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31. As sem razões do amor de Deus

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10.06.2015 | 3 minutos de leitura
Yuri Lamounier Mombrini Lira
Crônicas
31. As sem razões do amor de Deus

“O amor do Senhor Deus por quem o teme

é de sempre e perdura para sempre!” (Sl 102,17)



“No coração de Jesus 

Qualquer um, qualquer hora

Encontra as portas abertas 

Não quer mais ir embora...”

(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)



No mês de junho, entre as festas juninas, que aquecem as noites frias do início do inverno, com danças alegres e comidas típicas, celebramos também o amor dos namorados. Este ano, por coincidência, no dia dos namorados, nossa Igreja celebra a festa do Sagrado Coração de Jesus. Assim, o dia 12 de junho é duplamente especial, pois estaremos celebrando o amor humano entre os apaixonados, mas também o amor divino, horizonte de possibilidade de todo amor.


Ao festejarmos o Coração de Jesus, recordamos o amor apaixonado de Deus por nós. O Papa Francisco tem nos ajudado a redescobrir o rosto misericordioso de Deus. O amor de Deus não tem medidas nem limites... É compassivo e misericordioso! Não tem razões nem porquês! Deus nos ama! E do amor de Deus ninguém é excluído.


As Sagradas Escrituras, em várias passagens, principalmente no livro do Cântico dos Cânticos, com belíssimas metáforas, exalta o amor humano, o encantamento e o fascínio entre os enamorados. A comunidade judaica, diante de tão belos textos, não tardou a ver nesses escritos a figura da relação de amor entre Deus e seu povo, leitura que os Santos Padres reforçaram e ainda hoje perdura entre nós. Também o livro dos Salmos, em várias passagens, recorda a misericórdia infinita de Deus (Sl 30,6; 103,8; 130,7).


No Novo Testamento, o evangelista Lucas, conhecido como evangelista da misericórdia, destaca, numa das passagens mais belas de seu Evangelho, a imagem do Deus que corre atrás da ovelha desgarrada, que se alegra ao encontrar a moeda perdida e que festeja o retorno do filho pródigo (Lc 15). E, o apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios, diz que através da ação do Espírito Santo somos capacitados para “entender, qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento” (Ef 3,18-19).


Esse amor inexplicável que Deus tem por cada um de nós me fez lembrar de um poema de Carlos Drummond de Andrade que se chama “As sem-razões do amor”.  Diz o poeta:



Amor é dado de graça,

é semeado no vento, 

na cachoeira, no eclipse.


Amor foge a dicionários e a regulamentos vários...

Porque amor não se conjuga nem se ama... 

amor é primo da morte, 

e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam) 

a cada instante de amor.



Assim mesmo é o amor de nosso Deus: sem fronteiras, sem limites, sem razões... Ele não espera nada de nossa parte para nos amar. Não busca razões para esse amor: é simplesmente gratuito. Ele nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,19), sem exigir nada em troca. O jeito que o Senhor nos ama nos inspira a sermos mais humanos e nos exorta a viver de amor, por amor, com amor, no amor... Se, de amor e por amor Jesus viveu, de amor e por amor também nós devemos viver!





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