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48. O caminho do discípulo de Jesus

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06.10.2015 | 4 minutos de leitura
Yuri Lamounier Mombrini Lira
Crônicas
48. O caminho do discípulo de Jesus

“Foram, viram onde ele morava

e permaneceram com ele” (Jo 2,39)



“Me leva pra um lugar qualquer

Me leva para onde eu possa ouvir

Sua voz me dizendo pra eu ficar” 

(Onze:20)



Esse versículo do Evangelho de João resume de modo simples e claro o caminho dos primeiros discípulos de Jesus. E, de certa forma, nesse pequeno versículo também está resumido o itinerário de todos os que seguimos Jesus, que somos seus discípulos missionários.


O caminho do discípulo missionário de Jesus é marcado por alguns verbos importantes que indicam o processo de maturidade na intimidade com o Senhor: vir – ver – permanecer – ir.


Primeiramente, Jesus nos convida “vinde!”. É preciso ir ao seu encontro. Ele nos chama; a iniciativa é sempre dele. E, de nossa parte, é preciso coragem para atender o chamado do Senhor e caminhar com ele; é preciso segui-lo e conhecê-lo melhor e mais de perto.


Depois que começamos a caminhar com Jesus, então ele nos convida a dar mais um passo, a fazer a experiência do ver. É hora de abrir os olhos e ver Jesus. Ver significa entrar em comunhão, em conhecimento profundo do outro. Uma vez atendido o chamado do “vinde”, passamos ao “vede”.


Em seguida, Jesus nos exorta a permanecer com ele. Permanecer é mais que estar. Estar é transitório, é tempo provisório. Permanecer é um tempo mais demorado. Tempo de intimidade. O povo de minha terra costuma dizer que “para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela”. Ou seja, é uma tarefa que leva bastante tempo... Assim é a caminhada da fé. Para que o conhecimento do mestre se aprofunde, o discípulo precisa permanecer com o Mestre de Nazaré.


No entanto, esse permanecer com Jesus não nos fecha em nós mesmos, não nos acomoda; pelo contrário, é algo que nos inquieta. Ao fazer a experiência de encontro com Jesus, logo sentimos a necessidade de testemunhar a fé, ajudando outras pessoas a viverem também essa experiência.


É a hora do “ide!”. Hora de sair do comodismo e ir ao encontro das pessoas, evangelizando-as, anunciando Jesus sem medo ou temor. Na maioria das vezes, não sabemos ao certo para onde vamos, mas isso não importa, pois, como lembra Santa Teresa Benedita da Cruz: “Para onde Deus nos leva não sabemos, apenas sabemos que é ele que nos leva”. O mais importante é a disponibilidade e a ousadia de sair ao encontro do outro.


“Não precisamos saber aonde vamos, nós só precisamos ir”, diz um dos versos de uma música dos Engenheiros do Havaí. Certamente, ao enviar seus discípulos para a missão, Jesus gostaria que eles tivessem a coragem de ir, seja para aonde for, acolhendo as surpresas que o seguimento dele pode nos reservar.


O Papa Francisco, num dos parágrafos mais belos da exortação apostólica “Evangelii gaudium” escreveu: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão...Mas, se uma pessoa coloca a tarefa dum lado e a vida privada do outro, tudo se torna cinzento e viverá continuamente à procura de reconhecimentos ou defendendo as suas próprias exigências” (EG 273).


Assim é nosso itinerário de vida como discípulos missionários de Jesus. Tendo atendido seu chamado para ir, ver e permanecer com ele, importa então, seja qual for a missão, irradiar a luz de Cristo e comunicar com entusiasmo a alegria do Evangelho.





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