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246. Saudade

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24.05.2022 | 1 minutos de leitura
Frei João F. Júnior - OFMCap
Poesia
246. Saudade
Quisera ter-te para sempre.
E preservar-te e deter-te
e proteger-te e acercar-te de mim.
Mas é fugidia a vida 
como breve é o laço do tempo.
E a maré que sobre e que desce,
nos ciclos de sua errância,
arrasta consigo as pegadas dos amantes,
ainda que eternas fossem suas juras.
Por isso,
não sendo possível guardar-te comigo,
trago-te sempre nos meus olhos.
Não que te veja em toda parte,
ilusão dos solitários, 
mas porque a tudo reaprendi a ver 
- com teu olhar. 
E cada vez que lanço os olhos
para fora e para longe,
é ainda o teu olhar que neles vive 
e que neles se refletem,
se deixando de novo amar.
P.S.: 
Porque há aqueles que ensinam coisas,
colocando-as diante de nossos olhos,
Esses são muitos.
E há aqueles, muito mais raros,
que ensinam um jeito de olhar.
Esses são os mestres. 
Obrigado, Konings.

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