13. Maratona na floresta

Ia haver um campeonato na floresta: a primeira grande maratona dos bichos de toda a região. A bicharada logo se envolveu nos preparativos, treinando sem parar. O vencedor ficaria famoso, além de receber milhões em prêmios.
O coelho contratou um treinador especial. O porco-espinho melhorou sua dieta, a fim de perder umas gordurinhas. O gato–do–mato foi se tratar de uma contusão. O esquilo entrou para a academia. Todos malhando, sem perder tempo, de olho na vitória.
O bicho–preguiça ficou sabendo de toda a movimentação. E foi se pendurar num galho bem alto, enfurnado e na maior preguiça. Ele nunca havia ganhado uma competição. Os bichos o criticavam, porque ele não era muito de suar o pelo. Só gostava de fazer coisas fáceis. Precisando de algum esforço, não era com ele. Não era à toa que o chamavam de bicho–preguiça.
O guarda da floresta, preocupado com o sumiço do bicho–preguiça, foi procurá-lo e, encontrando-o, ouviu suas queixas:
- É sempre assim. Eu nunca venço uma competição. Sempre chego em último lugar. Todos riem de mim. Não consigo nada na vida. Sou o bicho mais azarado dessa floresta.
E desfiando sua eterna ladainha de reclamações, prometia nunca mais aparecer pra ninguém, tão frustrado estava.
Com bons modos, o guarda da floresta tentou ajudar:
- Quem sabe se você se esforçasse um pouco mais... e treinasse... e melhorasse a forma física. Isso exigiria algum sacrifício, mas poderia trazer bons resultados. Afinal, você é talentoso e capaz. Só precisa acreditar e batalhar.
Então, ficou combinado. No dia seguinte, chegaram à floresta novos equipamentos e professores especializados para treinar o bicho–preguiça. Ele entrou sério num regime para fortalecer as pernas, passou a levantar-se bem cedinho para treinar e a dormir somente à noite – coisa que ele fazia o dia inteiro. Matriculou-se na academia de ginástica e suou o pelo por meses seguidos. Todos estavam surpresos com tanto esforço e já respeitavam o novo adversário.
No dia da corrida, não houve pra ninguém. O bicho–preguiça, já sem preguiça, arrancou de uma só vez e deixou para trás a bicharada. Até o coelho, seu mais temido adversário, teve de se contentar com um modesto segundo lugar. A floresta inteira aplaudiu aquela vitória. E o bicho–preguiça voltou para sua toca, não mais como um azarado, mas como um campeão. E dizia:
- Foi cansativo, mas valeu a pena!
Por isso, fique firme nos bons propósitos, sem desanimar...
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