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10. Ensinamento de Santo Afonso sobre a oração: humildade

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20.06.2014 | 4 minutos de leitura
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10.	Ensinamento de Santo Afonso sobre a oração: humildade

Primeira condição da oração: a humildade


Segundo Santo Afonso, a oração se define como uma conversa familiar com Deus. Pela oração, o orante entra no mistério de Deus, se torna íntimo, amigo de Deus. Não para obrigar Deus a fazer a sua vontade, o que seria muito mesquinho, mas para fazer a vontade de Deus, na qual se encontra a felicidade. Amar a Deus por Deus mesmo, sem outro interesse, é a proposta dos santos. A matemática afonsiana da oração é simples: oração + vontade de Deus = felicidade. A felicidade que Deus proporciona não se assemelha a que o mundo dá. Essa é fugaz, passageira, ilusória. A que vem de Deus permanece, tem sabor de eternidade. O mundo não pode dá-la, nem tirá-la. É própria das pessoas espirituais e não depende das circunstâncias. Mas quais as condições para orar? Afonso apresenta algumas.
Humildade. Ela caracteriza a verdadeira oração. “Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes” (Tg 4,6). A especial atenção de Deus aos humildes é testemunhada pela Sagrada Escritura desde o Antigo Testamento: “a oração do humilde penetra as nuvens, não dá descanso até que atinja a meta, não desiste até que o Altíssimo intervenha” (Ecl 35,21). Santa Teresa de Ávila dizia que “a humildade é a verdade”, por isso agrada tanto a Deus. Ser humilde exige se reconhecer frágil, precário, necessitado da graça de Deus. Soberba é característica da autossuficiência, um bastar-se a si mesmo. Humildade significa reconhecer a necessidade da graça de Deus. Brota de certo autodesespero. O humilde experimenta que não pode salvar a si mesmo. Sabe que, entregue às suas próprias forças, perder-se-ia necessariamente. Ele se experimenta impotente diante de suas fragilidades e por isso recorre a Deus, sua única salvação.
A virtude da humildade supõe reconhecimento da própria situação de criatura. O ser humano não se dá o ser. Não tem em si mesmo sua origem. Ele vem de outro. Deus lhe dá o ser e o mantém na existência. Sua vida está enraizada num mistério que o ultrapassa e que ele não explica. Um mistério que demanda submissão, mas não assusta, porque é amor. O amor se revela o fundamento último do real, mas sua aceitação se faz através da humildade. O ser humano é criatura, frágil e precária, mas querida por Deus e sustentada por ele. A única atitude possível diante dele é a humildade. Por isso Santo Afonso a apresenta como a condição indispensável para a oração. A oração aproxima extremos: grandeza de Deus e fraqueza humana; poder de Deus e impotência humana; sabedoria de Deus e loucura humana; amor de Deus e egoísmo humano. Só quando se desveste de sua fantasia de onipotência e onisciência, o ser humano está apto para orar, para mergulhar no mistério indescritível que chamamos Deus e que se aproximou de nós em Jesus Cristo.
O humilde se aproxima de Deus não para apresentar-lhe suas virtudes e méritos. Reconhece que seus méritos são os dons de Deus. Como ensina Santa Teresinha, ele vai a Deus “de mãos vazias”. Não tem medo de apresentar a Deus os seus pecados. O verdadeiramente humilde não tem medo de sua miséria: “Todos os homens são frágeis, mas cada um deve dizer a si mesmo: eu sou o mais frágil de todos”, diz a Imitação de Cristo. Santo Afonso encoraja o pecador a se aproximar de Deus sem medo do seu pecado, mas confiante na misericórdia. Chega a afirmar que o pior pecado é, muitas vezes, o que vem depois do pecado, ou seja, a tentação do desespero, da perda da confiança e do afastamento de Deus. Não. Deus não despreza um coração contrito e humilhado. “Não desprezais, ó Deus, um coração contrito e humilhado” (Sl 51,19). Deus resiste aos soberbos, mas concede sua misericórdia aos pecadores humildes. Disse um grande espiritual: “É melhor o pecado ao lado da humildade do que o orgulho ao lado da virtude”. A razão é simples: a humildade é a maior das virtudes; e o orgulho, o pior dos pecados. Portanto, nem o pecado afasta o humilde da oração. Se ele não confia em si mesmo pois sabe de que é feito, reconhece suas fragilidades e pecados; por isso se mostra audacioso: busca Deus na confiança. E a confiança é outra condição para a oração. Dela falaremos no próximo texto.







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