara; tudo que era lixo para ele ainda era coroa de glória para seus opositores. Usurparam o título de missionários, mas não assimilaram o verdadeiro radical do discipulado de Cristo. E, para tristeza do Apóstolo, havia quem lhes dava ouvido; entre os filipenses, ainda alguns se sentiam inseguro acerca da identidade cristã, e isso gerava divisões que comprometiam a vida da comunidade.
Por causa disso, Paulo adverte seus destinatários a serem firmes num só espírito e a lutarem juntos como uma só alma por causa do Evangelho. A insistência nessa unidade aponta para uma comunidade com problemas internos, não tão coesa quanto se esperava. “Haja entre vós o mesmo sentir e pensar de Cristo Jesus” (Fl 2,5). A expressão en Christo, que aparece no grego, é a base da kénosis que Paulo anuncia e vive. Alicerçados no esvaziamento de Cristo, os cristãos são chamados à mesma atitude de humildade e abnegação de si em favor dos outros. A kénosis de Cristo “corta pela raiz qualquer motivo de orgulho humano e veta toda possibilidade de vaidade por parte dos fiéis” (BARBAGLIO, 1991, p. 380). Não é possível seguir a Jesus e garantir glórias e honrarias ao mesmo tempo. “Se dela [da vida de Cristo] são participantes, é inconcebível que se deixem guiar por impulsos de orgulhosa ostentação de si mesmos” (BARBAGLIO, 1991, p. 380). Para quem é discípulo de Jesus, a vida gravita em torno do esvaziamento e da entrega de si e não em torno de seguranças religiosas.
2.4 A kénosis como pré-requisito para a vida cristã
Se Cristo, sendo de condição divina, renunciou a todo privilégio e, como o menor de todos, assumiu a existência humana morrendo na cruz, não parece possível outro desfecho para o autêntico seguir do Nazareno. Em conseguinte, Deus o exaltou acima de tudo e de todos, fazendo reconhecida sua soberania sobre todas as realidades. Paulo segue o exemplo de Cristo que se esvaziou de si. Os filipenses devem seguir o exemplo de Paulo, ou seja, devem ter os mesmos sentimentos de Cristo (Fl 2,5), pois foi-lhes dada a graça de sofrer com Cristo como o Apóstolo que lhes escreve.
Não é incomum no Corpus Paulinum aparecerem advertências aos leitores para que se comportem como assembleias cristãs, convocadas pelo Senhor (Ef 4,1; Cl 1,10; 1Ts 2,12). Na carta aos filipenses, o Apóstolo sai do vocabulário habitual e usa o termo técnico politeuomai  (1,27), para convidá-los a desempenharem sua obrigação como cidadãos. Os filipenses eram orgulhosos de seu status de cidadãos romanos (HAWTHORNE, 2008, p. 557) e poderiam entender a expressão como uma referência às suas obrigações para com a cidade. Contudo, Paulo não os convocava a uma cidadania exemplar ao modo romano, mas a cumprirem seus deveres para com a comunidade cristã. Apesar de não explicar imediatamente o que isso significa, faz entrever uma vida de esvaziamento e entrega ainda que o preço a pagar fosse alto: a união ao sofrimento de Cristo (Fl 1,29-30). O chamado à cidadania própria do evangelho aparece em Filipenses (2,1-4) quando Paulo convida os filipenses a renovarem a unidade no cuidado uns com os outros.
A unidade da comunidade de Filipos está ameaçada, pois egoísmo e arrogância não coadunam com a vida cristã (Fl 2,3). A dissensão interna está tirando de cena o amor, a comunhão e o companheirismo (Fl 2,14; 3,18-19; 4,2). A solução proposta por Paulo é o amor, prioridade máxima dos crentes, atitude de vida que coloca o bem-estar e os interesses dos outros acima dos interesses próprios (Fl 2,3-4). Paulo incentiva os filipenses à humildade, que é inerente à fé cristã. Assim, como cidadãos dos céus, cumpririam suas obrigações para com a comunidade de fé, e a própria comunidade de fé se edificaria sobre bases sólidas (Fl 3,17-20). O hino cristológico, utilizado por Paulo no capítulo 2, torna-se o fundamento da kénosis que se impõe como pré-requisito para a vida cristã.
Nota-se, pois, que a dobradinha abaixamento-exaltação ou esvaziamento-plenificação é o elemento estrutural básico da Epístola aos Filipenses. Paulo, o servo de Cristo (Fl 1,1) testemunha que desfrutou de muitos privilégios dos quais livremente abdicou-se por causa da fé no filho de Deus (Fl 3,7-9). Nessa kénosis, espera que Deus – que glorificou o Cristo – aceite a oferta de sua vida e transforme o seu pobre corpo mortal em corpo glorioso, pois Deus tem o poder de sujeitar a si todas as coisas (Fl 3,21). Independentemente do que acontecerá a si mesmo, Paulo está seguro de que fez o processo que deveria fazer. Não se apega a mais nada, pois já entendeu que “viver é Cristo e morrer é lucro” (Fl 1,21). 
Paulo mostra que o chamado à vida cristã se dá no esvaziamento de si mesmo, que o cristão deve assumir o papel de servo, de último de todos. E que, ainda que seja preciso derramar o sangue no serviço aos outros (Fl 2,17), terá valido a pena. Resta aos filipenses, como admiradores de Paulo, fazerem o mesmo, sem se deixarem influenciar pelos apelos dos judaizantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: na contramão da glória
Inspirados na Carta aos Filipenses, não seria demais afirmar como James Alison que “o protagonismo divino é forte, fortíssimo, ao passo que a presença divina é debilíssima. E o mais curioso é que a debilidade da presença é precisamente devida à força do protagonismo” (ALISON, 2008, p. 42, tradução nossa) . Exatamente na fé do auto-esvaziamento residem sua riqueza e sua glória, e não nos excessos religiosos. Na sobriedade da cruz, encontra-se a glória da ressurreição, pois é justamente pelo fato de Jesus ter se entregado sem reservas até o aniquilamento total que ele teve o veredito divino a seu favor: a ressureição (SEGANFREDO, 2009, p. 130). 
Assim, se queremos ser de fato identificados como discípulos de Jesus, cuja práxis se firmou no esvaziamento por amor e não na inflação de certezas dogmáticas ou práticas devocionais, devemos seguir o caminho da kénosis indicada por Paulo aos filipenses. Kénosis pessoal e kénosis da religião. Afinal, a fé cristã é a religião do amor desmedido de Cristo, visibilizado no seu esvaziamento. E o caminho da fé pensado a partir da pequena via do amor funda-se mais “na nudez, na dúvida e na desolação” (CARRARA, 2012, p. 65), que no ufanismo, na verdade universal e na vitória. 

REFERÊNCIAS
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NOTAS:

[1] Como escreve Mario Grech (Gozo-Malta) In:\r\nhttp://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/578027-um-cristianismo-sem-religiao.\r\nAcesso em 25 de abril de 2018. Ou Cristianismo não religiosos como prefere Vicente\r\nde Paula Ferreira (2015).

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[2] Expressão usada por Urquhart, título de sua\r\nfamosa obra (2002).

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[3] Segundo os evangelistas, a oração do\r\nPai-nosso, ensinada por Jesus aos seus discípulos, é dada no idioma do povo,\r\nnão no hebraico, língua obrigatória para as orações dos judeus naquela época. Pode-se\r\ninferir daí a rejeição por parte da comunidade cristã (e por que não, de Jesus)\r\nde um idioma sagrado, como defendiam as lideranças religiosas do judaísmo daquele\r\ntempo, atitude na qual a igreja incorreu posteriormente.

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[4] http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/578196-cnbb-1968-x-cnbb-2018-a-50-anos-de-distancia-o-que-esperar.\r\nAcesso em 25 de abril de 2018.

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[5] As autoras estudaram dez anos na FAJE e foram\r\nalunas do teólogo João Batista Libanio. Trata-se de uma citação oral, repetida insistentemente\r\nem sala de aula.

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[6] Consideraremos o texto de Filipenses tal\r\ncomo chegou até nós, ou seja, usaremos o critério da canonicidade sem levar em\r\nconta as hipóteses sobre o processo redacional da Epístola (HAWTHORNE, 2008. p.\r\n559).

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[7] O substantivo kénosis, aqui entendido como esvaziamento, não aparece no Novo\r\nTestamento. Em Filipenses (2, 7), encontra-se o verbo kénoo, no aoristo do indicativo (GNILKA, 1972, p. 211).

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[8] https://biblehub.com/greek/2758.htm. Acesso\r\nem 30/12/2020.

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[9] Para Barbaglio (1991, p. 377), “que o hino\r\nseja pré-paulino testemunha-o com certeza a presença de um vocabulário não\r\nusado pelo apóstolo e, sobretudo, a presença de temas teológicos que não se\r\nencontram em outros lugares do epistolário, ao passo que estão ausentes\r\nperspectivas tipicamente paulinas. Em particular, o hino é dominado pela\r\nantítese cristológica abaixamento-elevação, quando o apóstolo privilegia o\r\nbinômio morte-ressurreição”.

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[10] https://biblehub.com/greek/2758.htm. Acesso\r\nem 30/12/2020.

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[11] https://biblehub.com/greek/4176.htm. Acesso\r\nem 30/12/2020.

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[12] “el protagonismo divino es fortísimo,\r\nfuerte a mas non poder, pero la presencia divina es debilísima. Y lo más\r\ncurioso es que la misma debilidad de presencia es precisamente debida a la\r\nfuerza del protagonismo”.