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Evangelização Fundamental - Módulo 4 - Somos Igreja - 6º Encontro

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01.11.2014 | 15 minutos de leitura
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Evangelização Fundamental - Módulo 4 - Somos Igreja - 6º Encontro

Solange Maria do Carmo

Padre Geraldo Orione de Assis Silva


Módulo 4  -  6º Encontro


COMO ENTENDEMOS OS MILAGRES


1. ACOLHIDA E ORAÇÃO INICIAL


- Receber a turma, dando atenção a cada um.


- Cantar músicas animadas, a gosto. Veja as sugestões do livro.


- Criar clima de interiorização. Iniciar com o Sinal da Cruz.


- Convidar a turma para fechar os olhos e rezar. Cada um pode agradecer a Deus pela semana que passou, pelas coisas que fez, pelas brincadeiras, passeios, estudos, e também pela catequese, pela família e pelos amigos. Cada um pode fazer uma prece e depois todos dirão: Obrigado, Senhor.


- Ao final, cantar a música "Obrigado, meu Senhor".



2. O QUE A BÍBLIA DIZ


Motivação: 

Um tema que precisa ser bem esclarecido, para a nossa compreensão da Igreja, é a questão de saber como Deus age em nossa vida. Será que ele interfere em nossa vida, realizando constantes milagres? Será que é isso que devemos buscar em Deus? Vamos ouvir um texto em que Jesus reclama do povo que sempre quer milagre, mas não se compromete com a palavra de Deus. Afinal, o que é um milagre?


Texto: Lc 11,29-32


Ajudar a turma a localizar o texto na Bíblia.


Partilha




  • As multidões vão até Jesus e desejam ver algum milagre. O texto que lemos fala que a multidão busca um sinal. Pelo contexto, sabemos que o povo queria ver algum feito prodigioso de Jesus. Como Jesus responde a esse desejo do povo?

  • Vamos entender o que seria o sinal de Jonas? No final do texto está dito que o povo de Nínive mostrou arrependimento com a pregação de Jonas. Jonas teria sido um profeta que passou pela cidade de Nínive, sem fazer nenhum milagre, apenas pregando. Então, qual seria o sinal de Jonas?

  • Jesus quer que a gente se converta por causa de milagres ou por causa de sua pregação? Para Jesus, o que é mais importante?

  • O texto cita ainda Salomão, tido como um rei muito sábio. A sabedoria de Salomão atraiu uma rainha do sul que veio conhecê-lo só por causa de sua sabedoria. O que Jesus quer dizer citando esse fato? O que é mais importante? O milagre ou a sabedoria de Jesus?


Aprofundamento


- Os Evangelhos estão cheios de relatos nos quais Jesus realiza coisas prodigiosas que costumamos chamar de milagres. Jesus age, muitas vezes, de modo inusitado, para comunicar a todos o grande amor de Deus. Aí está a importância dessas ações de Jesus que são verdadeiros sinais da bondade de Deus. Para compreender os chamados milagres, devemos sempre partir da ideia de que Jesus nos quer revelar um Deus bondoso.


-  Os gestos de Jesus que chamamos milagres não são vistos por todos da mesma forma. Em alguns casos, o povo vê os sinais realizados por Jesus e crê nele (cf. Jo 2,11). Mas, em outros, o povo se irrita diante das ações de Cristo e quer afastá-lo e até matá-lo (cf. Mt 8,34; 9,34; 12,14; Jo11,45-49 entre outros). Ou, de qualquer forma, uns se sentem tocados pelos sinais de Cristo, enquanto outros se irritam. Com isso, já vemos que os chamados milagres não são, de modo algum, um consenso, nem mesmo para o povo que testemunhou de perto as obras de Jesus.


- O próprio Jesus se sente incomodado com as multidões que o seguem só para alcançar algum milagre, sem verdadeiro interesse pelo seu seguimento. É o que vimos no texto bíblico que lemos acima. As multidões seguem Jesus e querem milagres. Jesus quase fica bravo e diz que não vai ficar fazendo milagre para satisfazer a curiosidade do povo. Basta a eles o sinal de Jonas.


- Vamos lembrar quem foi Jonas? A história de Jonas está em um pequeno livro do Antigo Testamento. Nele se relata que um profeta com esse nome teria convertido toda a cidade de Nínive – uma grande cidade – sem fazer nenhum milagre, apenas pela sua pregação. O profeta passou pela cidade pregando a conversão e todos ouviram e se converteram. Esse é o sinal de Jonas: a pregação. Jesus não quer fazer milagre, no texto que vimos. Ele quer que as pessoas escutem a sua pregação.


-  Há outro texto em que Jesus também se incomoda com o povo que o segue, depois da multiplicação dos pães. Jesus percebe que as pessoas estão atrás dele não pelos seus ensinamentos, mas por causa dos pães. Querem mais pão, querem um fazedor de milagres, alguém que resolva seus problemas (Jo 6,26-27). Jesus mostra que, mais importante que os pães, é o Pão, ele mesmo que serve de alimento para quem tem fé.


- A Igreja, continuando a missão herdada de Jesus, também não é um povo que vive em busca de milagres, mas um povo que busca acolher os ensinamentos de Cristo e com eles se comprometer. O mais importante para nós é a pregação, a força da Palavra. Não seguimos Jesus em busca de milagres. Nós buscamos a comunhão com o Deus bondoso que Jesus nos dá a conhecer. Essa comunhão é mais importante do que todo e qualquer milagre.


- Mas há correntes religiosas que incentivam a busca de milagres. E há pessoas que ficam achando que Deus vai fazer coisas fora do comum o tempo todo, curando nossas doenças, protegendo-nos de todos os perigos, agindo, enfim, em nossas vidas para nos preservar de todo sofrimento. Essa tendência ao milagrismo pode ser, na verdade, uma tentativa de fugir da realidade da vida, que muitas vezes exige de nós a capacidade de enfrentar dificuldades.


- Convém salientar que o próprio Jesus foi perseguido, preso, torturado e morreu na cruz. E não houve milagre para preservá-lo disso. Ao assumir a condição humana, Jesus assume também a realidade do sofrimento. Vejam que milagres não dependem da fé. No caso da cruz, ninguém tinha mais fé e comunhão com Deus que Jesus. E os que pediam um milagre, desafiando Jesus a descer da cruz, essas sim eram pessoas sem fé (cf. Lc 23,33-37). Às vezes, quando queremos milagres estamos demonstrando não nossa fé, mas nossa dificuldade de aceitar a vida como ela é, nossa preguiça de melhorar, nosso comodismo de querer receber tudo pronto. Para Jesus e para nós, nenhum milagre é mais importante do que a experiência da fidelidade a Deus. Foi isso que Jesus mostrou na cruz. Pedir milagre o tempo todo é sinal de fraqueza e não de força. Quem tem fé e está em comunhão com Deus compreende que o sofrimento e as dificuldades fazem parte da vida e que não podemos fazer de nossa religião um pretexto para sermos poupados de coisas que são próprias de nossa vida.


- Por outro lado, não vamos nos acomodar. Vamos buscar as soluções próprias para cada realidade. Estamos doentes? Vamos buscar a ajuda da medicina. Estamos em dificuldade financeira? Vamos procurar emprego, trabalho e até mesmo a ajuda das pessoas que nos cercam. Estamos tristes? Vamos superar as tristezas e enxergar os motivos de alegria que a vida nos apresenta. Estamos diante da morte? Vamos aceitá-la em paz, porque sabemos que a morte é o começo de uma vida nova. Essa é a posição do católico.


- Poderíamos ainda distinguir três sentidos para a palavra milagre: 1º) Em sentido poético, milagres são coisas admiráveis. Poderíamos falar da beleza do pôr–do–sol, da gota de orvalho na relva verde, do colorido e do perfume das flores, da beleza da generosidade e da amizade. Tudo são coisas admiráveis e, em sentido poético, são também milagres. Desses, a vida está cheia. É só olhar a vida com a generosidade de um poeta. 2º) Em sentido teológico, milagres são coisas admiráveis que nos falam de Deus; são sinais da presença de Deus. Um gesto de caridade, uma amizade sincera, uma pessoa que faz o bem ao próximo, um sorriso amigo – tudo isso, aos olhos da fé, são coisas admiráveis que nos recordam o amor divino. Desses milagres, a vida também está cheia. É só olhar a vida com o olhar da fé. Em muitos casos, fé e poesia se complementam. 3º) Em sentido científico, milagres são coisas admiráveis que a ciência “ainda” não sabe como explicar nem consegue repetir. Mas pode ser que hoje a ciência não tenha explicação para algo que amanhã será plenamente entendido e repetido nos laboratórios. A cura de certas doenças, por exemplo, no passado era desconhecida pela ciência. Hoje já existem remédios. Até doenças raras e complexas são curadas pela ciência. O milagre aqui, no sentido teológico, é a inteligência humana colocada a serviço do bem-estar das pessoas e não exatamente a cura. Milagres em sentido científico são poucos. E nem são os mais importantes.


- Não estamos afirmando que Deus não possa fazer intervenções, que resultem em algo extraordinário, que não possa ser explicado pela ciência. Mas consideramos que esse não é o modo de agir de Deus. A fé madura nos leva a enxergar a beleza da vida, sem ficar esperando que Deus aja mudando as leis da natureza a nosso favor. Ficar pedindo exceções a Deus é sinal não de fé, mas de imaturidade.



3. ATIVIDADE


Sugestão:   Vamos fazer um pequeno teste para avaliar a maturidade de nossa fé? Repartir com a turma as questões seguintes, uma folha para cada pessoa. Pedir que leiam, reflitam e marquem a melhor resposta de acordo com a pregação da Igreja Católica.


Avaliando nossa fé


Colocamos aqui algumas questões. Leia, reflita e marque a resposta que você achar mais de acordo com a pregação da Igreja Católica.


Questões:




  1. Você é filho de Deus. Por isso:


(a) Você tem a garantia de que nunca irá sofrer na vida.
(b) Você tem a garantia de que Deus está presente em sua vida, como pai.
(c) Você é melhor que as outras pessoas que não têm fé.

  1. Você tem fé em Deus. Por isso:


(a) Você sempre vencerá na vida, nunca conhecerá derrota alguma.
(b) Você contará com a força de Deus para enfrentar as lutas da vida.
(c) Você terá privilégios, pois Deus não permite que pessoas de fé sofram nunca.

  1. Você coloca sua confiança no Senhor. Por isso:


(a) Você não precisa fazer mais nada, pois Deus fará tudo por você.
(b) Você lutará confiante e isso o ajudará a alcançar muitas vitórias.
(c) Você estará sempre um passo à frente dos outros, pois Deus reserva para você os melhores lugares.

  1. No seu entender, as pessoas adoecem porque:


(a) Não têm fé suficiente em Deus.
(b) Adoecer é comum aos seres humanos.
(c) Cometeram pecados graves.

  1. Diante de uma doença grave, a pessoa de fé:


(a) Somente ora, pois o Senhor opera milagres.
(b) Ora e busca tratamento, pois a medicina pode ajudar e muito.
(c) Ora e pede perdão a Deus, pois a doença veio de algum pecado.

  1. Se a pessoa ora e, mesmo assim, não é curada:


(a) É porque não orou com fé.
(b) É porque nem tudo se resolve como a gente deseja.
(c) É porque está seguindo uma religião errada.

  1. Para você, a pobreza existe:


(a) Porque Deus quer que seja assim.
(b) Porque existe a desigualdade social, fruto de injustiças humanas.
Porque as pessoas não têm fé em Deus.

  1. Em suas orações, você deve pedir a Deus:


(a) Que afaste de você todo mal e não permita que você passe por momentos difíceis.
(b) Que o ajude a vencer todo mal, mesmo que passe por momentos difíceis.
(c) Que o mal recaia sempre sobre as pessoas que não têm fé, porque elas é que merecem passar por isso.
9. Uma pessoa com problemas orou ao Senhor e não alcançou o que havia pedido em suas orações. Isso aconteceu porque:

(a) Tal pessoa não orou com fé, faltou determinação.
(b) Nem sempre a gente alcança tudo o que deseja, mesmo que tenha fé e ore a Deus.
(c) A pessoa não alcança as coisas porque ainda não se livrou de seus pecados.
10. Uma pessoa de muita fé está passando por diversos problemas em sua família. Isso acontece porque:

(a) Existe alguma coisa errada com a fé dessa pessoa.
(b) Problemas existem, mesmo para quem tem fé.
(c) Deus quer mostrar alguma coisa para essa pessoa e ela não quer enxergar.

-  Terminado o exercício, conferir as respostas e avaliar. Entendemos que a resposta B sempre mostra a posição da Igreja Católica. As Letras A e C mostram formas diferentes de entender a ação de Deus em nossa vida. Se houver muita resposta A e C, talvez a turma não tenha entendido direito a doutrina da Igreja sobre tais assuntos. O catequista aproveita para tirar dúvidas e frisar como a Igreja lida com estas questões.


Conclusão


Vamos guardar no nosso coração que buscamos a Deus para estar em comunhão com ele, para ser fiéis a ele, porque Deus é bom e queremos estar no coração de Deus. Não buscamos a Deus para obter favores especiais, nem para que nossa vida seja cheia de coisas surpreendentes; não esperamos de Deus coisas que sejam exceção às leis da vida ou da ciência. O que buscamos nele é a força suave de sua presença em nós. Não buscamos coisas que Deus possa nos dar. Buscamos o próprio Deus que se dá a nós. Encontrá-lo e viver em comunhão com ele já nos basta. Ainda que certas coisas da vida nos recordem sempre a fraqueza humana, a força divina nos ajudará a manter a serenidade.



4. ORAÇÃO FINAL E ENCERRAMENTO


- Motivar: Vamos com confiança colocar nossa vida nas mãos de Deus. E ele nos dará sua força em todos os momentos. Vamos rezar em forma de ladainha. Cada um lembra uma situação difícil da vida e todos respondem: “Ajude-nos, Senhor!”. O catequista começa rezando e os demais devem também fazer suas preces segundo o modelo abaixo:




  • Nas horas difíceis.

  • Na hora da doença.

  • Na hora da morte.

  • Na hora da dor.

  • Na hora da raiva.

  • Na hora do medo. Etc.


- Cantar algo bem bonito. Que tal a música "Eu amo a Deus"? 

- Conferir a frequência, motivando a participação de todos. 

- Encerrar, à vontade.



Dicas para o catequista


-   A questão dos milagres, apesar de parecer um tema marginal na grande teologia, ocupa um lugar relevante na vida do povo de Deus, pois mostra como a gente entende o modo de Deus agir em nossa vida. A maior parte do povo de fé crê em um Deus intervencionista, que, movido pela nossa fé ou pelas nossas orações e não pela própria bondade, intervém em beneficio de uns e em malefício de outros. Essa visão de Deus não condiz com a teologia católica. Está mais para a teologia da retribuição, muito presente no Antigo Testamento, segundo a qual Deus retribui as boas ações dos justos, ou para a teologia da prosperidade, muito pregada hoje em alguns círculos religiosos, segundo a qual Deus age em favor de seu povo para garantir sucesso e prosperidade absolutos, bastando para isso ter fé. A fé seria a garantia da retribuição divina ou a senha para acessar os favores de Deus. Não por acaso, é comum encontrar pessoas que, ao passar por dificuldades e depois de rezar sem obter o resultado esperado, se sentem pessoas sem fé, como que abandonadas por Deus.


-   A Igreja Católica não nega que Deus possa intervir na realidade do mundo, já que ele é Deus poderoso; apenas afirma que esse não é o modo de agir de Deus. Até porque, se Deus fosse intervir em tudo, o mundo seria como um paraíso: não haveria mais doença, nem morte, nem dor, nem sofrimento algum. Ora, se até o filho de Deus sofreu, quem somos nós para imaginar que ficaríamos livres das provações da vida? Seria muita presunção.


-   Mas o catequista poderia se perguntar: E os milagres da Bíblia? Jesus fez tanto milagre! Por que não faz mais? Aí entra de novo a questão da interpretação da Bíblia. As narrativas de milagres na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, não deve ser entendida como se esse fosse o modo de agir de Deus. Os milagres são gestos comunicativos de Jesus. Na acolhida do outro, na proximidade que se estabelece, no toque, na palavra dirigida, Jesus comunica Deus e seu amor de forma inusitada. Os milagres devem ser vistos, nesse sentido, como sinais. Eles não apontam para o fato acontecido, mas para além do acontecido, ou seja, para quem o realiza e para o que significa o realizado.


-   Não temos a pretensão de explicar os milagres nem de dizer que eles não existiram, como não pretendemos afirmar que aconteceram exatamente da forma como estão relatados. Isso para o evangelista é quase sem importância. O que importa realmente é a força do sinal realizado, o que ele comunica. A força da comunhão estabelecida com Deus e a relação formada têm mais importância que o milagre propriamente dito.


-  Ficar esperando, hoje, por milagres pode ser sinal de fé imatura. Talvez seja melhor o olhar poético (e teológico) que vê, nas coisas belas da vida, um sinal do sumo–bem que é Deus. Assim, mesmo por trás de uma doença, existe o milagre da força que nos leva a lutar pela vida; por trás do infortúnio, o milagre da solidariedade e da fraternidade que nos une; por trás da miséria humana, sinais de superação. Mas tudo isso feito com fé e com esforço e nunca com ação mágica de Deus em nossa vida.

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