22. Pão com queijo

Solange Maria do Carmo
Padre Geraldo Orione de
Assis Silva
Manoel era português e havia se mudado para o Brasil com sua família ainda muito jovem. Aqui ele, seus pais e seus irmãos viveram a vida toda, contando causos de Portugal e guardando enormes saudades da Terrinha Natal. Seus pais morreram, Manoel casou-se com uma portuguesa também radicada no Brasil e constituiu família na Terra de Santa Cruz. Teve uma penca de filhos, sendo Joãozinho o mais novo deles. Manoel estava feliz aqui, mas seu coração morava na Terra do Tejo. A saudade foi tanta que Manoel e sua família resolveram voltar para Portugal. Manoel, que era padeiro, reuniu sua esposa e prole e disse: “Vamos voltar para Portugal!”. Manoel, Maria e seus seis filhos se animaram. Em tempos que avião não existia, apenas navios para cruzar os mares, Manoel vendeu sua padaria e, com o dinheiro, comprou as passagens de navio para toda a família. Antes, porém, encheu alguns sacos de pão e colocou queijo dentro. Seria o alimento da viagem. Ele e seus filhos nem se arriscavam a sair do navio, para não serem tentados a frequentar o restaurante e ver todas aquelas maravilhas às quais não tinham acesso. No primeiro dia – que delícia – pão com queijo. No segundo dia, pão com queijo, ainda bem saboroso. No terceiro dia, pão com queijo. No quarto dia, pão com queijo. No quinto dia, o pão com queijo não descia mais. Mas era preciso se esforçar, pois ainda havia muito mar pela frente. Então, pão com queijo... queijo com pão... pão com queijo... E já ninguém aguentava mais ver aquele pão velho, seco; aquele queijo maduro, com cheiro forte. Então Joãozinho, o filho mais novo, depois de 25 dias de viagem não aguentou mais. Fugiu do quarto e aventurou-se pelo navio até chegar no restaurante. Faltavam apenas dois dias para chegar em Portugal, mas ele estava desesperado. Sentou, comeu, bebeu e nem se preocupou com a conta. Já não aguentava mais pão com queijo. Na hora do acerto, o garçom apelou: “Como assim não tem dinheiro?”. Joãozinho só tinha a passagem no bolso. O garçom pegou a passagem, olhou e sorriu. “Não esquente a cabeça, menino; no preço da passagem, estão incluídas todas as refeições!”, disse a Joãozinho que tremia de medo. Manoel e sua família tinham direito a um banquete e passaram toda a travessia do mar a pão com queijo.
Ficar firme na fé é também aventurar-se no novo,
sabendo que Deus tem coisas melhores reservadas para nós.
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