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20. O CREDO: Creio em Deus Pai [...] e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor.

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17.09.2015 | 8 minutos de leitura
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20. O CREDO: Creio em Deus Pai [...] e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor.

Jesus Cristo, Filho único de Deus Pai e nosso Senhor


Jesus é designado com vários títulos no NT: profeta, rei, messias, filho do homem, filho de Davi, Emanuel, sacerdote etc. Nós professamos que ele é o Cristo. Jesus é o nome natural do Filho de Deus, daquele que nasceu de Maria, mas tem um significado profundo: “Yahweh é a salvação”. Seu nome expressa, assim, a sua missão. Cristo quer dizer messias, ou seja, ungido e enviado para realizar as promessas de Deus a Israel. A Igreja crê que, em Jesus, se cumpriram todas as promessas feitas a Israel. Ele é a plenitude da revelação especial de Deus que se deu na história do povo de Israel. Confessamos, pois, que Jesus é o messias salvador.


O título Filho de Deus nos ajuda a perscrutar o mistério de Jesus. No início, Jesus foi considerado um grande profeta (cf. Lc 7,16; 9,19). Outros o proclamaram messias (cf. Mc 8,29). Ele é profeta e messias, mas o título Filho de Deus abunda no NT. No Evangelho de Mateus, Jesus é anunciado com o nome de Filho (cf. Mt 2,15). No batismo, uma voz vinda dos céus proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (cf. Mt 3,17). O demônio tenta Jesus, apelando para sua condição de Filho (cf. Mt 4,4-6). Os discípulos reconhecem Jesus como Filho de Deus: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus” (Mt 14,33) e, em outra passagem, é Pedro quem professa a filiação divina do Mestre (cf. Mt 16,16). Na transfiguração, Deus diz mais uma vez que ele é o Filho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o” (Mt 17,5). E, na hora definitiva, Caifás pergunta a Jesus se ele é mesmo o Filho de Deus (cf. Mt 26,63).


Em Marcos, a filiação de Jesus se encontra no próprio título de sua obra: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Sua narrativa chega a seu cume com a profissão de fé do centurião: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Segundo Lucas, o anjo diz a Maria: “O santo que nascer se chamará Filho de Deus” (Lc 1,35). A última palavra de Jesus é a de sua entrega ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito” (Lc 23,46). Como em Marcos, Lucas proclama a filiação de Jesus no início e no fim de seu Evangelho (cf. Lc 1,35; 23,46).


João inicia o seu Evangelho com o hino do Verbo encarnado: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos sua glória, glória que ele tem junto do Pai como Filho único” (Jo 1,14). Este Filho único está voltado para o Pai: “Ninguém jamais viu a Deus, o Filho unigênito, que está no seio do Pai, o deu a conhecer” (Jo 1,18). O primeiro epílogo de João diz: “Estes (sinais), porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 20,31). O Pai envia o Filho ao mundo (cf. Jo 5,36-37; 6,44. 57; 8,18; 12,49; 14,24). Jesus veio do Pai, saiu do Pai (cf. Jo 8,42; 13,3; 16,28). O Pai marcou Jesus com seu selo (cf. Jo 6,27). E os judeus querem matar Jesus não somente porque violou o sábado, mas porque chamava Deus de Pai, fazendo-se igual a Deus (cf. Jo 5,18).


São Paulo declara que o Pai é autor de sua conversão: ele “houve por bem revelar em mim o seu Filho” (Gl 1,15). Depois da conversão, ele proclama Jesus, o Filho de Deus (cf. 2 Cor 1,19). O evangelho de Deus diz respeito a seu Filho (cf. Rm 1,3). A morte de Jesus é a do Filho (cf. Rm 5,10). Na ressurreição, Jesus é estabelecido Filho de Deus com poder (cf. Rm 1,4). Paulo vive da fé no Filho de Deus (cf. Gl 2,20). Em muitas ocasiões, o apóstolo utiliza o título Filho de Deus (cf. 1Ts 1,10; Rm 1,9; 8,3.29.32; 1Cor 1,9; 15,28; Gl 4,6; 2Cor 1,19). Para Paulo, Deus é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que só compreendemos quando aceitamos que Jesus é o seu Filho. Segundo a Carta aos Hebreus, Deus falou várias vezes e de muitas maneiras aos Pais pelos profetas, mas nos últimos dias falou por meio do Filho, que é o resplendor de sua glória, expressão de sua substância, aquele que sustenta o universo e perdoa os pecados (cf. Hb1,1-3).


Segundo Paulo, Jesus se torna, pela ressurreição, Senhor do universo; e o cristão, para ser salvo, deve confessar com sua boca o senhorio de Jesus e crer no seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos (cf. Rm 10,9). Chamando Jesus de Senhor (cf. 1Cor 12,13; 2Cor 4,5; Fl 2,11), Paulo afirma que Jesus tem a mesma autoridade de Deus. Para nós, a confissão do senhorio de Jesus quer dizer que ele é o valor supremo e absoluto da nossa vida e a ele submetemos tudo o que somos e fazemos. E ele não é só “meu Senhor”, mas “nosso Senhor”, ou seja, há uma igualdade fundamental entre os cristãos e entre os seres humanos. Essa igualdade é propulsora da fraternidade e da solidariedade e não autoriza um cristão, por mais importante que seja seu cargo ou ministério na Igreja, a se sentir melhor que os outros. No cristianismo, Jesus é o Senhor de todos e ninguém é senhor de ninguém, todos somos irmãos.


Jesus, Filho gerado, não criado


O Credo niceno-constantinopolitano aprofunda a afirmação do credo apostólico: Creio em um só Senhor, Jesus Cristo. Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerando, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E, por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus. Alguns, no início da Igreja, negavam que Jesus fosse Deus e diziam que ele era criatura de Deus. Jesus seria, portanto, inferior a Deus, no máximo seu mensageiro, seu embaixador; no melhor dos casos uma divindade de segunda categoria. Portanto não seria Deus, o que contradiz a verdade do amor de Deus, porque o amor verdadeiro exige a entrega de si mesmo a quem se ama. Amar não é dar alguma coisa, mas dar-se a si mesmo; e é isso que Deus fez através do Filho: entregou-se a si mesmo a nós no amor na condição de servo.


O credo enfatiza a divindade de Jesus. Ora, se ele procede do Pai, ele é Deus. A luz que vem da luz também é luz. Ele nasceu do Pai, por geração, antes de todos os séculos. Ele procede do Pai, é consubstancial ao Pai. Palavra originária da filosofia grega quetalvez não diga quase nada para nós hoje. Ela quer apenas afirmar que Jesus tem a mesma natureza do Pai, ou seja, o Filho não é em nada inferior ao Pai. O Pai está na origem do Filho, mas o Filho também é Deus.


Por ele todas as coisas foram feitas. O Credo situa Jesus no início da criação. Segundo o apóstolo Paulo, Jesus Cristo é o princípio da criação, seu centro e sua finalidade (cf. Cl 1,15-20). O mediador da salvação foi o mediador da criação. Tudo foi feito por Cristo (passado), tudo subsiste em Cristo (presente) tudo será para Cristo (futuro). Em João, Jesus afirma: “Eu sou a vida” (Jo 14,6). A vida vem dele, se sustenta nele e tende para ele que desceu dos céus para nossa salvação, de modo que só é possível entrar em comunhão com Deus através de seu Filho Jesus. E para que essa comunhão salvífica se realize, ele perdoa nossos pecados, destrói toda barreira que poderia nos separar do amor de Deus.


Só há um caminho para Deus, Jesus Cristo, seu único Filho. Ele vem do Pai e se encarna; na cruz, se entrega ao Pai por nós na nossa condição humana, assim ele não volta ao Pai sem nós. Ele vai ao Pai na nossa condição que é glorificada nele. Jesus é, de fato, o Salvador, o único e definitivo Salvador do ser humano e merece toda confiança de nosso coração e o compromisso de nossa vida. Com São Pedro, repetimos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).







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