99. Estreitezas

O entardecer me encheu de poesia.
Mas ela não tinha palavras.
Era um estupor com tristeza...
A lembrança de uma música e a saudade do desconhecido.
Essas coisas sem nome que acertam a gente,
enquanto o sol se esconde entre nuvens rubras...
Tentei ainda assim escrevê-las,
mas as poesias mudas não aceitam desobediências.
As palavras se escondem como se fossem também Crepúsculo.
Não sei lidar com poesias caladas,
porque elas doem demais.
Elas recordam que a finitude é pra já.
O eterno que elas propõe não é o que lança o olhar pro futuro,
mas é o da embriaguez do agora.
Enchem tanto o peito que deixo de ser capaz de continências.
A poesia muda lembra que nosso coração
é estreito demais pra caber a vida.
Pois, de hoje em diante, quero deixar de propor uma morada
para a palavra ou para a poesia,
ou mesmo ainda para a Vida.
Sou pequeno demais para presunções tamanhas.
Mas se eu puder, silente, dando passos descalços,
descansar dentro da Palavra-casa,
da Poesia-templo e da Vida-infinita,
servi-las-ei com minhas estreitezas.
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