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215. Páscoa de Jesus, nossa Páscoa

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13.11.2025 | 7 minutos de leitura
Yuri Lamounier Mombrini Lira
Diversos
215. Páscoa de Jesus, nossa Páscoa
O ponto central da nossa fé é o mistério pascal. O grande anúncio que a Igreja faz é o querigma: Jesus Cristo está vivo entre nós. Em cada Eucaristia, a Igreja recorda e celebra esse mistério. “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”, é o que repetimos na liturgia.

De modo especial, na Páscoa, celebramos a passagem de Jesus deste mundo para o Pai. Celebramos a vitória da vida sobre a morte. Apesar de sua morte, ele continua vivo entre nós e em nós.

Nós também estamos aqui de passagem. Em nossa passagem nós deixamos marcas no coração das pessoas, da mesma forma que as pessoas que passam por nós deixam também em nós as suas marcas. Em cada Páscoa e em todos os dias de nossa vida, Cristo também “passa” por nós e nós “passamos” por Ele. Por isso, podemos nos perguntar e refletir: Quais são as marcas que a passagem de Cristo está deixando em mim e quais são as marcas que deixo no Cristo que passa por mim?

Não podemos nos esquecer de que Páscoa é passagem! Passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do desespero para a esperança, da dúvida para a fé. O que podemos aprender com Jesus Cristo e a sua Páscoa? 

No Evangelho de Marcos, lemos: 

Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para embalsamar Jesus. E bem cedo, no primeiro dia da semana, ao raiar do sol, foram ao túmulo. Elas comentavam entre si: “Quem vai remover para nós a pedra da entrada do túmulo?”. Era uma pedra muito grande. No entanto, quando olharam, perceberam que a pedra já tinha sido removida. Ao entrar no túmulo, viram um jovem, sentado ao lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram muito assustadas. Ele, porém, disse-lhes: “Não vos assusteis! Buscais Jesus, o nazareno, o crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram! Ide, porém, dizer aos discípulos e a Pedro: ‘Ele vai à vossa frente para a Galileia; lá o vereis, como vos disse!’”. Então, trêmulas e fora de si, saíram e fugiram do túmulo e, tomadas de medo, não disseram nada a ninguém. (Mc 16,1-8).

Pensando em Jesus e na ação pascal em nossa vida, destaco três pontos desse relato: remover a pedra do sepulcro, não ter medo e voltar à Galileia. 

O primeiro ponto é a ação de remover a pedra do sepulcro. No caminho para embalsamar o corpo de Jesus, naquela madrugada, antes de chegarem diante do túmulo, as mulheres se perguntavam: “Quem vai remover para nós a pedra da entrada do túmulo? Era uma pedra muito grande. No entanto, quando olharam, viram que a pedra já tinha sido removida” (Mc 16,3-4). Não é nada fácil remover a pedra ou as pedras que ainda podem ser um obstáculo em nosso coração. Muitas vezes, nosso coração se transforma num sepulcro e vamos colocando no nosso interior muitas pedras: a pedra da vaidade, do orgulho, da preguiça, do comodismo, do desespero e tantas outras. Mas é preciso remover as pedras. E é Deus mesmo quem nos ajuda nessa tarefa. Se confiamos nele e nos esforçamos, quando menos esperarmos a pe-dra terá sido removida.

No livro do profeta Ezequiel, encontramos a seguinte promessa: “Eu vos darei um coração novo... arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). Essa é a promessa de Deus. Portanto, se há ainda alguma pedra nos impedindo de contemplar o Ressuscitado, é preciso retirá-la de uma vez por todas. O cristão não pode ser como aquele personagem da mitologia, Sísifo, que está eternamente fadado a levar a pedra até o alto de um monte e ser empurrado por ela para a parte baixa do monte de novo. 

Não podemos ser apegados à pedra que nos paralisa. Cristo quer remover essa pedra. Nós também perguntamos: “Quem é que vai retirar a pedra?”. Lembremo-nos do que disse o Papa Francisco: 

Deus remove as pedras mais duras... A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a “pedra viva”: Jesus ressuscitado. Ele remove do coração as pedras mais pesadas. E nós sabemos quais são. Páscoa é tempo de remover pedras1.

O segundo ponto importante desse texto do Evangelho de Marcos é não ter medo. O portador da boa nova anuncia às mulheres: “Não vos assusteis! Buscais Jesus, o nazareno, que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram” (Mc 16,6). 

O medo pode nos paralisar; ele nos impede de contemplar a presença de Deus em nossa vida, mas não há o que temer. Foi essa a experiência de Abraão, o nosso pai na fé. Na nossa noite mais escura, o Senhor não nos deixará desemparados. Podemos acreditar como Abraão: “Deus providenciará” (Gn 22,8). A nossa vida é uma grande aventura. E, nessa grande aventura da vida, Deus nos diz: “Não temas, eu estou contigo”.

Em muitos momentos, ficaremos assustados como aquelas mulheres diante do túmulo vazio. Não vamos entender muito bem o que está acontecendo, mas basta saber que não estamos sozinhos, basta confiar que – mesmo na aparente ausência – há uma presença forte e poderosa que nos sustenta. 

E o terceiro ponto importante do texto é a ordem de voltar para nossa Galileia. Diz o Evangelho: “Ide, porém, dizer a seus discípulos e a Pedro: ‘Ele vai à vossa frente para a Galileia; lá vós o vereis, como Ele vos disse’” (Mc 16,7). Para encontrarmos com Jesus Ressuscitado, precisaremos voltar para a Galileia. 
Como então ir para a Galileia para viver nosso encontro com o Ressuscitado? A Galileia da qual o Evangelho fala não é geográfica, mas sim espiritual e existencial. É a Galileia do nosso coração, o lugar onde vivemos nosso encontro com Jesus Cristo. Por isso, o Papa Francisco exorta-nos: 

Recorda a tua Galileia e caminha para a tua Galileia. Cada um de nós sabe onde se encontra a sua Galileia, cada um de nós conhece o próprio lugar da ressurreição interior, que mudou as coisas. O Ressuscitado nos convida a ir para lá para celebrarmos a Páscoa2.

Nossa tarefa diária deve ser fazer com que a páscoa não se resuma apenas a um dia, mas aconteça todos os dias. O Ressuscitado vive entre nós e caminha conosco! Ele não se manifesta a nós somente numa festa litúrgica: a Páscoa Cristã. Ele vive entre nós. Ele está conosco. Numa de suas canções, Irmã Miria T. Kolling diz: “a Páscoa é todo dia. Se eu levar o Cristo em minha vida, tudo será um eterno aleluia”.

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1 FRANCISCO, Papa. Homilia do Papa Francisco. Vigília Pascal na noite Santa. Basílica Vaticana Sábado Santo, 20 de abril de 2019. Dispo¬nível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20190420_ omelia-vegliapasquale.html. Acesso em: 12 nov. 2024.
2 FRANCISCO, Papa. Homilia do Papa Francisco. Vigília Pascal na noite Santa. Basílica de São Pedro - Altar da Cátedra Sábado Santo, 3 de abril de 2021. Disponível em: https://www.vatican.va/ content/francesco/pt/homilies/2021/documents/papa-francesco_20210403_omelia-vegliapas¬quale.html. Acesso em: 12 nov. 2024.
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