279. Transfiguração às avessas
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03.03.2021 | 1 minutos de leitura
Para Rezar

Sou teu filho, ó Deus?
Sou contado entre os que o teu amor elegeu?
Em vez de vestes brancas,
Trapos me cobrem.
Em vez da limpeza alva do corpo,
Sou tatuado pela imundície dos becos.
Em vez do brilho do rosto,
O desfalecimento geral
De quem já não tem forças para lutar,
De quem já nem quer mais lutar.
No lugar da alegria do encontro,
A dor do abandono.
Sou Cristo transfigurado,
Transfiguração às avessas,
Que não conhece fim,
Que não tem glamour,
Que não tem felicidade,
Que não tem voz de consolo descida dos céus.
Sou pobre, doente e invisível.
Sou preto, às vezes pardo ou branco.
Sou velho, jovem, criança.
Sou homem, mas também mulher.
Sou travesti, sou puta,
Sou carroceiro, catador de resíduos.
Sou sem teto, sem emprego,
Sem amor, sem ninguém.
Sou da Cracolândia,
Da esquina da podridão humana.
Não sou gente,
Sou o bicho do lixo
Que o luxo gerou.
Ó Senhor da vida,
Haverá transfiguração possível para mim?
Sou contado entre os que o teu amor elegeu?
Em vez de vestes brancas,
Trapos me cobrem.
Em vez da limpeza alva do corpo,
Sou tatuado pela imundície dos becos.
Em vez do brilho do rosto,
O desfalecimento geral
De quem já não tem forças para lutar,
De quem já nem quer mais lutar.
No lugar da alegria do encontro,
A dor do abandono.
Sou Cristo transfigurado,
Transfiguração às avessas,
Que não conhece fim,
Que não tem glamour,
Que não tem felicidade,
Que não tem voz de consolo descida dos céus.
Sou pobre, doente e invisível.
Sou preto, às vezes pardo ou branco.
Sou velho, jovem, criança.
Sou homem, mas também mulher.
Sou travesti, sou puta,
Sou carroceiro, catador de resíduos.
Sou sem teto, sem emprego,
Sem amor, sem ninguém.
Sou da Cracolândia,
Da esquina da podridão humana.
Não sou gente,
Sou o bicho do lixo
Que o luxo gerou.
Ó Senhor da vida,
Haverá transfiguração possível para mim?
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