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43. Apocalipse 12 - A força dos pequenos A mulher como grande sinal

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11.10.2021 | 20 minutos de leitura
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Acadêmicos
43. Apocalipse 12 - A força dos pequenos  A mulher como grande sinal
Solange Maria do Carmo [a]
Francisco Cornélio Freire Rodrigues [b] 

[a] Doutora em Teologia pela Faculdade dos Jesuítas (FAJE), Belo Horizonte; professora do Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e do Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA), Belo Horizonte, MG, Brasil. 
[b] Mestre em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), Roma; professor de Antigo e Novo Testamento na Faculdade diocesana de Mossoró (FDM), Mossoró,  RN, Brasil

Resumo
Apocalipse significa revelação de uma mensagem até então velada. O livro se apresenta também como profecia, mensagem em nome de Deus, no gênero de visões e sonhos e num código que deixa o texto claro para os iniciados. A trama aponta não para o futurológico fim do mundo, mas para o fim do mal, na ótica do Cordeiro que, mesmo imolado, continua de pé. O cap. 12 é um ato em três cenas. 1) Vv. 1-6: a mulher frágil, na iminência do parto, enfrenta o dragão, que não mira a mulher senão o filho, que é arrebatado. A mulher não é arrebatada: a comunidade cristã continua sua luta. 2) Vv. 7-12: o anjo Miguel é o próprio Deus combatendo pelos seus, os que dão testemunho da fé. A batalha empreendida no Céu é símbolo da batalha empreendida na Terra pelos cristãos. 3) Vv. 13-18: segundo enfrentamento. A continuidade da perseguição atualiza a perenidade das hostilidades sofridas por quem não se curva às atrocidades do poder dominante. A lição: esperança em meio à tribulação. Os pequeninos, sujeitos à história, prosseguem sua luta, pois são fortes na fé. Não esperam uma intervenção de Deus, que os privilegie e lhes isente do sofrimento; apenas buscam sua força para pisar os falsos-astros.

Palavras-chave
Apocalipse. Esperança. Luta. Pequenos. História

AP 12 - A FORÇA DOS PEQUENOS - a mulher como grande sinal

1.Contextualização

Para refletir um texto tirado do Livro do Apocalipse, algumas informações preliminares são importantes. Comecemos pela palavra apocalipse, normalmente entendida como catástrofe ou fim do mundo. O termo apocalipse costuma ser traduzido como revelação. Originalmente vem do grego avpoka,luyij – apokálipsis, substantivo derivado do verbo avpokalu,ptw – apokálipto, cujo significado é revelar, tirar o véu, desvelar, descobrir1.  Portanto, mais que catástrofe, apocalipse é a revelação de uma mensagem até então desconhecida, velada.
O texto traz a palavra profecia várias vezes (Ap 1,3; 22,7.10.18.19). Esse termo também, quando mal compreendido, deixa espaço para o leitor pensar em previsões futuras. Tomando o profeta como um visionário que antecipa conhecimentos futuros e não como um porta-voz de Deus, o termo profecia – que é uma mensagem de Deus – passaria a ter o significado de previsão de futuro. Em grego, profecia é profhtei,a – profeteia, um substantivo derivado do verbo   profhteu,w – profeteúo, e diz respeito à atividade de quem é profeta, em grego profh,thj – profetes, que significa “o que fala em nome de outro, de Deus”2 . É esse o sentido mais apropriado e adequado. 
O Livro do Apocalipse não trata de adivinhações de futuro, nem fala de um fim de mundo pré-anunciado que vai se cumprir um dia. Ele faz parte de um conjunto de livros do mundo judaico que foram escritos entre os séculos II a.C. e II 3 d.C. . No Antigo Testamento, temos o Livro de Daniel e de Zacarias, além de trechos de outros profetas como Ezequiel e Isaías. No Novo Testamento, com esse gênero literário, só o Livro do Apocalipse se afirmou como revelado. Temos trechos apocalípticos nos Evangelhos Sinóticos, vindos de Marcos (capítulo 13), além de partes de algumas Cartas, mas nenhum outro livro completo conseguiu lugar no cânon.
A linguagem apocalíptica é exigente e requer um olhar apurado para ser compreendida. Muitas vezes, o texto assusta, pois é cheio de imagens fortes, símbolos extravagantes, palavras cortantes, invectivas de dar medo... O uso recorrente de visões dá ao gênero o seu caráter de sonho. Num sonho, as imagens se misturam; não têm um correspondente exato. Até o tempo e o espaço se confundem; não são pontuais. Ao mesmo tempo que se está aqui, já se tem um salto para o ali. Ao mesmo tempo que o personagem é alguém conhecido, torna-se alguém novo, nunca visto. Volta-se ao passado, sem se descolar do presente e, num salto, chega-se ao futuro sem preparação prévia. 
Por causa disso, o gênero apocalipse não é evidente como uma carta, nem atraente como um evangelho. O autor apocalíptico, também chamado de vidente, escreve por meio de imagens e cores fortes, compondo um código, ou seja, um “sistema de símbolos que permite interpretar, transmitir uma mensagem, representar uma informação de dados”4 . Tudo está ao mesmo tempo velado e des-velado. Para os iniciados, o texto é claro; para os não iniciados, é uma incógnita. Essa técnica de escrever era muito usada em tempos de perseguição. Se falasse claro, o autor estaria colocando “sua cabeça a prêmio”, pois ele critica as autoridades, fala mal dos líderes, põe defeito nas instituições, corrige as prepotências dos grandes, encoraja os pequenos à luta, oferece resistência na crise... Falando em códigos, ele escapa da perseguição, ou pelo menos, não “entrega de bandeja” a sua cabeça para os perseguidores.
Normalmente, o autor fala sobre um acontecimento presente para alimentar a fidelidade na provação e fomentar a esperança nas coisas futuras. Mas, ao falar do presente, ele se projeta no passado para ganhar impulso e se lançar no futuro. Assim, muitas vezes, o passado serve de cenário fictício, como num filme de época. É o caso do Livro de Daniel, por exemplo, que, tendo sido escrito no II século antes de Cristo, coloca seus personagens (Daniel e seus companheiros) no tempo do rei Nabucodonosor (século VII a.C.), na Babilônia. Nabucodonosor do século VI a.C. é figura para falar de Antíoco IV, do século II a.C. O rei da Babilônia é uma espécie de pseudônimo, usado para criticar o rei selêucida. Não é incomum que, nos apocalipses, os personagens principais fiquem velados sob a máscara de nomes conhecidos. Desta forma, só quem sabe do que ele está falando (da perseguição dos selêucidas, na pessoa de Antíoco IV, por exemplo) compreende bem sua mensagem. 
Logo, apocalipse é revelação sim, no sentido que, em meio a tantos conflitos, Deus se mostra presente na história e, pela palavra do vidente, dá sua força aos que vivem a proposta do Reino. Ele se revela no meio do seu povo; ele lhe confere confiança e esperança. Mas não é revelação, se essa palavra é entendida como ato de prever o futuro ou adivinhar coisas ocultas. Assim entendido, o Livro do Apocalipse trata de um fim, mas não do “fim do mundo” como especulação futurológica, mas como esperança do fim do mal que, no momento em que o livro é escrito, assola os leitores. Por meio de imagens surrealistas, que escapam a toda tentativa de explicação, o autor fala de problemas do tempo presente e ajuda sua gente a resistir aos malvados. Ele mostra que a história não está fechada, mas aberta à ação divina e deve ser lida sob a ótica do Cordeiro que, mesmo imolado, continua de pé (Ap 5,6). 

2. O Livro do Apocalipse e suas possíveis leituras
Todo livro pode ter várias chaves de leitura. Com os livros da Escritura, não é diferente. O Livro do Apocalipse permite muitas interpretações e, normalmente, elas são guiadas pelo modo como o leitor visualiza o texto, ou seja, o modo como ele entende que o autor final organizou sua obra antes de apresentá-la aos seus destinatários. 
No caso do Livro do Apocalipse, encontramos três esquemas mais recorrentes.
a) O livro tem como eixo orientador o evento do Êxodo e apresenta um enredo em forma de um crescendo até chegar no ponto máximo, a libertação, ou seja, achegada da Nova Jerusalém (Ap 21–22).
b) O livro é permeado por um conjunto de sete bem-aventuranças5  (Ap 1,3; 14,13; 16,15; 19,9; 20,6; 22,7; 22,14), começando pela primeira que é relacionada à leitura e observação da profecia do vidente até a última que bendiz quem lava as vestes no sangue do Cordeiro.
c) O livro é como um quadro com diversas molduras, cuja imagem central é Ap 12–14, o embate entre a mulher e o dragão, as feras, Miguel etc. Nessa perspectiva, a cena da mulher e o dragão, foco deste artigo, tem centralidade, conforme mostra o quadro abaixo pensado por Konings6.


Nessa ótica, o suspense é elemento fundamental da trama do livro, tal como era experimentado pela Igreja nascente na expectativa da Parusia, quando finalmente ficariam livres de toda perseguição, dor e sofrimento. O autor, com um sorriso no canto da boca, vai mostrando o que estava escondido (sete selos são rompidos, sete trombetas são tocadas) até chegar no ato principal da peça, o enfrentamento da mulher e o dragão (depois do qual sete taças são sorvidas). Fica evidente em toda a obra uma refinada ironia; uma espécie de gozação, da qual o escritor se utiliza para mostrar que os fracos vencem os fortes. Tendo narrado o embate entre a mulher e o dragão, o leitor já pode deduzir o que vai acontecer depois: um novo céu e uma nova terra.

3. Apocalipse 12: um ato em três cenas
Para melhor mergulho no mistério proposto em Ap 12 (a força dos fracos – a mulher como grande sinal), assumimos o relato em questão como um ato teatral dividido em três cenas.

1ª cena: primeiro enfrentamento entre a mulher e o dragão (vv. 1-6)
2ª cena: a batalha no céu entre Miguel e o dragão (vv. 7-12)
3ª cena: segundo enfrentamento: a mulher, o dragão e os filhos da mulher (vv. 13-18).

1ª cena - A ameaça pressentida: o dragão pronto para atacar (v. 1-6)

A imagem da mulher em dores de parto aparece em Is 66,7-9 que, segundo o Targum de Isaías, trata do nascimento do rei messias7. Mesmo acostumado à tradição veterotestamentária, o leitor do Apocalipse não pode escapar à surpresa de encontrar, nos primeiros versos do capítulo 12, a mulher como um grande sinal8: “um sinal grandioso apareceu no céu; uma mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”9. Apesar de alguns livros do Antigo Testamento (Ex 38,8; 1Sm 2,22; 2Rs 23,7) acenarem para as mulheres como “combatentes” (zobeòth), “encarregadas especiais no serviço da ordem ao ingresso da tenda” (MAGGI, 1990, p. 35), o judaísmo – firmado depois do retorno do exílio – parece ter esquecido esse precedente. Os direitos das mulheres, já bem escassos, vão desaparecer e crescerá uma corrente depreciadora da figura da mulher. A desconfiança com o feminino chegará a tal ponto de o Talmude afirmar que “o mundo não pode existir sem machos e fêmeas, mas feliz aqueles cujos filhos são machos e infelizes aqueles cujos filhos são fêmeas” (Baba Batra, B. 16b). Soa ainda pior a afirmação do Livro do Eclesiastes: “a mulher é mais amarga do que a morte” (Ecl 7,27). Não incomum era o consolo dado à mãe na hora do parto: “Não temas, porque vais gerar um menino!” (Berakot r., 82,8) e também não raro era o abandono da menina recém-nascida, tal a decepção dos pais com o seu nascimento (cf. Qiddushin, M. 4,1.2). O desprezo à mulher era tal que recaía sobre o varão a obrigação de rezar três vezes ao dia, bendizendo a Deus por não ter nascido mulher. “O homem é obrigado a oferecer a Deus três bênçãos ao dia: porque me fizeste hebreu, porque não me fizeste mulher, porque não me fizeste campônio” (Berakot, Y. 13b).
Segundo essa tradição, afirmar que a mulher é um grandioso sinal que se mostra no céu é no mínimo inusitado, inesperado, contraventor. Na lógica do judaísmo, a partir da expectativa de libertação do domínio estrangeiro, o grande sinal seria certamente um varão, valente guerreiro, montado em seu cavalo ou na sua carruagem de guerra, pronto para o combate. Mas é uma mulher, símbolo da fragilidade, da dependência e da submissão, que será o sinal celeste capaz de devolver a esperança para a comunidade cristã. 
A mulher não tem armaduras, não tem armas, mas está vestida com o brilho10 da fé que vem de Deus, sol maior. É o ser das alturas que contém em si as fontes de luz do universo.  Reconhecendo-se nessa mulher, a comunidade cristã11 vê renascer sua esperança. A lógica de Deus ou do céu não é a mesma dos poderes terrenos, pensam os cristãos. Como afirmou Paulo, ele “escolheu os fracos para confundir os fortes” (1Cor 1,27). Uma frágil mulher, coroada como rainha, ofusca todo aquele que tem a pretensão de ser rei. Sob os pés da comunidade cristã, representada na mulher, estão aqueles que se entendem astro-rei, mas não têm luz própria; é plágio, embuste, falsete, enganação, simulacro... Todas as autoridades que mostram a grandeza e o fulgor de seu poder pela força da violência irão se curvar diante da pequenez da mulher. Ornada com uma coroa de doze estrelas, ela mostra como se faz o reino dos pequenos. Ele não se implanta pela força de seu próprio brilho, mas porque se reveste de Deus, que é a luz. A tradição judaica representada nas doze tribos, e ora afirmada na tradição cristã representada nos doze apóstolos, qual estrelas coroa a mulher preanunciando aos leitores a vitória da comunidade cristã. Ainda que gigantes sejam seus inimigos, nada vencerá a força da humildade e do enfraquecimento dessa mulher. O autor do Apocalipse está certo de que nada pode deter a fé e a esperança daqueles que se entregam pelo testemunho do Ressuscitado.  
Como se não bastasse usar o símbolo do feminino, representação da fragilidade e da submissão, o autor ainda abusa da figura da mulher, colocando-a grávida, na iminência do parto: “estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar à luz” (v. 2). Como pode ser um sinal grandioso aquela cuja vida está ameaçada para dar vida a outro ser? Como pode uma mulher parturiente ser anunciada como grande sinal no céu? Uma inversão escatológica capaz de confundir até os mais sábios! A comunidade cristã, o novo Israel de Deus, gera seu filho para o mundo. Entre dores de perseguições e martírio, vê sua vida por um fio, mas não desiste de dar à luz Aquele que é a luz do mundo (Jo 8,12). Está atormentada, perseguida, mas como uma parturiente não pode negar seu filho ao mundo; não pode retê-lo para si mesma, prendendo-o em seu ventre. Toda sua gestação foi para essa hora. 
Descrito o drama do parto, o escritor anuncia o aparecimento de outro sinal, mas não “um grande sinal” como dito anteriormente: “apareceu, então, outro sinal no céu; um grande Dragão, cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e sobre as cabeças sete diademas” (v. 3). Para susto do leitor, mais uma inversão. O Dragão, figura da mitologia afirmada como perigo por sua força e grandeza, se mostra no céu. Em vez de um socorro na hora do paro, a mulher vislumbrará um inimigo, descrito com cores e formas monstruosas. O ser dos abismos é grande, cor de fogo, tem sete cabeças e dez chifres, mas ainda assim é só um sinal. Contrapondo o ser das alturas (a mulher revestida do sol) com o ser das profundezas (o grande dragão cor de fogo)12, o autor do Apocalipse mostra que o inimigo não é um grande sinal como a mulher parturiente. Todos os atributos que o descrevem não são senão atributos de dragão. Não está investido de força ou luz (sol), não pisa sobre astros (lua) nem os traz como adorno sobre a cabeça (estrelas). Sua ameaça é blefe: sua cor de fogo é camuflagem; suas sete cabeças são uma tentativa de confundir os que o combatem fazendo-os crer que é imortal; seus chifres, símbolo do poder e da força, se firmam sobre cabeças provisórias e mostram sua caducidade. Para que diademas sobre cabeças que não se sustentam? De que adianta ter chifres poderosos, se esse dragão extravagante é apenas um inimigo construído como as figuras da mitologia? Ainda que sua cauda arraste um terço das estrelas do céu, lançando-as sobre a terra (v. 4a), sua própria atitude de ira é sinal de sua derrota. Não varrerá toda estrela do céu! Não derrubará as estrelas firmadas na coroa da mulher! Seu poder – apesar de representado pelo número dez, sinal de completude e totalidade – se mostra frágil e tênue diante da tranquilidade da mulher que sofre as dores do parto.
Certamente, o autor – escrevendo em tempos de perseguição da comunidade cristã pelo poderoso império romano – têm em mente Roma, o dragão13 cor de fogo que com sua cauda bélica subjuga a terça parte da Terra. As estrelas de outros poderes temporais são varridas por sua força. Assentada sobre sete colinas, Roma reina, imortal com sete cabeças. Seus governantes – qual chifres – mostram seu poder devastador matando, arruinando, destruindo, rasgando com sua truculência as entranhas de populações inteiras. Parecem não ter fim, pois um sucede o outro. E quando, na fragilidade de um deles, o reino parece mostrar suas quebraduras, lá está outro imperador pronto para dominar sem deixar as sete cabeças sem adorno real. 
Mas, em nenhum momento, tremor ou temor são descritos como atributos da mulher. A comunidade cristã não se deixa ameaçar, não foge, não entra em pânico; segue em dores parindo seu filho. O dragão, ao contrário, “postou-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho, tão logo nascesse” (v. 4b). Como uma fera doida, o perseguidor da fé se detém para dar o bote. Arma o pulo, espreita a presa, mas não mira a mulher senão o filho a quem ela dá à luz.  Seu alvo é o filho da mulher; seu inimigo uma criança recém-nascida, frágil, debilitada, necessitada de proteção, muito mais que a mãe que lhe traz ao mundo14
Sabedor da precariedade dos grandes opressores, o autor do Apocalipse descreve o dragão como uma fera ameaçada. Aquele que ameaça, na verdade, faz isso por se sentir ameaçado pela força de sua presa. O menino que vai nascer põe em risco os poderes deste mundo, pois não lhes dá crédito, nem fomenta sua sede de poder. Impassível a todo ronronar da fera, “a mulher deu à luz um filho, um varão, que regerá todas as nações com cetro de ferro” (v. 5a). O cedro de ferro significa um poder que não se dobra diante de bajulações, não se enverga diante do peso das torturas, nem se deixa carcomer pela corrupção econômica. Maior que qualquer poder do dragão é o cedro de ferro que esse menino traz na mão: o reino de justiça e fraternidade que o Nazareno implantou e ensinou os seus a construir. O comando decidido do bem atrapalha os que comandam para o mal. Segue impassível na construção do Reino a comunidade cristã, apesar das ameaças e perseguições do império opressor. Essa mulher gera com sua dor um menino, o Cristo ressuscitado, que nenhum poder deste mundo pode mais destruir, pois “foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono” (v. 5b). Morto uma vez, Cristo já não morre mais (cf. Rm 6,7); reina junto do Pai e seu reino não se compara aos reinos dos poderosos deste mundo, cujas bases se firmam sobre o aniquilamento dos pequenos e a exploração dos inocentes. Ele está acima da história, mas continua agindo soberanamente no mundo por meio daqueles que nele creem e o testemunham com suas vidas. 
Arrebatado o menino, “a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar em que fosse alimentada por mil duzentos e sessenta dias” (v. 6). Se o Cristo ressuscitado já ascendeu deste mundo para o Pai, a comunidade dos crentes, no entanto, continua sua labuta no deserto da vida, onde encontra refúgio e proteção da parte de Deus. Por mil duzentos e sessenta dias – valor correspondente a três anos e meio, ou seja, a metade de sete, que simboliza a perfeição –, ela será alimentada. Não lhe faltará o pão da Palavra durante toda sua vida, representada pela metade de sete, ou seja, finita, limitada. Ela ainda não se encontra na plenitude dos tempos; habita em meio a dores e angústias, mas não para sempre. Esse tempo é limitado e seus dias são contados (mil duzentos e sessenta dias), mas ela não está só. Como Israel foi alimentado pela providência de Deus no deserto (cf. Ex 16), a comunidade cristã será alimentada durante toda sua desértica peregrinação pelo mundo. A mulher é frágil, mas não está desamparada. Não conta com sua força, mas com a força do Deus-forte.
Na sutileza de sua escrita, o autor faz os leitores perceberem que a mulher não é arrebatada junto com o seu filho; ela foge para o deserto, lugar onde o povo se organizou para combater em prol da Terra Prometida. Também a comunidade cristã continua sua luta. Ela permanece sujeita à história, apesar de contar com a força de Deus. Na fidelidade ao evangelho de Jesus, o escritor não engana nem ludibria os crentes, fazendo-os pensar que Deus vai intervir e impedir o sofrimento dos fiéis. Os que creem permanecem no deserto, lugar de constantes vicissitudes e provações (cf. Mt 4,1-11; Lc 4,1-13) mas também da experiência do amor (cf. Os 2,16). A comunidade cristã caminha rumo ao martírio como o Nazareno. Os cristãos não seguem um rei vitorioso, cujos poderes bélicos derrubou os inimigos e os fez virar pó. Seguem o Crucificado que, dando sua vida no Gólgota, ensinou-lhes também a dar a vida. Estão certos, porém, de que não lhes faltará o alimento da fé e da esperança que também alimentou o corajoso Elias no deserto (cf. 1Rs 19,3-8). A mulher é alimentada no deserto indicando que a comunidade cristã, apesar de frágil e vulnerável, permanece sob os cuidados de Deus que a sustenta com sua palavra da vida.
 
2ª cena: A batalha no céu – o enfrentamento entre Miguel e o dragão (v. 7-12)

A mulher no deserto se encontra alimentada por Deus, que lhe preparou um lugar15, o seu coração, que a guarda da desesperança e do desalento. Na batalha da vida, permanece animada a comunidade cristã que insiste em fazer nascer no mundo, pelo anúncio do evangelho, o menino-rei. Enquanto isso, no céu, Deus toma a dianteira na luta16 e, para enfrentar o Dragão, assume ele mesmo a batalha na figura de Miguel, cujo nome já traz implícito o desafio da vitória (Quem como Deus?). Certamente Miguel não diz respeito a um anjo poderoso de asas grandes e espada na mão, como aparece na representação iconográfica. Nem os anjos aos quais o autor se refere são os seres alados da religiosidade popular. Na Escritura Sagrada, anjo é o próprio Deus, que, não podendo ser visibilizado pelos homens (ou estes morreriam), toma forma angélica para se comunicar com os seus. O autor retoma Dn 10,9-19, quando Miguel empreendeu outra batalha, socorrendo Daniel contra os ataques dos reis da Pérsia. Não resta dúvidas de que, na batalha da mulher com o dragão, a vitória é certa, como o foi no relato de Daniel. Para confirmar essa certeza, os verbos aparecem sempre no passado. A vitória já é definida na Terra, pois o Dragão foi vencido no Céu (GORGULHO; ANDERSON, 1977). Deus e todo aquele que pertence ao seu partido, ou seja, todos aqueles que assumem o amor e a fidelidade como meta, batalham a favor da comunidade cristã. Ela não está só na sua labuta. Deus mesmo é seu escudo e sua proteção (cf. Sl 28,7).
Os poderosos, porém, acostumados à vitória, não sabem perder. O Dragão insiste batalhando, tendo ao seu lado sua milícia, aqueles que afirmam seu reino pela opressão, pela violência e pelo desprezo da vida. Mas o nome de Miguel já indica a vitória. “Quem é como Deus?”, perguntam os que creem. Quem poderia vencê-lo? A vitória é dele, pois, agindo Deus, quem impedirá? (cf. Is 43,13) ou, como afirma o salmista, “uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos; nós confiamos no Senhor” (Sl 19,8 ). Vencido, o derrotado perderá seu lugar no céu, cenário da batalha empreendida entre Deus e o Dragão. Será expulso17  para a Terra aquele que é identificado com todas as forças do mal; a antiga serpente, o diabo e satanás, sedutor da terra habitada.
A antiga serpente, símbolo da sedução e do mal, aparece inúmeras vezes na Escritura. Ela representa a tentação do povo monoteísta a seguir os deuses de uma religião mais fácil, como o baalismo. Enquanto o monoteísmo bíblico exige fidelidade, justiça e compromisso com os pequenos, o baalismo se contentava com o culto: as oferendas, os rituais, a liturgia... Tornou-se, por isso, sinal de sedição e malícia, a tal ponto de ludibriar a mulher convencendo-a a comer o fruto proibido (cf. Gn 3,1-6). Também no Livro dos Números, a serpente volta a dar sua cara quando causa a perda dos revoltosos, aqueles que não sabem sofrer as contradições e auguras do deserto da vida, aqueles que procuram uma vida de fé fácil, baseada nas compensações que Deus pode lhes oferecer (cf. Nm 21,4-9). 
O diabo, do grego dia,boloj - diábolos, cujo significado primeiro é “aquele que divide”, é o provocador de desordem ou caluniador. Trata-se do mesmo satanás ou satã (palavra hebraica que significa inimigo ou competidor de Deus), personagem conhecido no Antigo Testamento, que foi o responsável pelo destino desastroso que tomou a vida do impecável Jó. Dores e sofrimentos sem par foram imputados ao homem fiel, a fim de que ele amaldiçoasse a vida e abandonasse sua fé em Deus. Mas foi derrotado pela confiança na misericórdia divina, que fez Jó permanecer numa vida sem mancha. 
Tendo como pano de fundo esses personagens bíblicos, o autor do Apocalipse apresenta a história como palco da ação do mal. O mal não quer ser derrotado pela mulher e seu menino; os grandes não admitem perder, especialmente para os mais fracos. Assim, os leitores compreendem o sofrimento que lhes é imposto por causa da fé. Satanás foi derrotado no Céu, queria ser adorado, glorificado, reconhecido como divino. Mas, como há um só Deus e só a ele os cristãos prestam culto, satã – cheio de cólera – investe contra os fiéis. Na luta no Céu, o dragão perdeu; será que resta alguma chance para ele na Terra? 
Com essa imagem da expulsão do dragão – satanás ou diabo – para a Terra, o autor mostra à comunidade cristã que as intempéries da vida são resultantes de uma batalha já terminada, logo não há o que temer. Os poderes que atacam e ameaçam os cristãos – a mulher – já estão vencidos. A ira do dragão é o atestado de sua derrota; suas investidas são símbolo de seus poderes quebrados, limitados... 
Ouve-se então uma forte voz no Céu, que anuncia o veredito da batalha. Ainda que o vencido se esperneie, não há mais o que fazer. A salvação, o poder e a realiza de Deus já foram manifestados na autoridade de seu Cristo. A autoridade de Cristo, como é bem sabida, não vem de seus chifres (poder ameaçador), mas de seu amor e de sua mansidão, do modo carinhoso e bom como acolhe os pequenos e sustenta os fracos. É nessa autoridade amorosa que Deus se mostra, se revela, no seu Cristo na cruz. Ficou expulso o acusador, o mesmo satã que acusava injustamente Jó. 
Curioso notar que Miguel combate, mas quem vence são os que dão testemunho da fé: “Eles, porém, o venceram graças ao sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho, pois desprezaram a própria vida até a morte” (v. 11). A batalha empreendida no Céu é símbolo da batalha empreendida na Terra pelos cristãos. Não são armas poderosas que garantem a vitória, nem rituais religiosos, mas a vida entregue na cruz.  

3) 3ª cena: A perseguição final – o dragão combate a mulher e seus filhos (v. 13-18)

Na terceira cena, percebe-se a retomada da primeira, ou seja, novamente o texto narra o enfrentamento entre a frágil mulher e o grande dragão, envolvendo também os filhos da mulher, como últimas vítimas do perseguidor. O autor ressalta, acima de tudo, que as forças hostis não sossegarão enquanto não eliminarem por completo tudo o que as ameaça: a força dos pequenos e a confiança que esses têm em seu Deus. Ora, o Filho recém-nascido, arrebatado para junto de Deus e seu trono (v. 5), é o garante da vitória de todas as gerações de descendentes da mulher.
A continuidade da perseguição atualiza e, ao mesmo tempo, prefigura a perenidade das hostilidades sofridas por quem não se curva às atrocidades do poder arbitrário imposto pelos sistemas dominantes. O dragão insiste na perseguição, pois sabe que, na aparente fragilidade da mulher, está a sua força: a capacidade de gerar vidas e fazer multiplicar os seus filhos; por isso, a perseguição será estendida também à descendência da mulher (v. 17).
Como o povo da antiga aliança fora libertado da exploração egípcia pela mão poderosa do Senhor, que é o Deus dos pequenos, a mulher perseguida recebe também dele a sua proteção. A imagem das “asas de águia” evoca as palavras de Deus ditas a Moisés: “Vós mesmos vistes o que eu fiz aos egípcios e como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe a mim” (Ex 19,4). Em um momento crucial para a vida da comunidade, a qual agonizava como uma parturiente, fazer memória da ação de Deus em favor do seu povo é essencial, sobretudo, para mostrar que Deus continua vivo e atento aos problemas deste mundo, ainda mais agora que o Filho da mulher está assentado em seu trono. 
A antiga experiência do deserto norteia o relato. No deserto, lugar da provação, mas também da confiança e da fidelidade, a comunidade é encorajada a perceber a perenidade da hostilidade. Novamente o período de três anos e meio é recordado, dessa vez com a expressão “um tempo, dois tempos e a metade de um tempo”. Ora, a imagem da fuga para o deserto é também um incentivo para a comunidade buscar novas alternativas de vida, um modo de dizer que é possível viver sem deixar-se influenciar pela ideologia dominante. Por mais que estejam sujeitos à história, os cristãos não estão obrigados aos acordos sujos e patéticos dos poderosos. É preciso buscar alternativas criativas para esquivar-se do mal e de sua trama de morte.
Enquanto a comunidade busca alternativas de organização e sobrevivência sem submissão à Roma e mantém-se sob a proteção divina (fuga para o deserto), as forças imperiais crescem no seu enfurecimento. É esse o sentido do vômito da serpente/dragão, que quer atingir a mulher de qualquer maneira. Embora seja sinal de vida, a água é também símbolo de morte no Antigo Testamento. Quanto ao socorro da Terra, parece oportuna a opinião de P. Prigent: 
a terra vem em ajuda da mulher, ela abre a sua boca e engole o rio. A formulação lembra bem de perto o relato do castigo de Coré e dos seus (Nm 16,30-32): a terra abre a boca e engole os rebeldes que contestavam a autoridade de Moisés, o chefe que Deus havia dado ao povo para conduzi-lo no deserto18.
Além da alusão ao Antigo Testamento, com essa imagem, o autor do Apocalipse mostra também a capacidade de organização e luta das comunidades perseguidas contra seus opressores. O poder imperial, com todos os seus aparatos, político, econômico, militar e religioso, não é invencível. À medida que as comunidades se deixam conduzir pela mensagem do evangelho, podem elas mesmas, sem esperar por milagres, criar formas de superação. A imagem da Terra engolindo o rio faz pensar no socorro divino que vem na hora menos esperada, reforçando a mensagem de esperança do Apocalipse.
A extensão da perseguição do dragão, passando da mulher aos seus descendentes (v. 17), não é novidade19, mas apenas um reforço enfático, que mostra que as forças do mal não dão trégua aos que vivem o evangelho. Ora, na perseguição à mulher, descrita em versículos anteriores, subentende-se também a perseguição aos filhos, a começar pelo primogênito, o qual foi arrebatado para junto de Deus (v. 5). Com essa insistência, o autor reforça sua mensagem: quanto mais a comunidade cristã resiste, mais desperta ira no dragão, ou seja, no poder opressor de Roma. O motivo da perseguição é muito claro: não se trata de uma mera disputa pessoal, mas sim da fidelidade à mensagem de Jesus, sintetizada pela expressão “os mandamentos de Deus”, entendida como “testemunho de Jesus”. De fato, quem guarda os mandamentos – os dois mandamentos que Jesus preservou: “amar a Deus e ao próximo como a si mesmo” – atrai para si a ira de quem não age conforme a verdade, de quem não conhece o amor e a justiça. Por isso, como filhos da mulher, filhos no Filho, os cristãos se tornam alvo do dragão e de todo sistema injusto de poder ainda hoje.
O dragão não desiste, não se deixa vencer facilmente: “Então se colocou em pé, na areia do mar” (v. 18). Esse é um versículo de tradução controversa, mas somos de acordo que se refere ainda ao dragão, e não ao vidente-profeta como sugerem algumas traduções20. Utilizando a imagem do mar, que representa hostilidade segundo a mentalidade semítica21 o autor do Apocalipse revela sua convicção de que o dragão se identifica com as forças de morte. A fronteira entre a terra e o mar, a areia do mar, é referência à falsidade, à enganação. Se o mensageiro da promessa, um anjo, tem os pés firmes sobre a terra e o mar (Ap 10,5), o dragão tenta se equilibrar na instabilidade da areia. Enquanto a mulher com seus descendentes recebe ajuda do alto, do trono de Deus onde está o Filho, lá onde a vida é plena e abundante, o dragão espera sua força do mar, onde só há morte, onde o mal habita, pois é do mar que surgirá a besta de dez chifres e de sete cabeças (cf. Ap 13,1).

4. Esperança em meio à tribulação

Se tem algo que alimenta a luta é a esperança. Acreditar que “amanhã vai ser outro dia”, como disse chico Buarque, é energia poderosa que faz os pequeninos continuarem empenhados nas grandes batalhas, mesmo que a vitória lhes pareça impossível. É consolador saber que a vida dá voltas. É reconfortante estar ciente que quem manda hoje pode estar sob comando de outro amanhã, que quem é desprezado aqui pode ter voz e vez ali na vizinhança. Ou ainda, nada como um dia depois do outro mostrando a fugacidade da vida e a fragilidade das grandes potências. Todo reino conhece seu fim. Todo poder se desmorona como anunciou Maria no magnificat (cf. Lc 1, 51-53). Os tronos não são tão estáveis, e os que se saciam no pôr do sol podem ter seus pratos esvaziados no romper da aurora. 
A vida segue sua marcha com uma vaga sucedendo a outra, com uma tribulação achando sossego até que outra se instale. Quando, atacados pelo dragão, somos arrebatados ao deserto, alimentados por Deus, salvos pelo rio que engole a serpente. Frágil, como a mulher em dores de parto, a comunidade de fé segue corajosa sua peleja porque se encontra revestida do poder do Altíssimo. Ele, sol maior, lhe concede seu brilho; ele luta a seu favor. 
Certamente os cristãos de hoje – como a comunidade cristã destinatária do Livro do Apocalipse – não estão isentos de tribulações, nem a comunidade de fé está imunizada contra os embustes do maligno. Estando sujeitos à história, os cristãos prosseguem sua luta diária até o sacrifício da própria vida. Não esperam uma intervenção de Deus que os privilegie e lhes isente do sofrimento; apenas buscam sua força para pisar os falsos-astros que se pretendem deuses. Sabem que sua fraqueza é sua força, pois como disse Paulo: “é quando sou fraco que sou forte” (2Cor12,10). No embate da vida, Apocalipse 12 é um consolo, um sinal de esperança. É obra divina – dom de Deus – acreditar que os fracos têm força, que os pobres têm chance, que os pequenos são um grande sinal para o mundo. O Deus de Jesus Cristo marcha à frente dos seus garantindo-lhes a vitória, afinal “quem como Deus?”. Não há bicho de sete cabeças capaz de vencer a comunidade cristã, que gesta em seu ventre o Ressuscitado.
  
Referências bibliográficas

ANDRADE, Aíla Luzia Pinheiro. Eis que faço novas todas as coisas: teologia apocalíptica. São Paulo: Paulinas, 2012.
ARENS, Eduardo; DIAZ MATEOS, Manuel. O Apocalipse: a força da esperança. São Paulo, Loyola, 2004.
GORGULHO, Gilberto S.; ANDENSON, Ana Flora. Não tenham medo: Apocalipse. São Paulo: Paulinas, 1977.
GUERVARA, Hernando. Ambiente político del Pueblo judio em tempos de Jesús. Madrid: cristandad, 1985.
KONINGS, Johan. O Apocalipse joanino. Orácula, v. 5, n. 9, p. 1-11, 2009.
MAGGI, Alberto. Nossa Senhora dos heréticos. São Paulo: paulinas, 1990.
PRIGENT, P. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 2002.
RUIZ, José M. González. El libro del testimonio Cristiano. Madrid: Ediciones cristandad, 1987.
RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003.
SCHICK, Eduard. O Apocalipse. Petrópolis: Vozes, 1980.
UMA LEITURA do Apocalipse. São Paulo: Paulinas, 1986 (Cadernos bíblicos).
AURÉLIO. Dicionário on line. Disponível em https://dicionariodoaurelio.com/codigo; acesso em 07/12/17.

Notas:
  1. 1.RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003. p. 66.
  2. 2.RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003. p. 400.
  3. 3.Para Guervara, esses livros não foram ainda datados com segurança e pouco se sabe sobre o contexto em que foram escritos. Cf. GUERVARA, Hernando. Ambiente político del Pueblo judio em tempos de Jesús. Madrid: Cristandad, 1985. p. 163.
  4. 4.Definição do Dicionário Aurélio, disponível em https://dicionariodoaurelio.com/codigo; acesso em 07/12/17.
  5. 5.Em hebraico, bem-aventurado é um verbo no imperativo: yrEÛv.a; – ash’rei, o qual, mais que uma proclamação de felicidade, significa avançar, seguir em frente, prosseguir, caminhar, pôr-se em marcha. Uma bem-aventurança é, portanto, uma ordem de batalha dada aos combatentes para que vençam todo desalento e toda tibieza e, sobretudo, todo tipo de medo.
  6. 6.KONINGS, Johan. O Apocalipse joanino. Orácula, v. 5, n. 9, p. 1-11, 2009.
  7. 7.Cf. RUIZ, José M. González. El libro del testimonio. Madrid: Ediciones Cristandad, 1987. p. 147.
  8. 8.A palavra sinal aparece sete vezes no Apocalipse (Ap 12,1.3; 13,13.14; 15,1; 16,14; 19,20), número que não parece ser por acaso, mas minuciosamente escolhido pelo autor.
  9. 9.Seguimos a tradução da Bíblia de Jerusalém, revista e ampliada, 2004. 3ª impressão.
  10. 10.Como o rosto de Moisés, que segundo o Pseuso-Fílon, possuía uma luz que dominava o fulgor do sol e da lua. Cf. RUIZ, José M. González. El libro del testimonio. Madrid: Ediciones Cristandad, 1987. p. 147.
  11. 11.Depois de muito debate, parece consenso entre os biblistas que essa mulher representa a comunidade cristã, prefigurada no Antigo Israel. Apesar de muitas vezes tal imagem ter sido identificada com Maria dando à luz a Jesus em Belém, essa não parece uma identificação acertada, até porque nenhum relato dos Evangelhos fala de embate entre Maria e Satã na hora do parto do menino Jesus (UMA LEITURA DO APOCALIPSE, 1983, p. 40).
  12. 12.SCHICK, Eduard. O Apocalipse. Petrópolis: Vozes, 1980. p. 146.
  13. 13.Não é novidade para a cultura judaica, a identificação dos opressores como um dragão, muito menos a ideia da batalha empreendida entre Deus e os monstros (cf. Jr 51,34; Sl 74,13-14; Ez 29,3. 32,2).
  14. 14.Não é primeira vez que a Escritura Cristã narra que uma criança ameaça um rei. Mateus já anunciara que Herodes se sentira ameaçado por um Menino que nem havia nascido ainda. Bastou sua estrela brilhar para atrair seguidores (os reis do oriente) e ofuscar a luz do governador que, tresloucado feito um dragão, mandou matar toda criança que pudesse lhe fazer sombra (Mt 2,1-18).
  15. 15.Em conformidade com o Quarto Evangelho, que garante que Jesus mesmo preparou um lugar para os seus (Jo 14,2-3). 
  16. 16.A imagem da luta é corriqueira na literatura extra-bíblica. Para Arens e Diaz Mateos, a serpente e a mulher, as doze estrelas e o nascimento do filho, são símbolos que podem facilmente ser associados a mitos e costumes pagãos. Também em Qumran, encontra-se a imagem da mulher que está para dar à luz a um menino (1QH 3,7-13) (ARENS; DIAZ MATEOS, 2004, p. 214). PRIGENT mostra as semelhanças da narrativa bíblica com o antigo mito grego, que conta a história de Ceto (Κητώ, Kētō). Grávida de Zeus, Ceto foge do dragão Pitão e se refugia numa ilha subterrânea, onde dá à luz Artemis e Apolo. Artemis mata Pitão. Para os autores, tal história não é desconhecida do escritor do Apocalipse, que se diz refugiado em Patmos (Ap 1,9), ilha na qual o relato do mito circulava (PRIGENT, 19993). Aíla Andrade fala de antigo mito ugarítico, segundo o qual Baal vence Litan ou Leviatan, monstro marinho citado em Jó 3,8 e também no apócrifo 1Hen 60,7-8 (ANDRADE, 2012, p. 32).
  17. 17. A expressão aparece três vezes, sempre na voz passiva, deixando claro que é Deus quem expulsa o dragão. Trata-se do passivo teológico na intenção de reafirmar a ação divina que provoca a ruína definitiva e universal do dragão (2 vezes no v. 9 e 1 vez no v. 10). Cf. SCHICK, Eduard. O Apocalipse. Petrópolis: Vozes, 1980. p. 146.
  18. 18. Cf. PRIGENT, P. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 2002. p. 231.
  19. 19. Cf. Cf. PRIGENT, P. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 2002. p. 231
  20. 20.As traduções ALMEIDA Revisada e Corrigida e BÍBLIA de Jerusalém trazem a frase em primeira pessoa, referindo-se ao narrador. Porém, no texto grego a expressão está na terceira pessoa do singular, indicativo aoristo passivo: Kai. evsta,qh evpi. – kaí estathe epi, em clara referência ao dragão.
  21. 21.Cf. PRIGENT, P. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 200. p. 232.