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114. O que é autoridade?!

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19.01.2022 | 1 minutos de leitura
Pe. José Antônio de Oliveira
Diversos
114. O que é autoridade?!
Tenho tido dificuldade para ver os noticiários da grande mídia. Percebo que ali não se retrata a realidade. São tendenciosos. Não têm qualquer compromisso com a verdade e não respeitam os espectadores. Para mim, não têm qualquer ‘autoridade’. Tenho procurado meios alternativos.
Da mesma forma, não consigo acreditar no que diz o presidente do Brasil. Sei que não tem compromisso com a verdade e nem com a ética. Não tem ‘autoridade’ para falar. Mesmo como cidadão que sou, não me sinto na obrigação de ouvir e muito menos de levar a sério.
Por outro lado, quando tenho oportunidade de ouvir ou de ler algo do papa Francisco, o faço com todo prazer e com muita convicção de que posso acreditar no que ele diz. No meu entender, ele tem autoridade para falar. Porque vejo em sua postura, nas suas atitudes, no seu testemunho de vida uma verdadeira Autoridade. Ele tem compromisso com a Verdade, com a justiça, com a ética, com a pessoa e com o Projeto de Jesus Cristo – o Reino. Tem compromisso com a vida, em todas as suas manifestações, e com o ser humano, seja ele quem for.
O Evangelho desta terça-feira da primeira semana do tempo comum nos fala justamente disto: o povo fica muito admirado porque Jesus fala e ensina “como quem tem AUTORIDADE, e não como os mestres da lei” (Mc 1,22).
Eis o segredo. Ali estavam muitas pessoas que eram apresentadas como ‘autoridade’. Estavam estudiosos da Bíblia, que conheciam muito bem as Escrituras Sagradas e eram considerados ‘mestres’. É bem provável que Jesus não tivesse a mesma cultura deles, a mesma eloquência, os mesmos recursos. Mas o povo, que não é bobo, percebe logo que em Jesus há algo diferente. Ele tem compromisso com as pessoas, sobretudo as mais necessitadas e sofredoras. Está preocupado não com doutrina ou com a lei, mas com a vida. Mesmo num dia de sábado, quando a lei proibia severamente de fazer qualquer atividade, Jesus ignora algo considerado como sagrado para os judeus, porque está preocupado em libertar alguém do mal, em devolver a vida e a dignidade a um filho de Deus.
É um “ensinamento novo”, porque não vem de teorias ou de interesses mesquinhos, mas vem do coração, da vida. É marcado pela coerência.
Paulo VI, em sua Exortação Apostólica sobre a Evangelização (Evangelii Nuntiandi), nos alerta para isto: As pessoas escutam mais as testemunhas do que os mestres e, quando escutam os mestres, é porque eles dão testemunho (cf. EN, 41). 
É isso! Autoridade não se impõe. Não é algo que se “enfia goela abaixo”. É algo que brota de dentro. É importante que se respeitem as autoridades constituídas, mas é fundamental que toda autoridade faça jus ao que representa. Isso iremos perceber na pessoa dos pais, dos educadores, dos pastores, dos políticos, de todas as pessoas que detêm algum poder. Quando não se tem autoridade verdadeira, nem a força bruta consegue impor. Quando a autoridade é legítima, basta um olhar.
Daí, fica fácil entender: não é à toa que Marcos começa o seu Evangelho, primeiro livro de catequese dos cristãos, afirmando que Jesus traz um ensinamento novo, que toca as pessoas, convence e encanta, atrai multidões, transforma vidas: “Ele fala como quem tem autoridade!”.

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